Monumentos
Palácio Nacional de Mafra
O Palácio Nacional de Mafra, colossal conjunto barroco joanino mandado erguer por D. João V, com basílica, convento e biblioteca, em Mafra.
O Palácio Nacional de Mafra é o mais monumental conjunto arquitetónico do barroco português, erguido na vila de Mafra, no distrito de Lisboa, cerca de 28 quilómetros a noroeste da capital. Reunindo num único edifício palácio real, basílica, convento, biblioteca, Jardim do Cerco e a vasta Tapada de caça, materializa de forma sem paralelo a ideia de monarquia e de Estado que D. João V quis legar à posteridade. A sua escala é vertiginosa: cerca de 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e átrios.
Origem e construção
A edificação resultou de um voto: D. João V, na expetativa de descendência, prometeu erguer um convento franciscano caso lhe nascesse um herdeiro. As obras arrancaram em 1717, sob a direção do arquiteto João Frederico Ludovice (Johann Friedrich Ludwig), formado na tradição do barroco romano. Financiada pelo ouro do Brasil, a empreitada mobilizou dezenas de milhares de trabalhadores e fez de Mafra um imenso estaleiro régio. A basílica foi solenemente sagrada em 1730 e o conjunto encontrava-se largamente concluído à data da morte do monarca, em 1750.
Mafra é menos um palácio com igreja do que um manifesto em pedra: nele, D. João V condensou ouro, fé e poder absoluto numa única e calculada afirmação dinástica.
A obra ficou imortalizada na literatura através de Memorial do Convento, de José Saramago, que entrelaçou o esforço colossal da construção com a história de Baltasar e Blimunda. O monumento integra hoje o Real Edifício de Mafra, inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 2019, e está classificado como Monumento Nacional desde 1910.
A basílica e a biblioteca
No centro da fachada principal, ladeada por dois campanários, ergue-se a basílica, concebida à maneira das igrejas romanas, revestida de mármores nacionais e povoada por 58 estátuas de Carrara. É notável o seu conjunto de seis órgãos históricos, projetados para soarem em conjunto, e os dois carrilhões que totalizam 92 sinos — dos maiores do século XVIII existentes no mundo.
No piso nobre, a biblioteca desenrola-se num salão em forma de cruz com cerca de 88 metros de comprimento, guardando aproximadamente 36 000 volumes encadernados a couro, segundo uma hierarquia que vai dos textos sagrados às obras profanas. É uma das mais belas bibliotecas conventuais europeias e ainda abriga uma colónia de morcegos que protege os livros de insetos.
Significado e enquadramento
Mafra não é apenas palácio nem apenas convento: é a síntese de ambos, refletindo a dupla vocação régia e religiosa do projeto joanino. A oficina de escultura ali instalada — a Escola de Escultura de Mafra — formaria uma geração de artistas decisiva para o barroco português. Enquanto residência régia, dialoga com outros paços reais da região de Lisboa, como o Palácio Nacional de Queluz, de feição mais rococó, e o inacabado Palácio Nacional da Ajuda. No conjunto dos paços reais portugueses, Mafra destaca-se pela monumentalidade e pela ambição totalizante.
Hoje o edifício acolhe um museu, mantém funções de paróquia na basílica e parte das suas dependências está afeta ao Exército, prolongando, em pleno século XXI, a vida de um dos mais extraordinários monumentos do barroco europeu.
Perguntas frequentes
- Quem mandou construir o Palácio Nacional de Mafra?
- Foi D. João V, em cumprimento de um voto, que ordenou a sua edificação a partir de 1717, tendo como arquiteto o alemão João Frederico Ludovice.
- O Palácio de Mafra é Património Mundial da UNESCO?
- Sim. O Real Edifício de Mafra — palácio, basílica, convento, Jardim do Cerco e Tapada — foi inscrito na Lista do Património Mundial em 2019.
- O que torna a basílica de Mafra singular?
- Possui seis órgãos históricos concebidos para tocar em conjunto e dois carrilhões com 92 sinos, dos maiores do século XVIII existentes no mundo.