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Património Mundial

Palácio-Convento de Mafra (Real Edifício de Mafra)

O Palácio-Convento de Mafra, de D. João V, reúne palácio, basílica, convento franciscano, biblioteca e Tapada: Património Mundial da UNESCO desde 2019.

Perguntas frequentes Fontes
Palácio-Convento de Mafra
Concierge.2C, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Mafra, Lisboa
Construção
1717–1755
Estilo
Barroco joanino
UNESCO
Património Mundial · desde 2019

O Palácio-Convento de Mafra, na vila de Mafra (distrito de Lisboa), é o mais monumental conjunto arquitetónico do barroco português e a obra maior do reinado de D. João V. Conhecido também como Convento de Mafra, Palácio Nacional de Mafra ou, na designação da UNESCO, Real Edifício de Mafra, reúne num único edifício palácio régio, basílica, convento franciscano e biblioteca, rodeados pelo Jardim do Cerco e pela vasta Tapada de caça. Financiado pelo ouro do Brasil, traduz em pedra o poder e a ambição cultural da monarquia setecentista. Está inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO desde 2019, com a referência n.º 1573, pelo critério (iv).

A escala é vertiginosa: cerca de 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e átrios.

Um voto régio

A história do edifício começa num voto. D. João V, ainda sem descendência do casamento com D. Maria Ana de Áustria, prometeu erguer um convento franciscano caso lhe nascesse um herdeiro; o nascimento da infanta Maria Bárbara, em 1711, selou a promessa. A primeira pedra foi lançada a 17 de novembro de 1717. O projeto coube ao arquiteto de origem alemã João Frederico Ludovice (Johann Friedrich Ludwig), formado na tradição barroca romana.

O que começou por ser um modesto convento para uma dúzia de frades transformou-se, à medida que crescia a ambição do monarca e afluíam as riquezas do Brasil, num programa colossal. A empreitada mobilizou dezenas de milhares de trabalhadores e fez de Mafra um imenso estaleiro régio. A basílica foi solenemente sagrada a 22 de outubro de 1730, dia em que o rei completava 41 anos, mas as obras do conjunto prolongaram-se ainda durante largos anos. Este episódio de fausto e sacrifício ficou imortalizado no romance Memorial do Convento, de José Saramago, que entrelaça o esforço da construção com a história de Baltasar e Blimunda.

Mafra resume, num só edifício, três funções que noutros lugares se distribuem por monumentos distintos — o paço, a igreja e o claustro —, fazendo dele um manifesto em pedra em que D. João V condensou ouro, fé e poder absoluto.

Palácio, basílica e convento

A vertente palaciana ocupa sobretudo as alas e os torreões da fachada destinados à Família Real. Ao centro ergue-se a basílica, concebida à maneira das igrejas romanas, com cúpula, duas torres sineiras e revestimento de mármores nacionais. Guarda 58 estátuas de mármore de Carrara, uma das maiores coleções de escultura barroca italiana fora de Itália, e seis órgãos históricos concebidos para tocar em conjunto, caso raro a nível mundial. Nas torres encontram-se dois carrilhões setecentistas, com 92 sinos no total, considerados dos maiores do género produzidos no século XVIII.

Por trás da fachada palaciana, o coração religioso do edifício é o convento, entregue aos frades menores franciscanos, com dormitórios, enfermaria, botica, refeitório e claustros distribuídos por uma das mais extensas malhas de corredores do país. Entre 1771 e 1791 o convento foi entregue aos cónegos regrantes de Santo Agostinho, regressando depois aos franciscanos, que ali permaneceram até à extinção das ordens religiosas, em 1834. Visitar a enfermaria, a botica e as celas é percorrer o reverso íntimo de uma encenação régia: a austeridade da vida franciscana a par do fausto sem limites de um rei.

A biblioteca

No piso nobre desenrola-se a biblioteca, um salão em forma de cruz com cerca de 88 metros de comprimento, chão de mármore e estantes em madeiras nobres, que guarda mais de 30 000 volumes dos séculos XV a XVIII, encadernados a couro e ordenados segundo uma hierarquia que vai dos textos sagrados às obras profanas. É uma das mais belas bibliotecas conventuais da Europa. Curiosidade frequentemente citada: uma colónia de morcegos ali habita há gerações e, alimentando-se de insetos, ajuda a preservar o acervo.

A Tapada e o Jardim do Cerco

A classificação da UNESCO não se limita ao edifício. Inclui o Jardim do Cerco, horto murado de traçado regular, e a Tapada Nacional de Mafra, antiga coutada real de caça cercada por um muro de vários quilómetros. Palácio, jardim e tapada somam cerca de 1200 hectares, e a sua inclusão sublinha a leitura do sítio como uma paisagem integral, em que arquitetura, jardim e floresta de caça formavam um todo destinado ao recreio, ao estudo e à vida religiosa da corte.

Significado e visita

Mafra não é apenas palácio nem apenas convento: é a síntese de ambos, refletindo a dupla vocação régia e religiosa do projeto joanino e constituindo o exemplo maior do barroco joanino. A oficina ali instalada — a Escola de Escultura de Mafra, criada em 1754 sob a direção do escultor italiano Alessandro Giusti — formou uma geração de artistas decisiva para a escultura portuguesa. Enquanto residência régia, dialoga com outros paços reais da região de Lisboa, como o Palácio Nacional de Queluz, de feição mais rococó, e o inacabado Palácio Nacional da Ajuda; enquanto casa religiosa, ocupa um lugar singular entre os grandes conventos e mosteiros portugueses.

O convento e a basílica estão classificados como Monumento Nacional desde 1907 e 1910, respetivamente. Hoje o edifício acolhe o museu do Palácio Nacional de Mafra, a basílica mantém funções de paróquia e parte das dependências continua afeta ao Exército, prolongando em pleno século XXI a vida de um dos mais extraordinários monumentos do barroco europeu, que ainda domina a paisagem e a economia da vila que cresceu à sua volta.

Perguntas frequentes

Convento de Mafra, Palácio Nacional de Mafra e Real Edifício de Mafra são a mesma coisa?
Sim. São nomes do mesmo edifício monumental mandado erguer por D. João V. «Real Edifício de Mafra» é a designação da UNESCO para o conjunto — palácio, basílica, convento, Jardim do Cerco e Tapada —; «Palácio Nacional de Mafra» é o nome do museu que hoje o gere; e «Convento de Mafra» é a forma corrente, consagrada pelo Memorial do Convento de José Saramago.
Quem mandou construir o palácio-convento de Mafra, e porquê?
D. João V, em cumprimento de um voto feito para obter descendência; o nascimento da infanta Maria Bárbara, em 1711, selou a promessa. A primeira pedra foi lançada a 17 de novembro de 1717, segundo projeto do arquiteto João Frederico Ludovice.
Quando foi classificado como Património Mundial?
O Real Edifício de Mafra foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 2019, com a referência n.º 1573, pelo critério (iv).
O que torna a basílica e a biblioteca de Mafra singulares?
A basílica tem seis órgãos históricos concebidos para tocar em conjunto e dois carrilhões setecentistas com 92 sinos, dos maiores do seu tempo. A biblioteca, com cerca de 88 metros, guarda mais de 30 000 volumes, protegidos de insetos por uma colónia de morcegos.
O convento ainda é habitado por frades?
Não. Os franciscanos deixaram Mafra com a extinção das ordens religiosas, em 1834. Hoje o edifício acolhe o museu, a basílica mantém funções de paróquia e parte das dependências está afeta ao Exército.

Fontes

  1. UNESCO — Royal Building of Mafra (ref. 1573)
  2. Real Edifício de Mafra — DGPC / Património Cultural
  3. Convento e Basílica de Mafra — SIPA / DGPC
  4. Palácio Nacional de Mafra (sítio oficial)
  5. Wikipédia — Palácio Nacional de Mafra

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