Monumentos

Basílica da Estrela (Lisboa)

Basílica da Estrela, em Lisboa: igreja tardo-barroca e neoclássica erguida por voto de D. Maria I, com cúpula monumental e túmulo da rainha.

Basílica da Estrela (Lisboa)
Pedro Ribeiro Simões from Lisboa, Portugal, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons

A Basílica da Estrela, oficialmente Real Basílica e Mosteiro do Santíssimo Coração de Jesus, ergue-se no alto da colina da Estrela, em Lisboa, dominando a cidade com a sua cúpula branca de pedra de lioz. Construída entre 1779 e 1790, é um dos mais expressivos monumentos religiosos da segunda metade do século XVIII português e a primeira igreja do mundo consagrada ao culto do Sagrado Coração de Jesus.

Um templo nascido de um voto

A origem da basílica está ligada a uma promessa régia. D. Maria I, primogénita de D. José I, fez voto de mandar erguer um templo ao Sagrado Coração de Jesus se Deus lhe concedesse um filho varão capaz de assegurar a sucessão. Com o nascimento do príncipe José, herdeiro do trono, a rainha cumpriu a palavra dada: a primeira pedra foi lançada em 1779, em terrenos próximos do antigo Convento das Carmelitas Descalças que a própria família real protegia.

O destino, contudo, foi adverso. O príncipe José morreu de varíola em 1788, ainda antes da conclusão das obras, e a própria rainha viria a perder a razão pouco depois. A basílica, concebida como monumento de ação de graças, acabou por se tornar também um lugar de memória dinástica. Em 1816 D. Maria I morreu no exílio no Rio de Janeiro, para onde a corte fugira das Invasões Francesas; os seus restos mortais foram trasladados para a Estrela em 1821, onde repousam num sumptuoso túmulo de mármore no transepto.

Entre o barroco e o neoclássico

A conceção do edifício pertence a Mateus Vicente de Oliveira, arquiteto formado na grande obra do Palácio Nacional de Mafra, de cuja escola herdou o gosto pela monumentalidade e pelo emprego sóbrio da pedra. À sua morte, em meados da década de 1780, a empreitada passou para Reinaldo Manuel dos Santos, igualmente ligado a Mafra, que alterou de forma significativa a parte superior do projeto — a fachada, as torres sineiras e, sobretudo, a cúpula, à qual acrescentou um lanternim.

A Basílica da Estrela é, em pedra, o momento de transição em que o gosto rocaille português cede lugar à contenção classicizante — o último grande templo do barroco tardio e o primeiro a respirar o ar do neoclassicismo.

A fachada, de dois pisos, organiza-se em sete panos ritmados por colunas e pilastras dóricas, frontões e estátuas alegóricas. O interior, generosamente revestido a mármores acinzentados, rosados e amarelos dispostos em padrões geométricos, transmite uma riqueza fria e ordenada, distante da exuberância dourada do barroco joanino que marcara as décadas anteriores. A grande cúpula, sobre o cruzeiro, é o elemento que confere ao conjunto a sua silhueta inconfundível no skyline lisboeta.

Um marco no património religioso da capital

Pela ambição da sua escala e pela qualidade da cantaria, a Basílica da Estrela inscreve-se na linhagem dos grandes empreendimentos régios do Antigo Regime, ao lado de monumentos como o Panteão Nacional, na antiga Igreja de Santa Engrácia, com o qual partilha a aspiração à monumentalidade abobadada. Foi classificada como Monumento Nacional em 1907, reconhecimento do seu valor arquitetónico e do seu lugar singular na história da arte portuguesa.

Para quem percorre as colinas da margem direita do Tejo, a basílica oferece ainda uma das mais amplas panorâmicas sobre a cidade — do adro e, sobretudo, do terraço da cúpula, acessível aos visitantes. No conjunto do património eclesiástico lisboeta, situa-se a meio caminho entre a austeridade românica da Sé de Lisboa e o ecletismo dos séculos seguintes, encerrando o ciclo dos grandes templos do absolutismo mariano.

Perguntas frequentes

Porque foi construída a Basílica da Estrela?
A basílica nasceu de um voto de D. Maria I, que prometeu erguer um templo ao Sagrado Coração de Jesus caso lhe nascesse um filho varão. Com o nascimento do príncipe José, herdeiro do trono, em 1761, a rainha cumpriu a promessa: a primeira pedra foi lançada em 1779.
Quem está sepultado na Basílica da Estrela?
A própria rainha D. Maria I está sepultada na basílica, num túmulo de mármore no transepto. A rainha morreu no exílio no Rio de Janeiro em 1816, e os seus restos mortais foram trasladados para a Estrela em 1821.
Quem foram os arquitetos da Basílica da Estrela?
O projeto inicial deve-se a Mateus Vicente de Oliveira, formado na obra de Mafra. Após a sua morte, em meados da década de 1780, a empreitada foi concluída por Reinaldo Manuel dos Santos, que alterou a fachada, as torres e a cúpula.

Fontes

  1. Basílica da Estrela — Wikipédia
  2. Estrela Basilica — Wikipedia
  3. Basílica da Estrela — Infopédia