Períodos & Estilos
Barroco Joanino
O Barroco Joanino, a arte áulica e teatral do reinado de D. João V em Portugal, com Mafra, Nasoni e a opulenta talha dourada financiada pelo ouro do Brasil.
O Barroco Joanino designa o conjunto de correntes artísticas que coexistiram em Portugal durante o longo reinado de D. João V (1706–1750). Não se trata de um estilo unitário, mas de uma fase: aquela em que o barroco português abandonou a sobriedade do chamado “estilo nacional” para abraçar um vocabulário áulico, teatral e profundamente cosmopolita, modelado pelo gosto do próprio monarca e pela admiração que nutria por Roma.
O ouro do Brasil e o mecenato régio
A condição material que tornou possível este florescimento foi o ciclo do ouro e dos diamantes do Brasil, que encheu o erário régio nas primeiras décadas do século XVIII. Liberto de pressões financeiras imediatas, D. João V converteu a riqueza colonial em magnificência: encomendou obras monumentais, importou artistas estrangeiros, mandou executar a Capela de São João Baptista em Roma para depois a fazer transportar e remontar em Lisboa, e fez do esplendor uma estratégia de afirmação diplomática. O resultado foi um barroco menos contido e mais romano do que tudo o que o antecedera em Portugal.
O Barroco Joanino não nasceu de uma reforma de gosto, mas de uma circunstância: pela primeira vez, a coroa portuguesa teve meios para igualar, em pedra e ouro, a ambição cénica das grandes cortes católicas europeias.
Norte e Sul: dois polos, várias mãos
O período distingue-se pela diversidade de origens dos seus protagonistas, que imprimiram à mesma época sotaques regionais nítidos. No Norte, o italiano Nicolau Nasoni introduziu uma linguagem cenográfica, plástica e cheia de movimento, de que a Igreja e Torre dos Clérigos, no Porto, é o testemunho maior; a sua influência prolongou-se em Braga, sobretudo através de André Soares. No Sul, o alemão João Frederico Ludovice trouxe a monumentalidade e o rigor do barroco da Europa central, materializados no Convento de Mafra, inspirado no modelo do Escorial e na arquitetura romana.
A par destas duas grandes empresas, o reinado deixou outras realizações de referência, como o Aqueduto das Águas Livres, obra de engenharia e cenografia urbana que abasteceu Lisboa, e residências nobres como o solar barroco de Vila Real.
A talha dourada como assinatura do período
Se a arquitetura joanina foi obra de poucos e de grandes orçamentos, a sua expressão mais difundida e popular foi a talha dourada. É no interior das igrejas que o estilo se revela em toda a plenitude: retábulos que cobrem paredes inteiras de madeira esculpida e revestida a ouro, povoados de colunas torsas, querubins, aves, atlantes e festões. Em relação ao período anterior, o acanto recua e dão-se lugar a cartelas, arabescos, volutas e enrolamentos vegetalistas, frequentemente conjugados com azulejo, pintura e escultura num programa decorativo total.
Esta talha “joanina” tornou-se a face mais reconhecível do barroco português e o ponto de partida para a evolução posterior do gosto, que desembocaria, a partir de meados do século, na leveza assimétrica do rococó. O Barroco Joanino fixou, assim, a imagem mental que ainda hoje associamos ao barroco em Portugal: a do interior dourado, denso e luminoso, onde a fé, o poder régio e a riqueza ultramarina se encontram num mesmo cenário.
Perguntas frequentes
- O que é o Barroco Joanino?
- É a designação dada às correntes artísticas que floresceram em Portugal durante o reinado de D. João V (1706–1750), marcadas por um barroco áulico, teatral e cosmopolita, sustentado pela riqueza do ouro do Brasil.
- Porque se chama 'joanino'?
- O nome deriva de D. João V, monarca cujo mecenato e gosto pela magnificência romana definiram o estilo. 'Joanino' significa, literalmente, relativo a João.
- Qual é a obra mais emblemática do Barroco Joanino?
- O Palácio e Convento de Mafra, projetado por João Frederico Ludovice, é a maior e mais sumptuosa realização do período, embora a talha dourada das igrejas seja a sua expressão mais difundida.