Monumentos
Igreja de Santa Maria de Belém
Igreja de Santa Maria de Belém, templo manuelino do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, com os túmulos de Vasco da Gama e Camões e panteão dos reis de Avis.
A Igreja de Santa Maria de Belém é o templo do Mosteiro dos Jerónimos, erguido na zona ribeirinha de Belém, em Lisboa, por iniciativa de D. Manuel I. Mandada construir junto ao local de onde partira a armada de Vasco da Gama para a Índia, a igreja tornou-se o monumento mais emblemático do estilo manuelino e um dos espaços de maior carga simbólica da memória nacional portuguesa.
História e construção
As obras começaram a 6 de janeiro de 1501, na sequência de uma ermida anterior dedicada a Santa Maria de Belém, ligada à devoção dos navegantes. O financiamento provinha em boa parte das receitas do comércio ultramarino, o que permitiu uma empreitada de escala excecional, prolongada por todo o século XVI.
A direção da obra passou por mestres sucessivos. Diogo de Boitaca lançou o projeto inicial; a partir de 1517, João de Castilho assumiu a coordenação, imprimindo ao conjunto a exuberância decorativa que caracteriza a fase manuelina. Já em registo renascentista intervieram Diogo de Torralva e Jerónimo de Ruão, este último responsável pela capela-mor, concluída no final do século. O escultor Nicolau Chanterene executou o portal ocidental.
Arquitetura e arte
O interior é uma igreja-salão: as três naves elevam-se à mesma altura, dando ao espaço uma rara sensação de unidade e amplitude. A vasta abóbada de nervuras assenta em apenas seis pilares octogonais, finamente esculpidos com motivos vegetalistas, cordames e elementos heráldicos. A luz que entra pelas janelas altas reforça a leitura do templo como uma floresta de pedra, imagem recorrente na apreciação do manuelino.
O portal sul, profusamente trabalhado por João de Castilho, e o portal axial poente, com a Natividade de Chanterene, contam-se entre os pontos altos da escultura arquitetónica do período. No conjunto, a igreja dialoga com outras obras coevas como a vizinha Torre de Belém, também mandada erguer por D. Manuel I.
Panteão e significado
A igreja assumiu desde cedo a função de panteão régio da dinastia de Avis. Nos braços do transepto encontram-se os túmulos de D. Manuel I e da rainha D. Maria, de D. João III e de D. Catarina, sustentados por elefantes esculpidos. No coro baixo, sob a galeria, foram instalados no século XIX os túmulos neomanuelinos de Vasco da Gama e de Luís de Camões, transformando o templo num espaço de homenagem aos grandes nomes da expansão e das letras. Na casa do capítulo repousa o historiador Alexandre Herculano, e no claustro existe um cenotáfio de Fernando Pessoa.
Classificada como Monumento Nacional desde 1907, a igreja integra, com o mosteiro, a inscrição na Lista do Património Mundial da UNESCO desde 1983, em conjunto com a Torre de Belém. Continua a ser local de culto ativo, mantendo a dupla condição de igreja paroquial e de monumento maior do património português.
Perguntas frequentes
- Quem está sepultado na Igreja de Santa Maria de Belém?
- No coro baixo, junto ao portal sul, encontram-se os túmulos de Vasco da Gama e de Luís de Camões, executados no século XIX. Nos braços do transepto repousam os reis D. Manuel I, D. João III e as respetivas rainhas, além de outros membros da dinastia de Avis.
- Qual é o estilo arquitetónico da igreja?
- É um dos exemplos maiores do estilo manuelino, com planta de igreja-salão (as três naves à mesma altura) coberta por uma abóbada de nervuras apoiada em seis pilares ricamente decorados.
- A igreja pode visitar-se gratuitamente?
- Sim. A igreja mantém função de culto e o acesso ao corpo do templo é livre, ao contrário do claustro e das demais dependências do mosteiro, que têm bilhete próprio.