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Pintura Barroca Portuguesa
A pintura barroca portuguesa dos séculos XVII e XVIII, de André Reinoso e Josefa de Óbidos a Vieira Lusitano e Domingos Sequeira, em Portugal.
A pintura barroca portuguesa abrange cerca de dois séculos — do início de Seiscentos às primeiras décadas de Oitocentos — durante os quais a arte do pincel acompanhou as grandes transformações da sociedade lusa: a Restauração da independência em 1640, o ouro do Brasil que financiou as encomendas joaninas e, por fim, a abertura ao gosto neoclássico. Mais contida e tardia do que a italiana ou a flamenga, a pintura barroca em Portugal afirmou-se sobretudo ao serviço da Igreja da Contrarreforma e da Coroa, num registo de forte intencionalidade devocional.
Os fundadores do naturalismo seiscentista
A chegada do Barroco fez-se sentir primeiro através do naturalismo e do tenebrismo de matriz caravagesca, transmitidos pela vizinha pintura sevilhana. André Reinoso (act. c. 1610–1641), considerado o primeiro pintor barroco português, deixou o célebre ciclo da vida de São Francisco Xavier na Igreja de São Roque, em Lisboa, revelando o domínio do pathos e do claro-escuro acima da convenção. Domingos Vieira, o Escuro, distinguiu-se como retratista de notável intensidade psicológica, fazendo emergir os rostos de fundos densamente escuros. Esta geração de transição rompeu com o maneirismo herdado do século XVI e abriu caminho à pintura de tela a óleo, então uma novidade técnica de inspiração italiana.
Numa corte sem grandes coleções régias, foram as ordens religiosas, as irmandades e as confrarias que sustentaram a procura de pintura, ditando temas sagrados e uma estética de comoção.
A segunda metade de Seiscentos: Bento Coelho e Josefa de Óbidos
Bento Coelho da Silveira (1617–1708), nomeado pintor régio de D. Pedro II em 1678, foi o artista mais requisitado da sua época. Pintor fa presto, de pincelada larga e produção vastíssima, povoou igrejas e conventos com cenas da vida de Cristo e da Virgem, hagiografias e retratos régios. A seu lado brilha Josefa de Óbidos, figura singular do período: nascida em Sevilha por volta de 1630 e estabelecida em Óbidos, assinou cerca de 150 obras, conjugando a temática religiosa com naturezas-mortas de doces, flores e cordeiros, género em que alcançou um lirismo inconfundível. A sua arte exemplifica o cruzamento entre a devoção e o gosto pelo pormenor sensorial que caracteriza o Barroco peninsular.
O século XVIII: do esplendor joanino ao limiar neoclássico
Com o reinado de D. João V, o ouro brasileiro financiou um Barroco monumental e cosmopolita. A pintura abandonou o tenebrismo, iluminou a paleta e adotou composições amplas e dinâmicas, em diálogo com a talha dourada e os tetos de perspetiva ilusionista que marcam o barroco joanino. A Academia de Portugal em Roma, fundada por D. João V, pôs os artistas em contacto direto com os mestres europeus: Inácio de Oliveira Bernardes integrou as vastas campanhas decorativas do Palácio de Mafra, parte integrante da arquitetura barroca em Portugal. Vieira Lusitano (1699–1783), pintor de câmara e gravador, encarnou a transição para o Rococó, ao passo que Domingos António de Sequeira (1768–1837), ao serviço do príncipe regente D. João, conduziu já a pintura nacional ao limiar do Neoclassicismo e do Romantismo.
Em comparação com a sóbria contenção da pintura renascentista portuguesa, o Barroco trouxe teatralidade, emoção e um sentido expansivo do espaço. Boa parte deste legado pode hoje ser apreciada no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, que reúne o mais importante acervo de pintura portuguesa dos séculos XVII e XVIII, bem como em inúmeras igrejas e conventos por todo o país, onde as telas permanecem nos retábulos para que foram concebidas.
Perguntas frequentes
- Quem foi Josefa de Óbidos?
- Josefa de Ayala Figueira (c. 1630–1684), nascida em Sevilha e radicada em Óbidos desde a infância, foi uma das pintoras mais prolíficas do Barroco português, com cerca de 150 obras atribuídas, entre temas sacros e naturezas-mortas.
- Quais são os principais pintores do Barroco em Portugal?
- Entre os nomes maiores contam-se André Reinoso e Domingos Vieira, o Escuro, no início do século XVII; Bento Coelho da Silveira e Josefa de Óbidos na segunda metade do século; e Vieira Lusitano, Inácio de Oliveira Bernardes e Domingos Sequeira no século XVIII.
- O que distingue a pintura barroca da renascentista em Portugal?
- Face ao equilíbrio e à clareza renascentistas, o Barroco privilegia o contraste dramático de luz e sombra, o movimento, a expressão emotiva e o cunho persuasivo da arte ao serviço da Contrarreforma.