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Vila Real
Vila Real, capital de Trás-os-Montes e Alto Douro, reúne o Palácio de Mateus, a Sé gótica e o santuário romano de Panóias junto ao Corgo.
Capital de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real ergue-se num planalto a cerca de 450 metros de altitude, encaixada entre as serras do Alvão e do Marão e debruçada sobre o vale do rio Corgo, afluente do Douro, na confluência com o Cabril. Esta posição de fronteira — entre o frio das terras altas transmontanas e o calor do vale duriense — moldou a sua história, a sua arquitetura e o seu papel como porta de entrada da região vinhateira.
Da fundação medieval à corte de Trás-os-Montes
O povoamento da zona é antigo: a designação de Panóias, que durante séculos acompanhou o nome da vila, remete para um território romano cujo testemunho maior é o santuário rupestre dedicado a Serápis e a divindades infernais, mandado talhar na rocha pelo senador Caio Calpúrnio Rufino na transição do século II para o III. A fundação da povoação moderna deve-se, porém, a D. Dinis, que lhe concedeu foral a 4 de janeiro de 1289, sob o nome de Vila Real de Panóias.
A partir do século XVII, Vila Real ganhou o epíteto de “corte de Trás-os-Montes”. A atração exercida sobre a nobreza foi tal que a vila chegou a albergar mais membros de casas aristocráticas do que qualquer outra localidade do reino fora de Lisboa. Os brasões esculpidos nas fachadas do centro histórico, junto à Avenida Carvalho Araújo, são ainda hoje a memória pétrea dessa concentração de solares e morgadios.
Poucas cidades portuguesas exibem, num espaço tão contido, tantas pedras de armas: o casario nobre de Vila Real é um arquivo heráldico ao ar livre.
Património monumental
O ex-líbris da cidade encontra-se a poucos quilómetros, na freguesia de Mateus: o Palácio de Mateus, considerado um dos exemplos mais expressivos do barroco do Norte de Portugal e classificado como monumento nacional em 1910. A sua fachada de granito, refletida no espelho de água, tornou-se uma das imagens mais reproduzidas da arquitetura civil setecentista portuguesa.
No núcleo urbano destaca-se a Sé de Vila Real, antiga igreja do convento de São Domingos, erguida pelos frades dominicanos a partir do início do século XV e elevada a catedral em 1924, quando se criou a diocese. É um dos melhores exemplares de gótico tardio da região, com persistências românicas. A escassa distância, a Capela Nova — também conhecida por igreja dos Clérigos ou de São Paulo — guarda uma fachada barroca atribuída a Nicolau Nasoni, o mesmo arquiteto ligado a Mateus.
Terra, ofício e vinho
A identidade de Vila Real prolonga-se nos saberes do território. A tradição oleira de Bisalhães, lugar do concelho, deu origem à loiça preta de Bisalhães, cozida em covas e enegrecida pelo fumo, reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade. A poucos quilómetros, as encostas escalonadas inscrevem-se já na paisagem do Alto Douro Vinhateiro, classificada pela UNESCO, fazendo da cidade um ponto de articulação natural entre o planalto transmontano e a região demarcada mais antiga do mundo.
Sede da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e ponto de passagem das principais ligações entre o litoral e o interior nortenho, Vila Real combina hoje a vitalidade de cidade universitária com o peso de um passado nobre, integrando-se no vasto património da região Norte.
Perguntas frequentes
- Onde fica Vila Real?
- Vila Real situa-se no Norte de Portugal, é capital do distrito homónimo e da histórica província de Trás-os-Montes e Alto Douro, num planalto a cerca de 450 metros de altitude, sobre o rio Corgo.
- Quando foi fundada Vila Real?
- Recebeu foral de D. Dinis a 4 de janeiro de 1289, com o nome de Vila Real de Panóias. Foi elevada a sede de distrito em 1835 e a cidade em 1925.
- Qual é o principal monumento de Vila Real?
- O Palácio de Mateus, obra barroca de meados do século XVIII associada a Nicolau Nasoni, é o monumento mais célebre, mas a cidade tem ainda a Sé (antiga igreja de São Domingos) e o santuário rupestre romano de Panóias.