Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Memória do Mundo

Arquivos dos Dembos: documentos de Angola na Memória do Mundo

Conheça os Arquivos dos Dembos, inscritos em 2011, e distinga a documentação africana conservada em Lisboa e Luanda antes de iniciar a pesquisa no arquivo.

Perguntas frequentes Fontes
Período documental
fim do século XVII – início do século XX
UNESCO
Memória do Mundo · desde 2011

Os Arquivos dos Dembos, inscritos na Memória do Mundo em 2011 por candidatura de Angola e Portugal, preservam documentos produzidos e guardados por autoridades africanas da região dos Dembos, no norte de Angola. A sua ligação a Portugal inclui a língua utilizada, as relações históricas documentadas e a guarda de uma componente no Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), em Lisboa. A inscrição reúne património documental; não designa um único lugar português.

Quem produziu os documentos?

As autoridades mbundu organizaram arquivos para conservar correspondência, atos de poder e relações entre linhagens. Os textos mostram a escrita em português apropriada para finalidades africanas, incorporando palavras e expressões em quimbundo. Há cartas recebidas e expedidas, cópias e rascunhos; cada documento deve ser lido atendendo a quem o escreveu, a quem se dirigia e à instituição que o guardou.

O interesse do conjunto vai além das relações com a administração colonial de Luanda. A candidatura descreve comunicações entre autoridades africanas e com o rei do Congo, bem como assuntos de jurisdição, comércio e sucessão. Confrontar remetente e destinatário ajuda a perceber diferentes posições, sem tratar toda a documentação como uma voz única.

Duas componentes, contagens diferentes

O formulário da candidatura descreve cerca de 1 160 itens na componente então conservada pelo IICT/AHU, do final do século XVII ao início do XX. Essa quantidade não é um total reconciliado de todos os documentos inscritos em ambos os países. António de Almeida recolheu estes materiais em Angola em 1934; a transferência para o AHU ocorreu em três grupos, entre 2007 e 2009, segundo o mesmo formulário.

Para o Arquivo Nacional de Angola, em Luanda, a candidatura identifica separadamente o códice 240, com cópias de cartas expedidas pelas autoridades coloniais a chefes africanos, datadas de 1798–1854. Distinguir esta proveniência da dos arquivos dos Dembos permite estudar as duas faces da correspondência, sem presumir que todas as cartas têm um par conservado.

Como começar a pesquisa

Consulte os fundos e coleções do AHU e procure Dembos no Digitarq. Há descrições com o prefixo PT/AHU/DEMBOS. Registe a referência completa, a data, o nível de descrição e o arquivo responsável antes de pedir reprodução ou consulta. Uma pesquisa pode devolver coleções e unidades subordinadas; o número de resultados não equivale ao número de originais reconhecidos pela UNESCO.

Confirme as condições de consulta com a instituição depositária. O códice de Luanda pertence à componente angolana, pelo que a sala de leitura de Lisboa não dá acesso automático a todos os originais da inscrição. Para comparar outros fundos, explore o Corpo Cronológico, mantendo separadas as respetivas identidades e proveniências.

Perguntas frequentes

Os cerca de 1 160 documentos são o total da inscrição?
Não. O formulário atribui essa quantidade aproximada à componente então conservada pelo IICT/AHU. Identifica separadamente o códice 240 do Arquivo Nacional de Angola; as contagens de pesquisa atuais não são um total reconciliado da inscrição.
Onde se conservam as componentes?
A candidatura identifica o Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa, e o Arquivo Nacional de Angola, em Luanda. As componentes têm proveniências e condições de acesso próprias.
Como pesquisar a componente portuguesa?
Comece pelos fundos e coleções do AHU e pelo Digitarq, usando Dembos e o prefixo PT/AHU/DEMBOS. Anote a referência completa e confirme com o arquivo a consulta ou reprodução pretendida.

Fontes

  1. UNESCO — Memory of the World International Register
  2. UNESCO — Nomination form
  3. Arquivo Histórico Ultramarino — Fundos e coleções
  4. Digitarq — DGLAB