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Mosteiro de Paço de Sousa

Mosteiro de Paço de Sousa, em Penafiel: igreja românica beneditina e panteão de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques, na Rota do Românico.

Mosteiro de Paço de Sousa
João Sousa, Public domain — Wikimedia Commons

O Mosteiro de Paço de Sousa, ou Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, ergue-se na margem do rio Sousa, na freguesia homónima do concelho de Penafiel, distrito do Porto. É um dos testemunhos mais expressivos do românico do Vale do Sousa e guarda, no interior da sua igreja, o túmulo de Egas Moniz, o aio que a tradição associa à educação do primeiro rei de Portugal. Pela ligação à génese da nacionalidade e pela qualidade da sua arquitetura, foi classificado como Monumento Nacional em 1910.

Origens e comunidade beneditina

As raízes do cenóbio recuam ao século X. A documentação aponta para uma fundação ligada a Trutesendo Galindes e a sua mulher Anímia, antepassados da poderosa linhagem dos Ribadouro, sendo a primeira menção segura datada de 994 — ano em que o local terá servido de refúgio durante as incursões de Almançor. Cedo se organizou como comunidade beneditina, e foi sob a Ordem de São Bento que o mosteiro consolidou o seu domínio fundiário e a sua influência sobre as terras de Penafiel ao longo dos séculos XI e XII.

A ligação à família de Egas Moniz fez de Paço de Sousa um centro de prestígio aristocrático. O mosteiro tornou-se panteão dessa linhagem, e foi essa vocação memorial que, mais do que qualquer outro fator, garantiu a sua continuidade e o cuidado posto na sua reconstrução em pedra.

A igreja românica

A igreja que hoje se observa resulta de uma campanha construtiva dos séculos XII e XIII, erguida sobre o templo anterior. Apresenta planta basilical de três naves, separadas por arcos sobre pilares, e uma fachada onde sobressai uma notável rosácea. A ornamentação reúne motivos de tradição românica com elementos arcaizantes que os investigadores têm relacionado com heranças pré-românicas e moçárabes — um traço que confere ao monumento uma personalidade própria dentro do românico nortenho.

A traça de Paço de Sousa irradiou pela região, e o templo costuma ser citado a par de Pombeiro, Travanca e Roriz como referência do românico do Vale do Sousa.

Esta filiação coloca o conjunto numa rede de estaleiros e modelos que marcou profundamente a arquitetura românica em Portugal entre o Douro e o Minho, onde outros mosteiros da mesma matriz partilham gramática decorativa e soluções estruturais.

O túmulo de Egas Moniz

No corpo da igreja repousa a arca tumular de Egas Moniz de Ribadouro (falecido em 1146), aio e preceptor de D. Afonso Henriques. O monumento funerário, formado por arcas dos finais do século XII e do século XIII, exibe relevos que evocam a lenda do aio: a célebre ida à corte de Leão, onde Egas Moniz se teria apresentado de pés descalços e baraço ao pescoço, com a mulher e os filhos, para cumprir uma promessa em nome do seu senhor. A cena, que a memória medieval transformou em emblema de fidelidade, faz deste túmulo uma das peças mais evocativas da escultura funerária românica portuguesa.

Visita e enquadramento

Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, as dependências conventuais foram alienadas, mantendo-se a igreja ao culto e acessível ao público. Restauros nos séculos XVIII e XX, incluindo intervenções na sequência de um incêndio ocorrido em 1927, devolveram-lhe a leitura atual.

Hoje o mosteiro integra a Rota do Românico do Vale do Sousa, percurso que reúne dezenas de igrejas, mosteiros e memoriais da mesma época. A visita ganha sentido quando articulada com monumentos vizinhos como o Mosteiro de Pombeiro ou o Mosteiro de São Pedro de Rates, que permitem compreender a difusão e as variantes deste românico rural do noroeste peninsular.

Perguntas frequentes

Quem está sepultado no Mosteiro de Paço de Sousa?
No interior da igreja encontra-se o túmulo de Egas Moniz de Ribadouro, o aio que educou D. Afonso Henriques. A arca tumular ostenta relevos que narram episódios da sua lenda.
Onde fica o Mosteiro de Paço de Sousa?
Situa-se na freguesia de Paço de Sousa, no concelho de Penafiel, distrito do Porto, integrando a Rota do Românico do Vale do Sousa.
O mosteiro está classificado como Monumento Nacional?
Sim. Foi classificado como Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910.

Fontes

  1. Mosteiro de Paço de Sousa — Wikipédia
  2. Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa — Rota do Românico