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Setúbal
Setúbal, cidade portuária na margem do estuário do Sado: berço do estilo manuelino no Convento de Jesus e guardada pelo Forte de São Filipe.
Setúbal estende-se ao longo da margem norte do estuário do rio Sado, cerca de quarenta quilómetros a sul de Lisboa e ao abrigo da imponente serra da Arrábida. Cidade portuária e piscatória por vocação, é hoje sede do distrito que leva o seu nome e um dos polos mais dinâmicos da península que separa os estuários do Tejo e do Sado. A sua história entrelaça a indústria das salgas romanas, a pesca, a transformação do peixe e uma notável produção artística que marcou um momento decisivo na arquitetura portuguesa.
Da Cetóbriga romana à cidade do Sado
A ocupação humana da foz do Sado é antiquíssima. Em época romana floresceu aqui Cetóbriga, importante centro urbano e industrial associado à salga e ao garum, cujos vestígios se distribuem por ambas as margens do estuário, incluindo a vizinha Tróia. Após a Reconquista e a fixação da Ordem de Santiago — sediada no castelo que domina a vizinha Palmela —, Setúbal foi sendo repovoada, primeiro na colina de Santa Maria e depois na zona baixa em direção ao bairro do Troino. O crescimento ligado ao comércio do sal e do pescado consolidou o burgo ao longo dos séculos, até que, em abril de 1860, o rei D. Pedro V lhe conferiu o estatuto de cidade.
O Sado não é apenas cenário: foi a riqueza do sal e do peixe que financiou os monumentos de Setúbal e atraiu os mestres que aqui ensaiaram uma linguagem nova.
O berço do manuelino
O monumento que dá a Setúbal um lugar próprio na história da arte é o Convento de Jesus, erguido entre 1490 e 1496 por vontade de Justa Rodrigues Pereira, ama de D. Manuel I, para acolher uma comunidade de clarissas. As obras seguiram o risco de Diogo de Boitaca, o mesmo mestre que viria a intervir no Mosteiro dos Jerónimos e na Batalha. Anterior a essas grandes empresas régias, o conjunto é frequentemente apontado como a primeira manifestação do estilo manuelino, a versão portuguesa do gótico tardio carregada de simbolismo marítimo.
A igreja do convento é a sua peça mais audaz: concebida como igreja-salão, com três naves de igual altura num espaço uniformemente iluminado, sustenta as abóbadas em colunas torsas talhadas em brecha da Arrábida — a pedra rosada e veteada característica da serra vizinha. O portal, na mesma brecha, anuncia já o gosto decorativo que definiria toda uma época. Desde 1961 o convento alberga o Museu de Setúbal, com um acervo que inclui notável pintura quinhentista.
Fortificações, serra e estuário
A posição estratégica de Setúbal, guardando a entrada do Sado, justificou um robusto sistema defensivo. O Forte de São Filipe, mandado erguer por Filipe II de Espanha a partir de 1582, ergue-se num esporão sobre a baía, controlando simultaneamente a barra e a própria cidade; foi classificado como Monumento Nacional em 1933. Em torno dele desdobra-se a serra da Arrábida, com a sua vegetação mediterrânica e o recolhido Convento da Arrábida, retiro franciscano debruçado sobre o mar.
O estuário do Sado, classificado como reserva natural, prolonga a identidade da cidade para lá do casco urbano: bancos de areia, sapais e a célebre população de golfinhos-roazes residentes fazem dele um dos ecossistemas mais ricos do litoral português. Entre o património construído e a paisagem, Setúbal mantém a fisionomia de uma cidade que cresceu de costas para a serra e de frente para a água.
Perguntas frequentes
- Porque é Setúbal importante na história da arquitetura portuguesa?
- Porque o Convento de Jesus, erguido entre 1490 e 1496 sob risco de Diogo de Boitaca, é considerado uma das primeiras obras do estilo manuelino, anterior aos Jerónimos.
- Onde fica Setúbal?
- Na margem norte do estuário do rio Sado, cerca de 40 km a sul de Lisboa, ao abrigo da serra da Arrábida. É sede do distrito de Setúbal.
- Quem mandou construir o Forte de São Filipe?
- Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal), que assistiu ao lançamento da primeira pedra em 1582, no contexto da União Ibérica.