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Museu Nacional do Azulejo

Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa: a maior coleção de azulejaria portuguesa, instalada no Convento da Madre de Deus, fundado em 1509.

Perguntas frequentes Fontes
Museu Nacional do Azulejo
Pedro Ribeiro Simões from Lisboa, Portugal, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Lisboa, Lisboa
Construção
1509
Estilo
Manuelino, Renascentista e Barroco

O Museu Nacional do Azulejo é a instituição de referência para o estudo e a salvaguarda de uma das mais singulares expressões da cultura material portuguesa. Reúne a maior coleção mundial de azulejo, abrangendo cinco séculos de produção, desde os exemplares hispano-mouriscos do século XV até às criações contemporâneas. A sua importância não reside apenas no acervo: o museu ocupa um monumento histórico de primeira grandeza, o antigo Convento da Madre de Deus, conferindo à visita uma rara unidade entre continente e conteúdo.

Um convento como casa do museu

O Convento da Madre de Deus foi fundado em 1509 por iniciativa da rainha D. Leonor, viúva de D. João II, para acolher uma comunidade de clarissas. O edifício atravessou sucessivas campanhas de obras que se sobrepõem ainda hoje na sua leitura arquitetónica: a estrutura manuelina inicial, a renovação renascentista promovida por D. João III — a que se associa o nome do arquiteto Diogo de Torralva —, e a profusa decoração barroca dos séculos XVII e XVIII, patrocinada por D. Pedro II e D. João V.

O ponto alto desse percurso é a igreja, um dos interiores barrocos mais opulentos de Lisboa. Aqui convivem a talha dourada, os tetos pintados por mestres como Bento Coelho da Silveira e os painéis de azulejo holandês de inícios do século XVIII. A capela-mor e o coro alto constituem, por si só, um compêndio da arte da talha dourada e do azulejo azul e branco no seu apogeu joanino.

A coleção e o Grande Panorama de Lisboa

O percurso expositivo organiza-se cronologicamente e permite acompanhar a evolução técnica e estética do revestimento cerâmico: dos padrões de aresta e corda-seca quinhentistas, à figuração maneirista, ao virtuosismo dos grandes painéis historiados do Barroco, até ao azulejo industrial do século XIX e às reinterpretações modernas.

A peça mais célebre é o Grande Panorama de Lisboa, painel de azulejos azuis e brancos com cerca de 23 metros de extensão, datável de c. 1700 e atribuído ao pintor Gabriel del Barco. Representa a frente ribeirinha da cidade, de Algés a Xabregas, tal como existia antes do terramoto de 1755.

O Grande Panorama é, hoje, o mais fiel testemunho visual da Lisboa pré-pombalina: um documento que a cerâmica preservou onde a pedra desapareceu.

Missão institucional e enquadramento

Embora a coleção se tenha começado a autonomizar em 1965, o Museu Nacional do Azulejo foi formalmente instituído como museu nacional pelo Decreto-Lei n.º 404/80. Integra a rede de museus do Estado, hoje sob a tutela da administração central do património — uma trajetória que pode ser lida em articulação com a história da Direção-Geral do Património Cultural e com a estruturação da Rede Portuguesa de Museus.

Para além da exposição permanente, o museu desempenha funções de inventário, conservação e investigação especializada, sendo um polo essencial para a documentação do azulejo enquanto património. A sua proximidade temática com o acervo de pintura e artes decorativas do Museu Nacional de Arte Antiga reflete a centralidade de Lisboa na história da museologia portuguesa. Mais do que um repositório, o Museu Nacional do Azulejo afirma-se como guardião de uma arte que define, de forma quase identitária, a paisagem construída do país.

Perguntas frequentes

Onde fica o Museu Nacional do Azulejo?
Fica na Rua da Madre de Deus, n.º 4, na zona oriental de Lisboa (Xabregas), instalado no antigo Convento da Madre de Deus.
Qual é a peça mais célebre do museu?
O Grande Panorama de Lisboa, painel de azulejos azuis e brancos de cerca de 23 metros, datável de c. 1700, que retrata a cidade antes do terramoto de 1755.
Quando foi criado o museu?
A coleção autonomizou-se a partir de 1965 e o Museu Nacional do Azulejo foi instituído como museu nacional autónomo pelo Decreto-Lei n.º 404/80, de 1980.

Fontes

  1. Museu Nacional do Azulejo — Wikipédia
  2. Convento da Madre de Deus — Wikipédia
  3. Igreja e Mosteiro da Madre de Deus — SIPA / DGPC

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