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Monsanto
Monsanto, a aldeia histórica de Idanha-a-Nova encavalitada em penedos graníticos, com castelo templário e o casario fundido na pedra da Beira Baixa.
Encavalitada na vertente sul de um cabeço granítico que atinge cerca de 758 metros, Monsanto é talvez a mais singular das aldeias da Beira Baixa. Aqui, no concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, o casario não se limita a assentar sobre a rocha: funde-se com ela. Penedos colossais servem de parede, de telhado e de chão, e as ruas estreitas contornam blocos de granito que nenhuma mão humana poderia mover. O resultado é uma paisagem em que é difícil distinguir onde acaba a natureza e começa a obra do homem.
Uma povoação fundida na pedra
O nome Monsanto — “monte santo” — sugere uma ocupação muito anterior à fundação de Portugal. Vestígios lusitanos e romanos atestam que o cabeço foi povoado e fortificado em vários momentos, beneficiando da sua posição dominante sobre a planície raiana e o vale do Ponsul. Foi, contudo, na Idade Média que a aldeia ganhou a fisionomia que ainda hoje a define.
Após a reconquista cristã, Monsanto foi doada em 1165 à Ordem do Templo. Coube ao mestre Gualdim Pais, figura central da fortificação da fronteira, mandar erguer no topo do cabeço o castelo que coroa a aldeia. O foral concedido em 1174 confirmou a importância militar do lugar, reforçada mais tarde por novos privilégios régios e pela elevação a vila no reinado de D. Manuel I. O castelo de Monsanto, hoje em ruína dramática entre os fragas, guarda a memória dessa raia disputada entre Portugal e Castela.
Em Monsanto a arquitetura popular não venceu a pedra: aprendeu a viver com ela, encaixando casas, currais e fornos nos interstícios deixados pelos penedos.
A “Aldeia mais portuguesa de Portugal”
O episódio que celebrizou Monsanto no imaginário nacional ocorreu em 1938, quando a povoação venceu o concurso da “Aldeia mais portuguesa de Portugal”, promovido pelo Estado Novo. O troféu — um galo de prata desenhado por Abel Pereira da Silva — encontra-se hoje no cimo da Torre de Lucano, e o título consagrou Monsanto como símbolo de um Portugal rural autêntico e imutável. Essa fama explica em parte a sua preservação: poupada à expansão desordenada, a aldeia conservou o traçado e os materiais tradicionais.
Em 1995, Monsanto integrou a rede das Aldeias Históricas de Portugal, programa que reuniu doze povoações do interior centro do país unidas pelo património monumental e pela paisagem granítica e xistosa. A classificação trouxe campanhas de reabilitação e um novo fôlego turístico, sem apagar o caráter austero que distingue Monsanto das suas congéneres.
Tradições vivas e património próximo
A cultura imaterial é parte essencial da identidade local. A Festa das Cruzes, ou Festa do Castelo, celebra-se a 3 de maio: as mulheres sobem às muralhas para lançar flores e cantam ao som do adufe, evocando uma lendária resistência a um cerco. Associadas à festa estão as marafonas, bonecas de pano sem rosto, consideradas protetoras do lar e ligadas a antigos ritos de fertilidade. Esta sonoridade percutida liga-se ao mais amplo universo do adufe e da música da Beira Baixa.
A poucos quilómetros, a aldeia romana e visigótica de Idanha-a-Velha — a antiga Egitânia — completa o roteiro histórico de Terras de Idanha, enquanto, mais a norte, Sortelha oferece outro magnífico exemplo de povoação fortificada incrustada no granito. Juntas, estas aldeias compõem um dos territórios mais densos de memória do interior português, onde a pedra é simultaneamente abrigo, defesa e paisagem.
Perguntas frequentes
- Porque é Monsanto conhecida como a 'Aldeia mais portuguesa de Portugal'?
- Em 1938, no âmbito das comemorações do Estado Novo, Monsanto venceu o concurso da 'Aldeia mais portuguesa de Portugal', recebendo como troféu o Galo de Prata, da autoria de Abel Pereira da Silva, hoje guardado na Torre de Lucano.
- Onde fica Monsanto e como é a sua paisagem?
- Monsanto situa-se no concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, na Beira Baixa. As suas casas erguem-se na encosta de um cabeço granítico que ronda os 758 metros de altitude, integradas entre enormes penedos.
- Quem construiu o castelo de Monsanto?
- Após a conquista cristã, Monsanto foi doada em 1165 à Ordem do Templo. O castelo no alto do cabeço foi mandado erguer por Gualdim Pais, mestre dos Templários, tendo recebido foral em 1174.