Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Memória do Mundo

Corpo Cronológico: documentos e pesquisa na Torre do Tombo

Conheça o Corpo Cronológico, inscrito na Memória do Mundo em 2007, a sua organização e as referências para pesquisar documentos na Torre do Tombo, em Lisboa.

Perguntas frequentes Fontes
Localização
Lisboa, Lisboa
Período documental
Séculos XII–XVII
UNESCO
Memória do Mundo · desde 2007

O Corpo Cronológico, conservado na Torre do Tombo, em Lisboa, reúne documentação importante para a história política, administrativa e marítima de Portugal e das suas relações com outros territórios. A UNESCO inscreveu a coleção na Memória do Mundo em 2007. A candidatura de 2006 identifica 83 212 documentos em 525 maços, maioritariamente dos séculos XV e XVI.

A idade dos documentos e a organização da coleção

O formulário apresenta o intervalo 1161–1699. Já a ficha atual do Digitarq mostra 1137–1699 no campo de produção e 1161–1699 no de criação. Esta diferença deve acompanhar uma pesquisa cronológica: para datar uma peça, consulte a sua descrição individual, em vez de atribuir a todos os documentos o intervalo da coleção.

1756–1764 corresponde à organização e descrição promovidas por Manuel da Maia após o terramoto de 1755. Não é a data de escrita dos manuscritos. Um núcleo importante já tinha entrado no arquivo em 1569, entregue a Damião de Góis por Pedro de Alcáçova Carneiro.

A coleção factícia reúne documentos de proveniências diversas, ordenados em três partes. A proximidade de duas peças na sequência cronológica não demonstra que tenham sido produzidas pela mesma instituição ou para o mesmo processo.

O que se pode investigar

Cartas, instruções, recibos e ordens de pagamento permitem estudar decisões da Coroa, diplomacia e circulação de pessoas e mercadorias. Há documentação sobre os territórios atlânticos, África, Ásia e Brasil. O conjunto também contém testemunhos de guerra, administração colonial e tráfico de pessoas escravizadas.

Leia cada peça considerando quem a escreveu, a quem se dirigia e com que finalidade. Um documento administrativo conserva a perspetiva do seu produtor; não representa, por si só, todas as pessoas envolvidas. Cruzar correspondência e contas pode ajudar a distinguir uma ordem da sua execução.

Como começar no Digitarq

Abra a ficha PT/TT/CC e percorra as partes e os documentos subordinados. Guarde a referência completa, incluindo parte, maço e número, além do título, data e ligação. Pesquise também variantes dos nomes de pessoas e lugares.

Os 525 maços da candidatura são unidades de acondicionamento. Um maço, um documento, uma descrição de coleção e um ficheiro de imagem não devem ser somados como se fossem a mesma unidade.

Consulta e reprodução

Verifique a existência de imagens na ficha de cada documento. As percentagens de digitalização indicadas na candidatura retratam a situação daquele momento, não a disponibilidade atual. Antes de pedir o original ou uma reprodução, confirme as condições com o arquivo.

Compare esta coleção com o Tratado de Tordesilhas ou com a primeira circum-navegação, inscrições com unidades documentais e histórias de guarda diferentes.

Perguntas frequentes

O Corpo Cronológico foi escrito no século XVIII?
Não. A candidatura descreve documentos de 1161–1699, sobretudo dos séculos XV e XVI. 1756–1764 é o período da sua organização por Manuel da Maia, não o da produção dos manuscritos.
Quantos documentos tem a coleção?
A candidatura de 2006 identifica 83 212 documentos em 525 maços. Estes números descrevem a coleção nesse formulário; resultados de pesquisa, ficheiros digitais e descrições de maços não são contagens equivalentes de originais.
Como consultar um documento?
Comece pela coleção PT/TT/CC no Digitarq e percorra as partes e unidades descritas. Anote a referência completa e a data. Confirme com a Torre do Tombo as imagens disponíveis e as condições de consulta e reprodução.

Fontes

  1. UNESCO — Memory of the World International Register
  2. UNESCO — Nomination 2006-17
  3. Digitarq — PT/TT/CC
  4. Torre do Tombo — Registo da Memória do Mundo