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Monumentos
Muralhas de Viseu
Muralhas e portas antigas de Viseu: cerca do século XV, do reinado de D. Afonso V, com a Porta do Soar e a Porta dos Cavaleiros. Monumento Nacional desde 1915.
- Localização
- Viseu, Viseu
- Construção
- séc. XV (reinado de D. Afonso V)
Em Viseu, a muralha medieval já não forma um circuito contínuo, ao contrário de outras cidades. O que resta são duas portas monumentais, a Porta do Soar e a Porta dos Cavaleiros, e alguns troços soltos junto à Sé e entre casas do centro histórico. Muitas vezes estão escondidos por construções posteriores. Mesmo assim, estes vestígios estão entre os testemunhos mais claros da cidade do século XV, e o Estado classificou-os como Monumento Nacional em 1915.
Origens incertas
O registo nacional reconhece que as opiniões sobre a origem das muralhas variam muito, por falta de informação arqueológica. A existência de uma primeira muralha romana tem sido consensual e foi confirmada por escavações no Largo de Santa Cristina. A sua extensão e o seu perímetro continuam, no entanto, por conhecer. A cerca da Alta Idade Média também levanta dúvidas. Costuma falar-se de uma estrutura defensiva por volta da viragem para o século XII, mas, segundo o registo nacional, faltam certezas.
A cerca do século XV
O que se conserva é do século XV. O decreto de classificação de 1915 refere o valor histórico da muralha e das portas antigas da cidade, «que remontam ao século XV». O registo nacional descreve uma cerca construída sob a dinastia de Avis, de planta poligonal muito irregular, adaptada à forma da cidade que já existia. As alterações posteriores tornaram o traçado difícil de definir. Os vestígios são secções isoladas, sem ligação entre si, e não permitem reconstituir o percurso completo.
Segundo o registo nacional, das sete portas primitivas restam duas. Das torres originais quase nada se conserva.
A Porta do Soar
A Porta do Soar, também chamada de São Francisco, é o elemento mais importante do que resta. Tem um arco ogival e um pequeno troço de muralha encostado. Era o principal eixo de circulação da cidade. Foi aí que os construtores colocaram a epígrafe que data a obra do reinado de D. Afonso V e uma pedra com as armas nacionais. No interior da porta, um pequeno nicho guarda ainda a imagem do santo protetor. O registo nacional diz que este pormenor era comum nas principais entradas das fortalezas do fim da Idade Média.
Séculos mais tarde, construiu-se junto à porta o Solar dos Melos, uma das casas barrocas mais interessantes de Viseu. O solar teve tanto peso na cidade que a porta passou a ser conhecida também como Arco dos Melos. O registo nacional localiza-a na Rua Nunes de Carvalho, no centro histórico onde ficam também a Sé de Viseu e o Museu Nacional Grão Vasco.
A Porta dos Cavaleiros e outros vestígios
A Porta dos Cavaleiros fica na Rua dos Loureiros. O registo nacional associa-lhe uma lápide de 1646, prova de que houve obras na muralha na época moderna. As fotografias do registo mostram a porta perto do chafariz de São Francisco e da Casa do Arco.
Mostram também outros vestígios, menos conhecidos: o troço da Sé, com muralhas a norte e a sul e a Varanda dos Cónegos, e restos da Porta da Senhora do Postigo, junto à Rua Silva Gaio. No Largo de Santa Cristina há um solar, provavelmente do século XVII, com as fundações sobre um troço de muralha.
Desmantelamento
A história da destruição da cerca não está totalmente esclarecida. O registo nacional indica que o desmantelamento terá começado logo no século XVI, com a ampliação do Paço episcopal. Em 1844, a Câmara Municipal ordenou a demolição das portas antigas. Foi uma decisão vista como modernizadora, semelhante à de outros municípios portugueses do século XIX. Ao longo da época moderna, a muralha também foi sendo ocupada e alterada para dar lugar a casas e solares.
Classificação
A muralha e as portas antigas são Monumento Nacional pelo Decreto n.º 2 165, assinado a 24 e publicado no Diário do Governo, I série, n.º 265, de 31 de dezembro de 1915. O decreto mandava aplicar à guarda, defesa e conservação do monumento o disposto no decreto com força de lei de 26 de maio de 1911. Na consulta do Atlas do Património Classificado de 5 de novembro de 2026, não havia zona especial de proteção publicada. Viseu não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.
Visitar
As duas portas e os troços conservados ficam em ruas e largos públicos do centro histórico, perto da Sé. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos informação oficial sobre visitas guiadas às muralhas. Para saber de percursos organizados, contacte o turismo municipal de Viseu.
Para enquadrar a visita, veja o guia de Viseu, a região Centro e a tipologia das muralhas e cercas urbanas. A rede de castelos de Portugal reúne outras obras militares medievais da região.
Fotografia de Alexa Pinto, de 15 de abril de 2011, enviada para o Wiki Loves Monuments em Portugal. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- De quando são as muralhas de Viseu?
- O que resta é do século XV. O decreto de classificação diz que a muralha e as portas antigas remontam a esse século, e o registo nacional indica que uma epígrafe na Porta do Soar data a construção do reinado de D. Afonso V.
- Quantas portas se conservam?
- Segundo o registo nacional, das sete portas primitivas restam duas: a Porta do Soar, também chamada de São Francisco, e a Porta dos Cavaleiros.
- Porque desapareceu a maior parte da cerca?
- O registo nacional indica que o desmantelamento terá começado no século XVI, com a ampliação do Paço episcopal, e que a Câmara Municipal ordenou a demolição das portas antigas em 1844. Casas e solares foram depois construídos sobre a muralha.
- A muralha está classificada?
- Sim. A muralha e as portas antigas da cidade são Monumento Nacional pelo Decreto n.º 2 165, publicado no Diário do Governo de 31 de dezembro de 1915.
Fontes
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