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Alter do Chão
Alter do Chão, vila do Alto Alentejo no distrito de Portalegre, com castelo medieval e a Coudelaria de Alter, a mais antiga coudelaria do país.
Encravada na planície do Alto Alentejo, no distrito de Portalegre, a vila de Alter do Chão guarda uma identidade dupla: a de uma povoação medieval coroada por um castelo gótico e a de berço do mais célebre cavalo de sela português. Sede de um concelho que reúne as freguesias de Alter do Chão, Chancelaria, Cunheira e Seda, é hoje uma das referências do património equestre europeu.
Das raízes antigas ao foral medieval
O topónimo deriva de Abelterium, designação de uma povoação de raiz pré-romana que prosperou ao longo de uma das estradas que ligavam Olisipo (Lisboa) a Emerita Augusta (Mérida). Da forma latina, passando por Abelterii, evoluiu até ao atual Alter, distinguindo-se “do Chão” do vizinho Alter Pedroso, assente em terreno mais elevado.
A consolidação medieval do lugar fez-se no século XIII, com a outorga de foral em 1232, ainda no reinado de D. Sancho II. A carta foi depois confirmada e ampliada por D. Dinis, em 1293, e por D. Manuel I, no foral novo de 1512, num percurso típico das vilas alentejanas que cresceram sob o impulso régio e das ordens militares na faixa de fronteira com Castela.
O castelo de D. Pedro I
O coração histórico da vila é dominado pelo castelo, mandado reedificar por D. Pedro I. Uma inscrição epigráfica sobre a porta principal regista a data da obra — 22 de setembro de 1357 —, fazendo dele um dos exemplares mais bem documentados da arquitetura militar gótica em Portugal. De planta quadrangular e muros erguidos em xisto e granito, articula-se em torno de uma torre de menagem que pontua a paisagem da vila. Em conjunto com o próximo castelo de Marvão, integrou a linha defensiva que guarnecia esta zona do Alentejo. Foi classificado como Monumento Nacional por decreto de 1910.
A inscrição da porta, ao nomear o “mui nobre rei Dom Pedro” e a data exata da edificação, é rara entre os castelos portugueses, onde poucas vezes a cronologia das obras chegou até nós de forma tão precisa.
A Coudelaria de Alter e o cavalo Alter Real
A maior glória da vila nasceu já em pleno século XVIII. Em 1748, por iniciativa de D. João V, foi criada na Coutada do Arneiro a Coudelaria de Alter, destinada a fornecer à Picaria Real cavalos de sela de Alta Escola produzidos em território nacional. Aproveitando as pastagens e as condições agrológicas singulares do Norte Alentejano, a coudelaria fixou e apurou a linhagem Alter Real, ramo do Puro-Sangue Lusitano que se tornou símbolo da arte equestre portuguesa.
A instituição atravessou os séculos com notável continuidade: é a mais antiga e notável coudelaria do país e, a nível mundial, a que há mais tempo funciona ininterruptamente no local de origem. Os seus cavalos alimentam ainda hoje a Escola Portuguesa de Arte Equestre, garantindo que a vila permaneça associada a uma tradição viva e não a uma memória de museu.
Para lá do castelo e da coudelaria, Alter do Chão insere-se num território de forte densidade patrimonial, próximo de povoações de tradição templária e hospitalária como o Crato e de outras vilas alentejanas como Avis, todas elas peças do mosaico que compõe o património do Alentejo.
Perguntas frequentes
- Onde fica Alter do Chão?
- Alter do Chão é uma vila do Alto Alentejo, no distrito de Portalegre, situada entre os concelhos do Crato, Monforte, Fronteira, Avis e Ponte de Sor.
- O que é a Coudelaria de Alter?
- É a coudelaria fundada em 1748 por D. João V para a criação do cavalo Puro-Sangue Lusitano, em especial da linhagem Alter Real. É a mais antiga coudelaria portuguesa e a que há mais tempo funciona, ininterruptamente, no seu local de origem.
- Quando foi construído o castelo de Alter do Chão?
- O castelo foi mandado reconstruir por D. Pedro I, com uma inscrição que data a obra de 22 de setembro de 1357. Está classificado como Monumento Nacional desde 1910.