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Património Mundial
Falcoaria, um Património Humano Vivo
A falcoaria em Portugal, com epicentro na Real Falcoaria de Salvaterra de Magos, inscrita como Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
- Localização
- Salvaterra de Magos, Santarém
- Construção
- século XVIII
- Estilo
- Pombalino
- UNESCO
- desde 2021
A falcoaria — a arte de criar, treinar e voar aves de presa para a caça — é uma das tradições culturais mais antigas da humanidade, com um fio de transmissão ininterrupto que atravessa milénios. Em Portugal, esta prática encontra a sua expressão maior na vila ribatejana de Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém, onde a corte mantinha a sua falcoaria régia. O elemento multinacional «A falcoaria, um património humano vivo» integra a Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, sob o número de referência 01708 — uma candidatura que reúne, após o alargamento de 2021, vinte e quatro Estados de quatro continentes.
Uma candidatura partilhada por muitos povos
Poucos elementos do património imaterial mundial são tão genuinamente transnacionais. A falcoaria foi inscrita pela primeira vez em 2010 e tem sido sucessivamente alargada à medida que novos países aderem: Portugal juntou-se em 2016, na 11.ª sessão do Comité Intergovernamental realizada em Adis Abeba, e em 2021 o conjunto cresceu para vinte e quatro nações, dos Emirados Árabes Unidos à Coreia do Sul, da Mongólia a Espanha. É o elemento com maior número de Estados associados em toda a lista da UNESCO, testemunho de uma prática que, nascida da necessidade de obter alimento, se transformou num modo de relação com a natureza partilhado por culturas muito distantes entre si.
A falcoaria não se inscreve num monumento nem num objeto: vive na relação entre o falcoeiro e a ave, num saber transmitido de geração em geração que nenhuma pedra poderia guardar.
A Real Falcoaria de Salvaterra de Magos
A ligação de Portugal à falcoaria régia tem o seu epicentro em Salvaterra de Magos, onde a Casa Real instalou o seu coutada de caça e a respetiva falcoaria. No século XVIII, no contexto do Paço Real, ergueu-se um edifício singular — a Falcoaria propriamente dita —, de planta centralizada e simétrica, organizada em torno de um pátio interior e dotada de um pombal de planta circular com cerca de três centenas de nichos destinados a abrigar os pombos usados no treino dos falcões.
Esta construção, de traça pombalina e inspirada nas falcoarias neerlandesas de Setecentos, é hoje considerada um exemplar único na Península Ibérica. Não por acaso: durante o reinado de D. José I, os mais reputados falcoeiros europeus, oriundos sobretudo da região dos Países Baixos, serviram na falcoaria régia e muitos fixaram-se definitivamente na vila, constituindo família e enraizando localmente um saber que de outro modo se teria perdido. Recuperada e musealizada, a Real Falcoaria é atualmente um espaço onde a prática se mantém viva, com aves, demonstrações e ações de transmissão a novos praticantes.
Significado e salvaguarda
A inscrição na UNESCO reconhece a falcoaria não como espetáculo, mas como prática social e patrimonial ligada à conservação das espécies, ao conhecimento etológico das aves e a um vocabulário, a gestos e a utensílios próprios que constituem um verdadeiro corpo cultural. Em Portugal, a candidatura foi conduzida pelo Município de Salvaterra de Magos em parceria com a Universidade de Évora e a Associação Portuguesa de Falcoaria, articulando administração local, investigação académica e comunidade de praticantes.
A par de outras expressões do património imaterial português reconhecidas internacionalmente — como o cante alentejano ou a dieta mediterrânica —, a falcoaria integra o conjunto das tradições vivas que Portugal partilha com o Património Mundial. A sua salvaguarda depende menos de medidas de proteção física do que da continuidade da aprendizagem: enquanto houver falcoeiros a ensinar o seu ofício, o elemento permanecerá, por definição, um património humano vivo.
Perguntas frequentes
- Quando foi a falcoaria reconhecida pela UNESCO?
- Portugal aderiu ao elemento «A falcoaria, um património humano vivo» em dezembro de 2016, durante a 11.ª sessão do Comité Intergovernamental, realizada em Adis Abeba. O elemento foi posteriormente alargado em 2021, passando a reunir 24 Estados e mantendo o número de referência 01708 na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.
- Onde se pode visitar a falcoaria em Portugal?
- O principal centro é a Real Falcoaria de Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém. O conjunto, mandado erguer no século XVIII junto ao antigo Paço Real, conserva o pombal e as instalações de criação e treino de aves de presa, sendo hoje um espaço museológico e de prática viva da falcoaria.
- Quantos países integram o elemento da falcoaria?
- O elemento «A falcoaria, um património humano vivo» é uma candidatura multinacional que, após o alargamento de 2021, reúne 24 Estados-membros — o maior número de países associado a um único elemento das listas do Património Imaterial da UNESCO.
Fontes
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