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Palácio dos Condes de Vila Flor

Palácio barroco setecentista de Guimarães, na freguesia de Urgezes, hoje Centro Cultural Vila Flor, sobre jardins ajardinados frente ao Toural.

Palácio dos Condes de Vila Flor
Gianluca Campanella, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons

O Palácio de Vila Flor, em Guimarães, é um solar barroco do século XVIII que se ergue na freguesia de Urgezes, sobre socalcos ajardinados que descem na direção do centro histórico da cidade. Mandado construir pelo fidalgo Tadeu Luís António Lopes de Carvalho de Fonseca e Camões, o edifício combina a sobriedade da arquitetura civil setecentista do Minho com a encenação cénica típica do Barroco, organizando-se em torno de uma fachada principal voltada para um amplo jardim escalonado, pontuado por escadarias, estatuária e tanques.

História

A construção iniciou-se na primeira metade do século XVIII e foi prosseguida, após a morte do seu promotor, pela família Jordão. Em 1750 os seus jardins acolheram os festejos comemorativos da aclamação do rei D. José I, episódio que liga o palácio aos grandes acontecimentos cerimoniais da cidade. Mais tarde, a propriedade passou para a casa dos condes de Vila Flor, título que veio a fixar a denominação pela qual o solar é hoje conhecido.

O século XIX trouxe-lhe um papel simbólico assinalável. Em 1853 a rainha D. Maria II foi aqui hospedada e, por decreto de 23 de junho desse ano, foi determinada a elevação da vila de Guimarães à categoria de cidade. Décadas depois, em 1884, o palácio recebeu a I Exposição Industrial e Comercial de Guimarães, mostra que documentou a vitalidade económica de uma cidade então em pleno arranque industrial. Em 1976 o conjunto foi adquirido pela Câmara Municipal de Guimarães e chegou a albergar, de forma provisória, instalações iniciais da Universidade do Minho.

Do solar ao Centro Cultural

Na primeira década do século XXI, a autarquia promoveu o restauro integral do palácio e dos seus jardins, concluído em 2005. A intervenção preservou o solar barroco e acrescentou-lhe, de raiz, um novo edifício destinado a espetáculos e concertos, que passou a coexistir com a preexistência setecentista sem a descaracterizar. Deste conjunto nasceu o Centro Cultural Vila Flor, equipado com dois auditórios — um de cerca de 800 lugares e outro de aproximadamente 200 — e dotado de uma programação regular de música, teatro e dança.

A operação tornou-se um dos pilares da candidatura e do programa de Guimarães enquanto Capital Europeia da Cultura em 2012, afirmando o modelo de reutilização do património como infraestrutura cultural ativa. Hoje o palácio integra-se no roteiro monumental da cidade, a par de marcos como o Castelo de Guimarães e o Palácio dos Duques de Bragança, reforçando o conjunto que faz de Guimarães um dos centros históricos mais densos do norte de Portugal.

Significado patrimonial

O Palácio de Vila Flor ilustra a continuidade entre a arquitetura senhorial barroca e os usos contemporâneos do património edificado. A sua articulação entre solar, jardim em socalcos e novo equipamento cultural constitui um exemplo reconhecido de adaptação criteriosa, em que a memória aristocrática e cerimonial do edifício se mantém legível ao mesmo tempo que serve uma função pública e cultural. O conjunto está inventariado nos sistemas de informação do património arquitetónico português e inscreve-se na área alargada do centro histórico vimaranense.

Perguntas frequentes

O que é hoje o Palácio de Vila Flor?
É a sede do Centro Cultural Vila Flor de Guimarães. O solar barroco setecentista foi restaurado em 2005 e convive com um novo edifício de espetáculos, dotado de dois auditórios, erguido nos antigos jardins.
Onde fica o Palácio de Vila Flor?
Na freguesia de Urgezes, em Guimarães, distrito de Braga, junto à Avenida D. Afonso Henriques e próximo do Largo do Toural.
Porque se chama Palácio dos Condes de Vila Flor?
O título de conde de Vila Flor associou-se à propriedade no século XIX; o solar foi mandado erguer pelo fidalgo Tadeu Luís António Lopes de Carvalho de Fonseca e Camões e mais tarde herdado pela família Jordão.

Fontes

  1. Palácio Vila Flor (Guimarães) — Wikipédia
  2. SIPA — Palácio de Vila Flor / Centro Cultural de Vila Flor (n.º 756)