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Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro

O Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, em Felgueiras, é uma casa beneditina românica com fachada e talha barrocas, Monumento Nacional da Rota do Românico.

Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro
Alegna13, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

O Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro ergue-se na freguesia de Pombeiro de Ribavizela, no concelho de Felgueiras, num planalto do Vale do Sousa que outrora cruzava algumas das principais vias medievais do Entre-Douro-e-Minho. Casa beneditina de longa memória, conjuga numa só fábrica uma igreja românica do século XII e uma exuberante intervenção barroca setecentista, sendo hoje um dos pontos altos da Rota do Românico. Foi classificado como Monumento Nacional em 1910.

Das origens medievais ao couto beneditino

A comunidade monástica de Pombeiro está documentada desde 853, embora a tradição associe a fundação do cenóbio no local atual a meados do século XI. O impulso decisivo coube à poderosa família dos Sousa: Egas Gomes de Sousa dotou generosamente a casa em 1102 e, poucos anos depois, em 1112, a rainha D. Teresa concedeu-lhe carta de couto, garantindo-lhe autonomia jurisdicional sobre um vasto território. Sob a Ordem de São Bento, Pombeiro tornou-se um dos centros religiosos e económicos mais influentes da região, controlando terras, igrejas e direitos que se estendiam muito para além dos limites da paróquia.

A justaposição franca entre o pórtico românico e a frontaria barroca faz de Pombeiro um manual de pedra: nele lê-se, num só olhar, a longa duração da arquitetura monástica portuguesa.

A igreja românica

Da campanha medieval subsiste sobretudo a igreja, com a sua planta de três naves rematada a nascente por absides. O elemento mais notável é o portal axial da fachada, organizado em arquivoltas assentes em colunas cujos capitéis exibem alguns dos mais expressivos exemplos da escultura românica do Vale do Sousa, povoados de motivos vegetalistas e zoomórficos. Estas soluções inscrevem-se no chamado românico nacionalizado que floresceu na bacia do Sousa e do Tâmega, partilhando uma gramática comum com casas vizinhas como o Mosteiro de Paço de Sousa e que se enquadra na evolução da arquitetura românica em Portugal.

O grande estaleiro barroco

Foi na Idade Moderna que o mosteiro adquiriu a feição monumental que hoje impressiona o visitante. As torres da fachada foram levantadas a partir de 1629 e, entre 1719 e 1722, sob a direção de Frei Bento da Ascenção, o pano de parede encaixado entre elas foi avançado e reorganizado em linguagem barroca, com nichos para as imagens de Nossa Senhora, de São Bento e de Santa Escolástica. O interior acompanhou esta transformação: a capela-mor, o coro alto e um vasto programa de talha dourada renovaram por completo o espaço litúrgico.

A obra de talha mais celebrada deve-se a Frei José de Santo António Ferreira Vilaça, que entre 1770 e 1777 executou em registo rococó alguns dos retábulos e do mobiliário entalhado, num dos conjuntos mais finos do norte do país. O órgão de tubos, atribuído à oficina de Francisco António Solha e concluído por volta de 1783, completa este programa decorativo, representativo do apogeu da arquitetura barroca em Portugal aplicada aos grandes conjuntos monásticos.

Declínio e memória

A história moderna do mosteiro foi marcada pela violência: durante a segunda invasão francesa, em 1809, as tropas de Soult incendiaram parte do edifício. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, a comunidade dispersou-se e o conjunto sofreu espoliação e demolições parciais, perdendo grande parte das suas dependências conventuais. A igreja, contudo, manteve uso paroquial e chegou aos nossos dias como testemunho maior da arte beneditina entre o Sousa e o Tâmega — um monumento onde nove séculos de fé e de pedra continuam legíveis na mesma fachada.

Perguntas frequentes

Onde fica o Mosteiro de Pombeiro?
Situa-se na freguesia de Pombeiro de Ribavizela, no concelho de Felgueiras, distrito do Porto, integrado na Rota do Românico do Vale do Sousa.
Que ordem religiosa ocupava o mosteiro?
Era uma casa da Ordem de São Bento (beneditinos), documentada desde 853 e dotada com carta de couto no início do século XII.
Porque tem uma fachada barroca sobre uma igreja românica?
A igreja é românica do século XII, mas entre 1719 e 1722 a frontaria foi avançada e reorganizada em linguagem barroca, com nichos e nova ornamentação, mantendo a estrutura medieval por detrás.

Fontes

  1. Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro — Rota do Românico
  2. Mosteiro de Pombeiro — SIPA/Património Cultural
  3. Mosteiro de Pombeiro — Wikipédia