Arqueologia

Menir da Meada

O Menir da Meada, em Castelo de Vide, é o maior menir da Península Ibérica, com 7,5 metros, erguido por volta de 5000 a.C. no Alentejo.

Menir da Meada
Dobroide, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

Erguido numa clareira da serra, a norte de Castelo de Vide, o Menir da Meada é o maior monumento desta tipologia em toda a Península Ibérica. Com cerca de 7,5 metros de altura, um diâmetro máximo de 1,25 metros e um peso estimado em dezoito toneladas, é uma das mais imponentes manifestações do megalitismo europeu e, simultaneamente, um dos mais antigos: as datações disponíveis remetem a sua implantação para os primeiros séculos do VI milénio a.C., por volta de 5000 a.C.

Um colosso de granito

O menir foi talhado num bloco de granito pórfiro de granulometria grossa, configuração cilíndrica que se afina para o topo. Aí, uma protuberância em relevo evoca de forma inequívoca uma glande, sublinhada pelo sulco que a delimita. Esta morfologia fálica, recorrente nos grandes menires alentejanos, é geralmente lida como uma celebração da fecundidade e da fertilidade, associando o monumento a cultos agrários das comunidades neolíticas que então ocupavam estas terras de transição entre o Tejo e a serra de São Mamede.

A escala do Menir da Meada lembra que estas pedras não eram marcos isolados, mas obras coletivas: erguer e fixar um bloco de dezoito toneladas exigia trabalho organizado, conhecimento técnico e uma intenção simbólica partilhada.

A datação assenta numa amostra de carvão recolhida na base da fossa de implantação, que, submetida ao radiocarbono, forneceu um intervalo situado em torno de 5010 a 4810 a.C. (calibrado). Estes valores colocam o monumento entre os mais recuados do horizonte megalítico peninsular, contemporâneo das primeiras grandes empresas de monumentalização da paisagem.

Descoberta, queda e restauro

O menir foi identificado em 1965, então caído e fraturado em duas partes — uma rutura que se admite poder remontar à época romana, talvez por iniciativa deliberada de desmantelamento de um símbolo pagão. Permaneceu deitado durante décadas, até que, nos anos noventa do século XX, uma intervenção arqueológica permitiu reunir os dois fragmentos e voltar a erguê-lo na posição original, devolvendo-lhe a verticalidade monumental que hoje impressiona quem o visita.

O monumento integra-se numa região particularmente rica em vestígios pré-históricos, onde abundam menires, antas e outras estátuas-menir e estelas que documentam a ocupação humana do interior alentejano ao longo de milénios. Esta concentração faz do território de Castelo de Vide um dos núcleos de referência da arte megalítica portuguesa.

Significado e classificação

Pela sua dimensão excecional, antiguidade e estado de conservação após o restauro, o Menir da Meada constitui um marco incontornável do património pré-histórico nacional. Encontra-se classificado como Monumento Nacional e situa-se dentro dos limites do Parque Natural da Serra de São Mamede, o que associa o seu valor cultural à proteção de um enquadramento paisagístico de grande qualidade.

A comparação com outros grandes monumentos isolados, como o célebre Menir dos Almendres, nos arredores de Évora, ajuda a situá-lo numa tradição mais ampla de megálitos de função provavelmente ritual e astronómica. No conjunto, estes monólitos revelam comunidades capazes de mobilizar recursos consideráveis para inscrever, na própria paisagem, as suas conceções sobre o tempo, a fertilidade e o sagrado.

Perguntas frequentes

Onde fica o Menir da Meada?
Fica cerca de doze quilómetros a norte da vila de Castelo de Vide, no distrito de Portalegre, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede.
Porque é famoso o Menir da Meada?
Com cerca de 7,5 metros de altura, é o maior menir da Península Ibérica e um dos mais antigos monumentos megalíticos da Europa, datado de cerca de 5000 a.C.
O Menir da Meada está classificado?
Sim, está classificado como Monumento Nacional, o mais alto grau de proteção do património cultural português.

Fontes

  1. Menir da Meada — Wikipédia
  2. Menir da Meada — Wikidata
  3. Menir da Meada, o mais antigo — National Geographic Portugal