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Sé de Lamego

Sé de Lamego, catedral de origem românica em Lamego (Viseu), com torre primitiva, claustro renascentista e tetos pintados por Nicolau Nasoni.

Sé de Lamego
Turismoenportugal, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

A Sé de Lamego, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, ergue-se no coração da cidade de Lamego, no distrito de Viseu, e constitui a sede da diocese homónima. É um dos exemplos mais eloquentes da estratificação arquitetónica das catedrais portuguesas: sob uma aparência predominantemente gótica e barroca conserva o núcleo românico que lhe deu origem, num conjunto onde quase sete séculos de campanhas construtivas se sobrepõem sem se anularem. Está classificada como Monumento Nacional desde 1910.

Da fundação românica ao templo gótico

Após a restauração da diocese de Lamego no século XII, iniciou-se a construção de um templo de maior dimensão no Rossio, na parte baixa da futura cidade. As obras terão começado por volta de 1159, a igreja foi consagrada a Santa Maria e a São Sebastião em 1175 e a sua provável conclusão data de cerca de 1191. Da fábrica românica primitiva resta sobretudo a torre de planta quadrada, situada à esquerda da fachada, marcada por uma fenestração escassa e reduzida — testemunho sóbrio da arquitetura românica que se difundiu pelo vale do Douro e que pode ser comparada com outros templos da arquitetura românica em Portugal.

Nos séculos seguintes o edifício foi profundamente transformado. O corpo da igreja foi reconstruído em estilo gótico, conferindo à catedral a verticalidade e o ritmo de arcadas que ainda hoje a definem. As sucessivas remodelações estenderam-se até ao século XVIII, fazendo da Sé um palimpsesto onde cada época deixou a sua marca.

O claustro renascentista

O claustro de Lamego é um dos momentos mais felizes da transição entre o gótico e o Renascimento no Norte de Portugal.

Empreendimento do século XVI, o claustro foi concluído em 1557 e organiza-se em dois registos: o inferior formado por arcos de volta perfeita bem proporcionados, e o superior constituído por uma galeria de colunas simples que sustentam uma arcada. Apresenta quatro panos de arcos do período de transição do gótico para o Renascimento, refletindo o gosto erudito que então se afirmava na arquitetura religiosa portuguesa, em diálogo com o que se construía na vizinha Sé de Viseu.

Nasoni e o esplendor barroco

A grande campanha decorativa da catedral pertence ao século XVIII. Entre 1737 e 1738, o arquiteto e pintor italiano Nicolau Nasoni — figura central do barroco do Norte de Portugal — pintou os tetos da nave com composições em perspetiva ilusionista que enquadram, em molduras arquitetónicas fingidas, episódios do Antigo Testamento. Estas pinturas, de teatralidade triunfante, fazem da Sé de Lamego um dos pontos altos da pintura de tetos no país.

A catedral integra-se num percurso patrimonial mais vasto que faz de Lamego um destino de peregrinação e de visita: a poucos passos, a cidade culmina no monumental Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, cujo escadório barroco dialoga com o gosto que Nasoni ajudou a difundir. Para conhecer o enquadramento urbano e histórico do monumento, vale a pena explorar a página dedicada a Lamego e o conjunto das Sés e catedrais portuguesas.

A Sé de Lamego oferece assim, num só edifício, uma síntese da história da arquitetura religiosa em Portugal — do românico discreto da torre primitiva à exuberância dos tetos setecentistas —, permanecendo um testemunho vivo da centralidade que a diocese de Lamego manteve ao longo dos séculos.

Perguntas frequentes

Quando foi construída a Sé de Lamego?
A catedral medieval começou a erguer-se por volta de 1159, após a restauração da diocese, foi consagrada em 1175 e concluída cerca de 1191. Sofreu sucessivas remodelações até ao século XVIII.
Quem pintou os tetos da Sé de Lamego?
Os tetos foram pintados entre 1737 e 1738 pelo arquiteto e pintor italiano Nicolau Nasoni, com composições em perspetiva de gosto barroco que enquadram episódios bíblicos.
O que resta da construção românica original?
Sobrevive sobretudo a torre quadrada do lado esquerdo da fachada, com fenestração escassa, vestígio do templo primitivo do século XII.

Fontes

  1. Sé de Lamego — Wikipédia
  2. Catedral de Lamego — SIPA / Património Cultural