Património Mundial
Fado
O Fado, canção popular urbana de Lisboa inscrita na Lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO em 2011: história, guitarra portuguesa e…
O Fado é um género de canção popular urbana nascido em Lisboa, expressão maior da cultura portuguesa e um dos seus símbolos mais reconhecidos no mundo. A 27 de novembro de 2011, foi inscrito na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, sob o número de referência 00563, consagrando uma tradição que durante quase dois séculos foi transmitida de geração em geração nos bairros, nas tabernas e nas casas de fado da capital.
Origens e história
O termo fado deriva do latim fatum — destino, fado, sorte —, e a própria canção faz frequentemente do destino o seu tema central. Surgido na primeira metade do século XIX, o Fado resulta de uma síntese multicultural: cruzaram-se nele danças cantadas afro-brasileiras, géneros tradicionais de canto e dança e tradições musicais rurais que afluíam à Lisboa portuária e cosmopolita da época. Firmou-se sobretudo a partir de 1840 em bairros como Alfama, Mouraria, Bairro Alto e Madragoa, associados às tabernas e aos meios populares.
A figura de Maria Severa Onofriana (1820–1846), cantadeira da Mouraria, é tradicionalmente apontada como a primeira fadista de que há memória, tornando-se quase mítica na história do género. No século XX, foi Amália Rodrigues quem renovou o Fado e o projetou internacionalmente, associando a poesia erudita à canção e dando-lhe dimensão de arte universal.
Mais do que um repertório, o Fado é uma forma de habitar a língua portuguesa — a saudade, o amor, a perda e o destino encontram nele uma gramática emocional que poucas tradições musicais conseguiram fixar de modo tão reconhecível.
A guitarra portuguesa e a prática
O Fado é, na sua forma clássica, interpretado por um solista acompanhado por instrumentos de corda. O instrumento mais característico é a guitarra portuguesa, um cordofone de doze cordas em forma de pera, exclusivo de Portugal, cujo timbre ondulante e melismático é indissociável da canção. Junta-se-lhe a viola (designação que, no meio fadista, corresponde à guitarra clássica) e, com frequência, a viola baixo, criando o suporte harmónico sobre o qual a voz desenha a melodia.
A transmissão do Fado faz-se sobretudo por via informal, nas casas de fado dos bairros históricos e em ambiente familiar, onde os cantadores experientes orientam os mais novos. Distinguem-se duas grandes tradições: o Fado de Lisboa, popular e cantado por homens e mulheres, e o Fado de Coimbra, ligado à vida académica universitária, executado por homens trajados a rigor e marcado por uma sonoridade mais grave.
Significado e reconhecimento
Através da emigração e dos circuitos internacionais da música, o Fado tornou-se emblema da identidade cultural portuguesa, capaz de dialogar com outras tradições e públicos por todo o mundo. O Museu do Fado, inaugurado em 1998 em Alfama, dedica-se à salvaguarda, documentação e divulgação desta herança, reunindo arquivos sonoros, instrumentos e memória das suas grandes vozes.
A inscrição na UNESCO integra o Fado num conjunto de expressões imateriais portuguesas reconhecidas internacionalmente, a par do Cante Alentejano e de outras manifestações do património imaterial nacional. O seu reconhecimento confirmou aquilo que os bairros de Lisboa há muito sabiam: que numa canção cabe, por inteiro, a alma de uma cidade.
Perguntas frequentes
- Quando é que o Fado foi reconhecido pela UNESCO?
- O Fado foi inscrito na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO a 27 de novembro de 2011, com o número de referência 00563.
- Qual é o instrumento característico do Fado?
- A guitarra portuguesa, um cordofone de doze cordas em forma de pera, é o instrumento mais identitário do Fado, habitualmente acompanhada pela viola (guitarra clássica) e, por vezes, pela viola baixo.
- Qual a diferença entre o Fado de Lisboa e o Fado de Coimbra?
- O Fado de Lisboa nasceu nos bairros populares da capital e é cantado por homens e mulheres; o Fado de Coimbra está ligado à tradição académica universitária, é cantado por homens trajados de capa e batina e tem uma sonoridade mais grave.