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Castelo Novo
Castelo Novo, aldeia histórica granítica na Serra da Gardunha, concelho do Fundão, com castelo de origem templária, pelourinho manuelino e chafarizes reais.
Encostada à vertente nascente da Serra da Gardunha, a cerca de 650 metros de altitude, Castelo Novo é uma das mais íntegras aldeias graníticas da Beira Baixa. Pertence ao concelho do Fundão, no distrito de Castelo Branco, e estende-se em ruas estreitas e labirínticas que sobem em direção às ruínas do castelo, condicionadas pelo afloramento da rocha que serve, simultaneamente, de alicerce e de matéria-prima às casas. O xisto da serra cede aqui lugar ao granito, e é dele que nasce a coerência cromática que distingue o povoado.
Da fundação medieval ao foral manuelino
A história de Castelo Novo confunde-se com a fixação militar da fronteira interior nos séculos XII e XIII. O topónimo é referido pela primeira vez em 1208, no testamento de Guterres, que doou à Ordem do Templo a “terra chamada Castelo Novo”. A povoação herdou um foral atribuído em 1202 por D. Sancho I a um lugar anterior — Alpreada —, cuja posição e nome se mudaram pouco depois para o atual sítio fortificado. O castelo terá sido construído entre 1205 e 1208, substituindo uma estrutura mais antiga, e passou para a esfera templária e, mais tarde, para a Ordem de Cristo.
No reinado de D. Dinis a fortificação foi reforçada, hipótese sustentada pelos parapeitos e ameias de feição dionisina que ainda se observam num troço da muralha. Em 1510, D. Manuel I outorgou novo foral, assinado em Santarém, que renovou os privilégios concelhios. Castelo Novo manteve estatuto de sede de concelho até ao século XIX, quando foi extinto e, em 1855, integrado no Fundão.
O conjunto do largo do município reúne num só espaço três tempos da história portuguesa: o gótico tardio do pelourinho, o classicismo administrativo da Casa da Câmara e Cadeia e o barroco dos chafarizes reais.
O largo do município e as fontes
O coração monumental da aldeia é o largo presidido pelo pelourinho manuelino, símbolo da autonomia municipal, e pela Casa da Câmara e Cadeia, edifício que albergava o poder concelhio e a prisão. A seu lado correm dois notáveis chafarizes que ilustram a continuidade da vida cívica em torno da água. O Chafariz d’El-Rei, também dito Chafariz Fundeiro, é uma obra medieval que ostenta as armas de D. Dinis; o chafariz barroco da Bica exibe o brasão de D. João V. A par destes, fontes graníticas como a Fonte da Vila garantiram durante séculos o abastecimento da população, cruzando função e ornamento.
A Igreja Matriz, de origem medieval, foi remodelada no século XVIII, ganhando feição barroca, enquanto janelas e portais manuelinos dispersos pelo casario testemunham a prosperidade quinhentista.
Aldeia histórica da Serra da Gardunha
Castelo Novo integra a rede das Aldeias Históricas de Portugal, programa que reabilitou doze povoações da Beira pela sua arquitetura e memória defensiva. Distingue-se das vizinhas de granito e fronteira como Monsanto, encimada pelo seu castelo, Sortelha, com a muralha completa, ou Linhares da Beira, pela forma como o casario abraça a encosta da Gardunha em vez de coroar um cabeço isolado.
Hoje, com pouco mais de três centenas de habitantes na freguesia, Castelo Novo conserva uma escala doméstica que poucos lugares classificados mantêm. Faz parte do conjunto patrimonial da região Centro, onde o granito, a água das fontes reais e a sombra do castelo continuam a estruturar o quotidiano de uma aldeia que atravessou oito séculos sem perder o desenho.
Perguntas frequentes
- Onde fica Castelo Novo?
- Castelo Novo é uma freguesia do concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, na vertente nascente da Serra da Gardunha, na região Centro de Portugal.
- Porque é Castelo Novo uma aldeia histórica?
- Integra a rede das Aldeias Históricas de Portugal pela sua arquitetura granítica preservada, pelo castelo de origem templária e pelo conjunto monumental do largo do município.
- Qual é a origem do castelo de Castelo Novo?
- O castelo terá sido erguido no início do século XIII em terras doadas à Ordem do Templo, depois reforçado no reinado de D. Dinis, como atestam ameias e parapeitos dionisinos.