Arqueologia

Templo romano de Évora

O templo romano de Évora, vulgo Templo de Diana, é o monumento romano mais bem conservado de Portugal, no centro histórico classificado pela UNESCO.

Templo romano de Évora
Ingo Mehling, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

No coração do centro histórico de Évora, sobre o ponto mais alto da cidade, erguem-se as catorze colunas coríntias do templo romano — o monumento da época romana mais bem conservado em território português e uma das imagens mais reconhecíveis do Portugal romano. Apesar de a tradição popular o conhecer como «Templo de Diana», nenhuma evidência arqueológica sustenta essa atribuição.

Origem e arquitetura

O templo foi edificado no século I d.C., no período em que Ebora Liberalitas Iulia se consolidava como uma das cidades de maior estatuto da província da Lusitânia. Implantado no fórum, terá estado associado ao culto imperial, prática comum nas urbes romanas que prestava homenagem ao imperador e à casa imperial — daí a hipótese, hoje dominante, de uma dedicação a Augusto.

Trata-se de um templo de planta retangular, hexástilo (seis colunas na fachada) e perístilo, assente sobre um alto pódio de cerca de 25 por 15 metros. As colunas, de ordem coríntia, apresentam fustes canelados em granito local, enquanto os capitéis e as bases foram trabalhados em mármore branco da região de Estremoz — uma combinação de materiais que revela tanto a engenharia romana como o aproveitamento dos recursos do Alentejo.

A sobrevivência do templo deve-se menos à veneração que à reutilização: foi precisamente quando deixou de ser um templo que as suas colunas ficaram protegidas.

Mil anos de transformações

Abandonado por volta do século IV e parcialmente arruinado nas centúrias seguintes, o edifício conheceu uma longa série de reaproveitamentos. Durante a presença islâmica integrou as defesas da alcáçova; após a reconquista cristã foi absorvido pelo casario medieval e, entre o século XIV e 1836, serviu de açougue municipal. As suas colunas chegaram a estar embutidas em paredes de alvenaria, o que explica o notável estado de conservação dos elementos que ainda hoje vemos.

A redescoberta do templo como monumento clássico ocorreu no século XIX. A partir de 1871, sob a direção do arquiteto italiano Giuseppe Cinatti, foram demolidas as estruturas medievais que o envolviam, expondo o pódio e a colunata. Em 1910 foi classificado como Monumento Nacional. Já no século XX, as campanhas arqueológicas dirigidas por Theodor Hauschild esclareceram a planta original e desmontaram definitivamente o mito de Diana, situando-o no contexto do fórum imperial.

Significado e contexto

O templo é o testemunho mais eloquente da romanização do Alentejo e dialoga com outros vestígios da mesma época espalhados pelo país, como as ruínas romanas de Conímbriga, o maior sítio escavado de Portugal. Para compreender o lugar deste monumento no quadro mais amplo da ocupação romana, vale a pena percorrer a temática da arqueologia romana em Portugal.

Hoje o templo não se entende isoladamente, mas como peça de um conjunto urbano excecional: integra o centro histórico de Évora, classificado pela UNESCO como Património Mundial em 1986, juntamente com a vizinha Sé Catedral de Évora, o paço episcopal e o casario que cresceu sobre a antiga malha romana. Esta continuidade de usos ao longo de dois milénios faz do templo, mais do que uma ruína, um documento vivo da história de Évora.

Perguntas frequentes

O templo romano de Évora foi mesmo dedicado à deusa Diana?
Não. A designação «Templo de Diana» resulta de uma lenda criada no século XVII pelo padre Manuel Fialho. A investigação arqueológica associa o monumento ao culto imperial, provavelmente em honra de Augusto.
Porque é que o templo se conservou tão bem?
Por ter sido integrado nas muralhas medievais e usado como fortaleza, e depois como açougue (talho) municipal entre o século XIV e 1836. Esse uso encerrou as colunas em paredes que, paradoxalmente, as protegeram.
Quantas colunas restam de pé?
Subsistem catorze colunas coríntias sobre o pódio, com fustes em granito e capitéis e bases em mármore de Estremoz.

Fontes

  1. Templo romano de Évora — Wikipédia
  2. Centro Histórico de Évora — UNESCO World Heritage Centre
  3. Templo Romano de Évora — VisitPortugal