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Chaves
Chaves, a romana Aquae Flaviae no distrito de Vila Real: ponte de Trajano, termas milenares e fortificações abaluartadas em Trás-os-Montes.
Encravada num vale fértil regado pelo rio Tâmega, junto à raia transmontana com a Galiza, Chaves é uma das mais antigas cidades do norte de Portugal. A sua história urbana arranca em plena época romana, quando aqui floresceu Aquae Flaviae, um centro privilegiado pela confluência de vias e pela abundância de águas quentes que ainda hoje brotam do subsolo a temperaturas próximas dos 73 °C. Capital do Alto Tâmega e segunda cidade do distrito de Vila Real, conserva um notável palimpsesto de camadas — romana, medieval e moderna — legível nas suas pedras.
De Aquae Flaviae a cidade de fronteira
A fundação romana inscreve-se na política de organização do território levada a cabo pela dinastia Flávia: a povoação foi elevada a municipium em 79 d.C., durante o principado de Vespasiano, recebendo o nome de Aquae Flaviae em alusão às suas nascentes termais. A localização era estratégica, pois a cidade marcava uma etapa da grande estrada que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga), eixo vital da rede viária do noroeste hispânico. Dessa importância sobrevive um dos testemunhos mais célebres da arqueologia romana portuguesa: a ponte de Trajano sobre o Tâmega, erguida em finais do século I ou inícios do século II e ainda hoje atravessável a pé, com os seus marcos miliários e a inscrição dedicada às comunidades que contribuíram para a obra.
O próprio nome Aquae Flaviae sela o destino da cidade: água e poder imperial, termas e fronteira, fundidos num único topónimo que duraria séculos.
A fortaleza transmontana
Reconquistada e integrada no território português no século XII, Chaves transformou-se numa praça-forte de primeira linha na defesa da fronteira nordeste. D. Dinis mandou erguer o castelo e a cerca medieval no virar do século XIII para o XIV, e a sua torre de menagem — hoje sede de um núcleo museológico militar — continua a dominar a malha urbana. Esta vocação militar prolongou-se na Idade Moderna com a construção dos fortes abaluartados de São Francisco e São Neutel, concebidos segundo os princípios da fortificação moderna para resistir à artilharia. Quem percorre as muralhas pode seguir o fio que liga a fortificação medieval de Chaves às lógicas defensivas que marcaram toda a raia transmontana.
Termas, traça urbana e identidade
A relação de Chaves com as suas águas nunca se interrompeu. As termas, exploradas desde a Antiguidade, fizeram da cidade um destino de cura e lazer, e a descoberta de um balneário romano monumental junto ao centro histórico veio confirmar a continuidade milenar dessa tradição. O casario nobre dos séculos XVII e XVIII, as varandas de madeira e as igrejas barrocas conferem ao núcleo antigo um carácter próprio, ao mesmo tempo transmontano e imperial — a cidade ostenta de resto o título histórico de “muito nobre e sempre leal”.
Inserida na região Norte, Chaves dialoga com outros polos do interior transmontano e duriense, como a vizinha Vila Real, e integra-se num território onde o legado da arqueologia romana é particularmente denso. Visitar Chaves é, assim, percorrer dois mil anos de ocupação contínua: das águas que lhe deram o nome às muralhas que a guardaram, da calçada de Trajano às ruas onde ainda se sente o pulsar de uma cidade de fronteira.
Perguntas frequentes
- Qual era o nome romano de Chaves?
- Chaves correspondia à cidade romana de Aquae Flaviae, fundada no século I d.C. e elevada a municipium em 79 d.C., sob a dinastia Flávia. O topónimo aludia às abundantes águas termais da região.
- A ponte de Trajano em Chaves é mesmo romana?
- Sim. A ponte sobre o rio Tâmega é uma obra de engenharia romana erguida em finais do século I ou inícios do século II d.C., associada ao reinado de Trajano, e ainda hoje conserva grande parte dos seus arcos e dois marcos epigráficos.
- Em que distrito e região fica Chaves?
- Chaves situa-se no distrito de Vila Real, na sub-região do Alto Tâmega, em pleno Trás-os-Montes, junto à fronteira com a Galiza, no norte de Portugal.