Monumentos
Castelo de Chaves
Castelo de Chaves, em Vila Real: torre de menagem gótica e fortificações abaluartadas que guardaram a antiga Aquae Flaviae na raia de Trás-os-Montes.
No alto da cidade de Chaves, sobranceiro ao rio Tâmega e ao traçado da antiga estrada romana, ergue-se uma das fortificações mais expressivas da raia transmontana. O Castelo de Chaves resume, num só lugar, dois milénios de história militar: o sítio que foi povoação romana, a fortaleza gótica da fundação do reino e, mais tarde, a praça-forte abaluartada que guardou a fronteira contra a vizinha Galiza.
De Aquae Flaviae à fronteira do reino
A ocupação do local antecede largamente o castelo. Aqui floresceu a Aquae Flaviae romana, povoação ligada às termas e a uma importante encruzilhada viária, elevada à categoria de município no século I, no tempo dos imperadores flávios. Dessa fase sobrevive ainda, junto ao castelo, a notável ponte romana de Chaves, que atravessa o Tâmega e fixou desde cedo a vocação estratégica do sítio.
Após o período de domínio muçulmano e a reconquista cristã promovida a partir das Astúrias, Chaves entrou definitivamente na órbita portuguesa. D. Afonso III concedeu foral à povoação em 1258 e determinou a reconstrução das defesas. Foi nesse contexto que se iniciou a edificação da torre de menagem, para a qual os moradores do termo contribuíram através do pagamento da anúduva. O seu sucessor, D. Dinis (1279–1325), prosseguiu a empreitada, concluindo a torre e a cerca da vila.
A torre de menagem gótica
O elemento medieval mais íntegro do conjunto é a torre de menagem, de feição gótica e planta quadrangular, com cerca de doze metros de lado e perto de vinte e oito metros de altura. Internamente organiza-se em vários pisos cobertos por abóbadas de berço, com cisterna no nível inferior. Desde 1978, os seus andares acolhem um núcleo museológico de carácter militar, que faz da torre o coração visitável da fortaleza.
A força do Castelo de Chaves não reside na monumentalidade das muralhas, hoje fragmentárias, mas na continuidade do lugar: o mesmo esporão que os romanos vigiaram foi o que medievais e modernos disputaram, sempre de olhos postos na Galiza.
A praça abaluartada da raia
A fronteira norte voltou a ditar o destino de Chaves no contexto da Guerra da Restauração. Entre 1658 e os anos seguintes, as muralhas da vila foram refeitas segundo um traçado abaluartado, mais baixo e adaptado à artilharia, ao gosto da época. Abriram-se fossos secos e ergueram-se obras avançadas — entre elas o revelim da Madalena e o Forte de São Francisco —, sob direção do governador militar D. Rodrigo de Castro, conde de Mesquitela. O castelo medieval passou a coexistir, assim, com um sistema defensivo “à Vauban” que integrou Chaves na rede de praças-fortes da fronteira terrestre.
Esse legado liga o conjunto à candidatura das fortificações abaluartadas da raia, parte da Lista Indicativa portuguesa ao Património Mundial, e inscreve Chaves no mesmo universo defensivo de praças como Bragança e de tantos outros castelos portugueses erguidos para guardar o território.
Visitar e compreender
Classificado como Monumento Nacional em 1938, o Castelo de Chaves domina ainda hoje o centro histórico da cidade de Chaves. A torre de menagem e o jardim envolvente, instalado sobre antigos panos de muralha, oferecem uma das melhores leituras de conjunto da evolução da arquitetura militar portuguesa — do castelo medieval à fortaleza moderna —, num dos pontos mais setentrionais e mais disputados do país.
Perguntas frequentes
- Pode visitar-se a torre de menagem do Castelo de Chaves?
- Sim. A torre de menagem alberga desde 1978 um núcleo museológico militar, distribuído pelos seus pisos, sendo o elemento medieval mais bem conservado do conjunto.
- Qual a ligação entre o Castelo de Chaves e a Aquae Flaviae romana?
- Chaves corresponde à Aquae Flaviae, povoação romana elevada a município no século I. O castelo medieval ergueu-se sobre esse mesmo sítio estratégico, junto ao rio Tâmega e à ponte romana.
- Quando foi o Castelo de Chaves classificado como Monumento Nacional?
- O conjunto foi classificado como Monumento Nacional em 1938.