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Lamego
Lamego, cidade histórica do distrito de Viseu, no Douro: antigo bispado, Sé medieval, castelo e o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.
Encavalitada nas encostas que descem para o vale do Douro, Lamego é uma das cidades mais antigas do Norte de Portugal. Sede de município no distrito de Viseu, integrada na sub-região do Douro, conserva uma densidade monumental rara para a sua dimensão, fruto de séculos como cabeça de um dos mais veneráveis bispados peninsulares. A sua história mistura raízes romanas, presença sueva e muçulmana, e uma reconquista cristã consolidada em 1057 por Fernando Magno de Leão — quase um século antes da fundação do reino.
Uma cidade anterior a Portugal
A origem de Lamego perde-se na Antiguidade: terá sido centro da civitas dos Coelerni e, mais tarde, povoação fortificada disputada entre cristãos e muçulmanos ao longo dos séculos X e XI. Esta antiguidade alimentou um dos episódios mais famosos — e mais controversos — da memória nacional: as lendárias Cortes de Lamego, em que D. Afonso Henriques teria sido aclamado rei e se teriam fixado as regras de sucessão ao trono.
O documento que descreve as Cortes de Lamego, divulgado no século XVII por Frei António Brandão, é hoje reconhecido como apócrifo: uma falsificação patriótica destinada a sustentar a independência face a Castela. A lenda diz mais sobre a construção da identidade portuguesa do que sobre o século XII.
A condição de antiga diocese — e o facto curioso de ser a única sede episcopal portuguesa que não corresponde a uma capital de distrito — explica boa parte do património religioso que ainda hoje define a cidade.
A Sé, o castelo e o museu
No coração do centro histórico ergue-se a Sé Catedral de Lamego, cuja torre românica precede a nacionalidade e a que se foram somando intervenções góticas, manuelinas e, sobretudo, uma profunda renovação barroca nos séculos XVII e XVIII. Acima do casario medieval sobrevive o Castelo de Lamego, classificado como Monumento Nacional desde 1951, com a sua torre de menagem, a cisterna abobadada e troços de muralha que dominam o vale.
A poucos passos da catedral, o antigo Paço Episcopal — reconstruído em finais do século XVIII — alberga o Museu de Lamego, fundado em 1917. É um dos museus regionais mais ricos do país: reúne pintura quinhentista do círculo de Vasco Fernandes (Grão Vasco), tapeçarias flamengas de Bruxelas, talha dourada, azulejaria e arqueologia, oferecendo uma síntese das artes que floresceram na região do Douro e na vizinha Viseu.
O Santuário e a romaria
O ex-líbris de Lamego é o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, implantado no alto do Monte de Santo Estêvão. A ele conduz uma monumental escadaria barroca de cerca de seiscentos degraus, ornamentada com patamares, fontes, estátuas e painéis de azulejo azul e branco — um dos mais espetaculares conjuntos de via-sacra cenográfica do barroco português, frequentemente comparado ao Bom Jesus do Monte de Braga.
Todos os anos, no início de setembro, a cidade enche-se para a festa da padroeira, com procissões, arraiais e o cortejo dos triunfos, momento em que devoção popular e tradição se cruzam nas ruas da velha urbe duriense.
Cidade de pedra, vinho e fé, Lamego combina a escala íntima de um centro histórico bem preservado com a ambição monumental de quem foi, durante séculos, capital espiritual de um vasto território entre o Douro e a Beira.
Perguntas frequentes
- Em que distrito fica Lamego?
- Lamego pertence ao distrito de Viseu, na região Norte e na sub-região do Douro, sendo a única sede de diocese portuguesa que não coincide com uma capital de distrito.
- As Cortes de Lamego existiram mesmo?
- Não há prova de que tenham existido. As supostas Cortes de Lamego, que teriam aclamado D. Afonso Henriques, assentam num documento seiscentista hoje considerado apócrifo, criado para legitimar a independência de Portugal.
- Quais são os principais monumentos de Lamego?
- Destacam-se a Sé Catedral, o Castelo medieval, o Museu de Lamego e, sobretudo, o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, com a sua célebre escadaria barroca.