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Palmela
Palmela, vila do distrito de Setúbal na serra da Arrábida, com castelo e convento da Ordem de Santiago, vinhos moscatéis e centro histórico medieval.
Encavalitada num esporão da serra da Arrábida, a cerca de 240 metros de altitude, Palmela impõe-se na paisagem da península de Setúbal pela silhueta do seu castelo, visível a dezenas de quilómetros. A vila cresceu ao abrigo da fortaleza, num cruzamento estratégico entre Lisboa, o estuário do Sado e o litoral atlântico, e conserva um centro histórico de ruas estreitas e casario branco que ainda hoje espelha a sua longa vocação militar e religiosa.
Da reconquista à sede da Ordem de Santiago
A posição dominante de Palmela explica a disputa secular pela vila durante a Reconquista. Conquistada por D. Afonso Henriques em 1147, perdida e retomada mais do que uma vez, recebeu foral em 1185 e cedo passou para as mãos da Ordem de Santiago, que aqui instalou a sua sede em território português. Os cavaleiros santiaguistas fizeram da fortaleza o centro de uma vasta administração territorial que se estendia por boa parte do Sul, e foi sob D. João I, no início do século XV, que se ampliaram as muralhas e se ergueu o convento que ainda coroa o recinto.
O destino de Palmela confunde-se com o da Ordem de Santiago: enquanto a Ordem governou a partir destas muralhas, a vila foi capital de um território; com a extinção das ordens militares em 1834, restou o castelo como memória pétrea desse poder.
O conjunto fortificado, hoje classificado como Monumento Nacional, reúne testemunhos de várias épocas: o castelo de Palmela propriamente dito, com o seu torreão e cisternas, a igreja românica de Santa Maria — arruinada por um sismo no século XVIII — e a igreja gótica de Santiago, do século XV. O antigo convento da Ordem foi adaptado a pousada, prática que tem permitido conservar e dar uso a estes edifícios sem desvirtuar a sua leitura histórica.
Um território entre a serra e o mar
O concelho de Palmela estende-se da serra arborizada às planícies vinhateiras e aos areais do interior. A poucos quilómetros, a vertente sul da Arrábida abriga o convento da Arrábida, retiro franciscano quinhentista de extraordinária paisagem, enquanto a vizinha Setúbal concentra o porto, a indústria conserveira e monumentos como a igreja de Jesus. Para poente, a costa rasgada de Sesimbra completa um arco patrimonial e natural que faz desta região um dos conjuntos mais coesos a sul do Tejo.
A identidade de Palmela é também rural e gastronómica. As areias e argilas da península de Setúbal produzem o célebre Moscatel de Setúbal e os tintos e brancos da denominação Palmela, a que se juntam o queijo de Azeitão, de pasta amanteigada, e a maçã riscadinha, variedade local protegida. Esta vocação agrícola convive com um povoamento disperso por aldeias e pela cidade de Pinhal Novo, surgida em redor do caminho de ferro no século XIX e hoje o maior aglomerado do concelho.
Memórias mais antigas
A ocupação humana destas colinas precede largamente a vila medieval. Nos arredores foram identificados povoados fortificados da pré-história e da Idade do Ferro, como o castro de Chibanes, e é desta região que provém o chamado Vaso de Palmela, recipiente associado à transição para a metalurgia do cobre que deu nome a um tipo de pontas de seta calcolíticas reconhecido em toda a Europa ocidental. Sobreposições romanas, islâmicas e cristãs fazem de Palmela um palimpsesto onde cada muralha e cada igreja registam uma camada de história — razão pela qual a sua candidatura à valorização do conjunto fortificado continua a atrair investigação arqueológica e visitantes.
Perguntas frequentes
- Onde fica Palmela?
- Palmela é uma vila e sede de concelho do distrito de Setúbal, na vertente nascente da serra da Arrábida, a sul de Lisboa, integrada na Área Metropolitana de Lisboa.
- Qual a ligação de Palmela à Ordem de Santiago?
- Doado à Ordem de Santiago no último quartel do século XII, o castelo de Palmela tornou-se sede da Ordem em Portugal, que aí permaneceu até à extinção das ordens militares em 1834.
- Que vinhos se produzem em Palmela?
- A região é célebre pelo Moscatel de Setúbal e pelos vinhos da denominação Palmela, produzidos nas areias e argilas da península de Setúbal.