Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Casas e paços classificados de Évora

Três Monumentos Nacionais de Évora: o Palácio dos antigos Condes de Basto (Paço de São Miguel), a Casa da Sempre Noiva e os restos dos Paços de Évora.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada caiada do antigo Palácio dos Condes de Basto, em Évora, com três janelas geminadas de arcos recortados, e à direita uma ala de cantaria com galeria de arcos
Vanbasten 23, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Évora, Évora

Além da Casa de Garcia de Resende, o concelho de Évora tem mais três imóveis domésticos classificados como Monumento Nacional: um palácio no centro da cidade, uma casa solarenga no campo e os vestígios de um paço real. A ficha oficial só está acessível, neste guia, para um deles; para os outros dois o que se afirma vem do Atlas do Património Classificado e do decreto.

Palácio dos antigos Condes de Basto

O registo nacional (NINV 2743) dá-lhe as designações alternativas de Paço de São Miguel da Freiria e Palácio do Pátio de São Miguel, e situa-o na freguesia de Évora (São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão). É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 8 218, publicado no Diário do Governo n.º 130, de 29 de junho de 1922, que classifica no distrito de Évora, no mesmo texto, o «Palácio dos antigos Condes de Basto», o Convento de São Bento de Castris, a Porta de Avis e o Chafariz das portas de Moura. Uma nota: a hiperligação do Atlas para o diploma aponta para o decreto de 1910; o diploma lido é o de 1922, que é o indicado como fundamento da classificação.

Na fotografia que ilustra esta página, a fachada caiada tem três janelas geminadas de arcos recortados, e a ala de cantaria à direita abre-se numa galeria de arcos; no painel que a cobre lê-se «Paço de São Miguel». Não consegui ler a ficha descritiva do palácio, pelo que não indico data de construção, proprietários ou uso atual.

Casa da Sempre Noiva

Aqui há texto oficial. A ficha (NINV 2662, código 70189) é a de uma casa solarenga no Monte da Sempre Noiva, na freguesia de Nossa Senhora da Graça do Divor, no concelho de Évora. O decreto de 1910 localizou-a, por lapso, no concelho de Arraiolos; o registo corrige-o e nota que o monte fica a cerca de 4 km desta vila. As coordenadas do registo são 38,695442 N, 7,969043 O.

Segundo o registo, a casa terá sido edificada na transição do século XV para o XVI por D. Afonso de Portugal, bispo de Évora, que adquirira os terrenos por escambo ao bispado, aproveitando talvez uma construção mais antiga, possivelmente do século XIV, centrada num torreão de dois pisos. Em 1531, a filha natural do bispo, D. Beatriz ou Brites de Portugal, instituiu o morgadio da Herdade da Sempre Noiva, com o irmão D. Francisco de Portugal, 1.º conde de Vimioso, como administrador; daí o nome Solar dos Vimiosos. O registo define o estilo como uma «preciosa declinação mudéjar-manuelina do tardo-gótico alentejano», no tempo em que a corte se concentrava em Évora.

A planta é simples: um pavilhão retangular que inclui os dois pisos inferiores de um torreão de três andares, e um corpo alongado, em ângulo, com uma pequena capela e um alpendre abobadado de dois pisos na fachada principal. O alpendre abriga a escada que leva à porta manuelina do piso nobre. A capela, de abóbadas nervuradas, sobe até ao piso de habitação do torreão, de modo que de lá se podia assistir aos serviços religiosos; os dois pisos altos do torreão têm abóbadas estreladas. O exterior foi muito alterado no século XIX: demoliram-se uma torre, as ameias e os pináculos cilíndricos da capela, mutilaram-se janelas e perderam-se os frisos esgrafitados dos cunhais. O registo regista ainda vestígios de ocupação romana no local. Para a linguagem decorativa, veja o estilo manuelino.

Paços de Évora (restos)

É um registo diferente do Paço de São Miguel, apesar de ambos serem «paços». O Atlas (NINV 2744) designa o imóvel «Paços de Évora (restos)», com os nomes alternativos Palácio de D. Manuel, Palácio Real de São Francisco e Paço Real de Évora, e classifica-o como Monumento Nacional pelo decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho). O qualificativo «restos» sugere que está classificado o que sobreviveu do conjunto, mas não li a ficha que o confirme. Não li a ficha descritiva, pelo que não conto a história do paço nem localizo os vestígios; pode ver-se o contexto régio e franciscano da cidade na Igreja de São Francisco, e a tipologia em paços reais.

Em conjunto

Os três imóveis foram classificados em dois momentos, 1910 e 1922. Ilustram três funções do poder em Évora: o paço real, a residência urbana de uma casa titulada e a casa de campo de uma família ligada ao bispado e à corte. Para a tipologia geral, veja solares e casas senhoriais.

Como ver

Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrei horários oficiais para estes edifícios. Confirme o acesso junto do município de Évora; a Casa da Sempre Noiva fica fora da cidade, num monte, e não há informação oficial sobre visitas.

Fotografia de Vanbasten 23, de 16 de setembro de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O Paço de São Miguel e os Paços de Évora são o mesmo edifício?
Não. O registo nacional dá Paço de São Miguel da Freiria como outro nome do Palácio dos antigos Condes de Basto. Os «Paços de Évora (restos)» têm outro registo e outras designações: Palácio de D. Manuel, Palácio Real de São Francisco e Paço Real de Évora.
A Casa da Sempre Noiva fica em Évora ou em Arraiolos?
No concelho de Évora, na freguesia de Nossa Senhora da Graça do Divor. O decreto de 1910 localizou-a por engano em Arraiolos, como o registo oficial assinala; fica a cerca de 4 km de Arraiolos.
Que classificação têm?
Os três são Monumento Nacional: o Palácio dos Condes de Basto pelo Decreto n.º 8 218, de 29 de junho de 1922; a Casa da Sempre Noiva e os Paços de Évora pelo decreto de 16 de junho de 1910.
Podem visitar-se?
Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrei horários oficiais para os três. O que se vê da rua depende do acesso a cada propriedade; confirme junto do município de Évora.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 2743, 2744 e 2662)
  2. Património Cultural, I.P. — Casa da «Sempre Noiva» (70189), consulta por arquivo web
  3. Diário do Governo, I série, n.º 130, de 29-06-1922 — Decreto n.º 8 218
  4. Diário do Governo, I série, n.º 136, de 23-06-1910 — Decreto de 16 de junho de 1910