Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Memória do Mundo

Beato de Liébana: os manuscritos de Lorvão e Alcobaça

Conheça os manuscritos de Lorvão e Alcobaça, os dois componentes portugueses da inscrição ibérica de 2015, e as referências para os consultar em Lisboa.

Perguntas frequentes Fontes
Pormenor de uma iluminura do Apocalipse do Lorvão com figuras em filas
Anonymous Unknown author, Public domain — Wikimedia Commons · Pormenor do Apocalipse do Lorvão, um dos dois componentes portugueses.
Período documental
1189; 1201–1300 (exemplares portugueses)
UNESCO
Memória do Mundo · desde 2015

Os Manuscritos do Comentário ao Apocalipse de Beato de Liébana na tradição ibérica foram inscritos na Memória do Mundo em 2015, por candidatura conjunta de Portugal e Espanha. O formulário identifica onze componentes, dois portugueses e nove espanhóis. A inscrição não deve ser confundida com toda a família de cópias conhecidas como «beatos».

Um texto e diferentes testemunhos

Beato de Liébana viveu no século VIII. A obra que lhe é atribuída circulou através de cópias posteriores; a época do autor não data automaticamente cada manuscrito. A candidatura reúne códices e fragmentos, não apenas livros completos.

Os componentes espanhóis incluem testemunhos no Escorial, na Real Academia de la Historia, no Archivo Histórico Nacional, na Biblioteca Nacional de España, no Museo Arqueológico Nacional e nos arquivos da Coroa de Aragão e da Chancelaria de Valladolid. Dois bifólios de Sahagún, com duas cotas, formam um único componente no formulário. Contar cotas ou ficheiros não basta para contar componentes inscritos.

Lorvão: 1189 e a Torre do Tombo

O Apocalipse do Lorvão foi copiado em 1189. A ficha atual conserva a referência PT/TT/MSML/B/44 e identifica o manuscrito como documento composto. Proveniente do mosteiro de São Mamede de Lorvão, foi levado por Alexandre Herculano para a Torre do Tombo, em Lisboa, em 1853.

A descrição do códice identifica cenas e fólios das iluminuras. Escolha uma passagem e compare a imagem com o texto: o enquadramento, as cores e a disposição das figuras ajudam a estudar a interpretação visual da narrativa bíblica. A fotografia desta página mostra um pormenor deste componente, não o conjunto ibérico inteiro.

Alcobaça: um exemplar do século XIII

O segundo manuscrito português conserva-se na Biblioteca Nacional de Portugal, com a cota ALC-247. A Biblioteca Nacional Digital data-o de 1201–1300 e descreve 183 fólios em pergaminho. São características deste exemplar, não de todos os beatos.

A referência ao século VIII na descrição de Alcobaça do formulário de candidatura diverge da datação da biblioteca. Para identificar e pedir o exemplar, siga a ficha atual do seu custodiante. A proveniência no mosteiro de Alcobaça não significa que o manuscrito se encontre hoje no mosteiro.

Consultar sem confundir suportes

Use as duas referências e guarde a ligação, o fólio e o número da imagem. Verifique reproduções digitais e condições de reprodução junto de cada instituição. Um fac-símile exposto não é o códice original, e a inscrição não garante exposição permanente.

Compare com o Códice Calixtino de Alcobaça, outra inscrição partilhada em que a identificação de cada testemunho e biblioteca é essencial.

Perguntas frequentes

A inscrição abrange todos os beatos conhecidos?
Não. A secção 3.1 da candidatura identifica onze componentes: dois portugueses e nove espanhóis, incluindo códices e fragmentos. A tradição manuscrita conhecida é mais ampla.
Onde estão os dois manuscritos portugueses?
O de Lorvão está na Torre do Tombo, com a referência PT/TT/MSML/B/44. O de Alcobaça está na Biblioteca Nacional de Portugal, com a cota ALC-247. A proveniência monástica difere da localização atual.
O manuscrito de Alcobaça é do século VIII?
Não. O século VIII corresponde a Beato de Liébana e à origem do texto. A Biblioteca Nacional data o exemplar ALC-247 de 1201–1300, no século XIII.

Fontes

  1. UNESCO — Memory of the World
  2. UNESCO — Nomination form
  3. Arquivo Nacional Torre do Tombo — PT/TT/MSML/B/44
  4. Biblioteca Nacional Digital — ALC-247
  5. DGLAB / BNP — Colóquio Lorvão e Alcobaça, 2016