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Caldas da Rainha

Caldas da Rainha, cidade termal do distrito de Leiria fundada por D. Leonor, com o Hospital Termal, o Parque D. Carlos I e a célebre cerâmica caldense.

Caldas da Rainha
Threeohsix, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

As Caldas da Rainha são uma das mais singulares cidades portuguesas: nasceram não de um castelo nem de um porto, mas de uma nascente de águas sulfurosas e da vontade de uma rainha. Situadas no coração da região do Oeste, no distrito de Leiria, devem a sua origem e o seu nome à rainha D. Leonor (1458-1525), mulher de D. João II, cuja intervenção transformou um lugar de banhos rudimentares num dos primeiros estabelecimentos termais organizados da Europa.

Da nascente ao hospital da rainha

Conta a tradição que, por volta de 1484, D. Leonor, ao passar de Óbidos em direção a Batalha, terá reparado em pessoas que se banhavam em águas quentes de forte odor, à beira do caminho, atribuindo-lhes virtudes curativas. Sensibilizada, a rainha mandou erguer ali um hospital destinado a regular e a dignificar o uso terapêutico daquelas águas. O Hospital Termal Rainha D. Leonor, fundado em 1485, é tido como o mais antigo hospital termal do mundo ainda em funcionamento.

Caldas da Rainha é uma cidade que se construiu de dentro para fora: primeiro o hospital, depois a igreja, e só por fim a povoação que cresceu à sombra de ambos.

O conjunto hospitalar preserva camadas de várias épocas — do gótico tardio ao neoclássico —, reflexo das sucessivas obras de ampliação ao longo de mais de cinco séculos. A ele associa-se a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, capela inicial do hospital, atribuída ao mestre Mateus Fernandes, um dos responsáveis pelas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, e considerada um dos primeiros edifícios a acolher elementos do estilo manuelino.

A cidade termal e o seu parque

A vocação termal moldou todo o desenho urbano. Em torno do hospital desenvolveu-se uma localidade que viria a ser elevada a vila e, mais tarde, a cidade. No século XIX, o crescimento ganhou novo fôlego com a criação do Parque D. Carlos I, vasto jardim romântico com lago, mata e equipamentos de lazer, que continua a ser o pulmão verde da urbe. No seu interior instalou-se o Museu José Malhoa, dedicado ao pintor naturalista e à arte portuguesa de finais de oitocentos.

A vida quotidiana da cidade gira ainda hoje em torno da Praça da República, palco do mercado de frutas e hortaliças que se realiza diariamente ao ar livre, num ritmo praticamente inalterado desde o século XIX — um dos traços mais autênticos da identidade caldense.

A louça das Caldas

Nenhum elemento define tanto as Caldas da Rainha como a sua tradição oleira. A abundância de boas argilas favoreceu, desde cedo, uma produção de cerâmica que se tornaria célebre em todo o país. O ponto de viragem deu-se em 1884, quando Rafael Bordalo Pinheiro fundou na cidade a sua fábrica, imprimindo à cerâmica das Caldas da Rainha uma marca naturalista, exuberante e profundamente irónica. Couves, folhas, animais e figuras populares — entre as quais o inesquecível Zé Povinho — saíram das suas oficinas e fixaram-se no imaginário nacional.

Pela sua história, pelo seu património termal e pela sua arte, as Caldas da Rainha afirmam-se como uma referência incontornável do Oeste, a par de centros vizinhos como Leiria. É uma cidade onde o gesto fundador de uma rainha medieval ainda se sente, traduzido em pedra, em água e em barro.

Perguntas frequentes

Quem fundou as Caldas da Rainha?
A cidade nasceu da iniciativa da rainha D. Leonor, mulher de D. João II, que mandou erguer junto às águas sulfurosas um hospital termal, fundado em 1485 e ainda hoje em funcionamento.
Em que distrito ficam as Caldas da Rainha?
As Caldas da Rainha integram o distrito de Leiria, na região do Oeste, a cerca de 90 km a norte de Lisboa.
Por que é famosa a cerâmica das Caldas da Rainha?
A louça caldense ganhou fama nacional sobretudo com Rafael Bordalo Pinheiro, que aí fundou em 1884 a sua fábrica e criou peças naturalistas e satíricas, como o Zé Povinho.

Fontes

  1. Caldas da Rainha — Wikipédia
  2. Hospital Termal Rainha D. Leonor — Wikipédia
  3. Igreja de Nossa Senhora do Pópulo — SIPA/DGPC