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Mosteiro de Grijó

Mosteiro de São Salvador de Grijó, em Vila Nova de Gaia: casa de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho com igreja e claustro maneiristas.

Mosteiro de Grijó
Alvesgaspar, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

O Mosteiro de Grijó, também conhecido como Mosteiro de São Salvador de Grijó, é um antigo cenóbio de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho situado na localidade de Grijó, no concelho de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto. As suas origens remontam ao início do século X — a tradição aponta uma fundação em 922 por dois clérigos, Guterre e Ausindo Soares —, mas o conjunto que hoje se conserva resulta sobretudo da grande campanha de reconstrução iniciada no final do século XVI, que o tornou um dos exemplos mais notáveis da arquitetura maneirista no Norte de Portugal.

História e fundação

Após a fundação altomedieval, a comunidade adotou a regra de Santo Agostinho e, em 1112, transferiu-se para o local atual, onde a igreja do novo mosteiro foi sagrada em 1235. Ao longo da Idade Média, Grijó afirmou-se como importante casa regrante da região entre o Douro e o Vouga, beneficiando de doações régias e senhoriais. No início do século XVI o convento encontrava-se arruinado, o que motivou, em 1535, a tentativa de transferência da comunidade para a Serra de São Nicolau, em Gaia; o diferendo entre as duas casas só se resolveu em 1566, quando o papa Pio V as separou definitivamente.

A reconstrução do edifício decorreu então no local primitivo. As obras da nova igreja começaram em 1574, sob o priorado de D. Pedro do Salvador, segundo projeto atribuído a Francisco Velásquez, à época mestre de obras da Sé de Miranda do Douro. A empreitada prolongou-se pela primeira metade do século XVII, encerrando-se a abóbada do coro em 1629.

Igreja e claustro maneiristas

A fachada da igreja apresenta um modelo de tabernáculo que sublinha a verticalidade e a sobreposição de ordens arquitetónicas, numa ambiguidade tipicamente maneirista. O interior desenvolve-se em nave única coberta por abóbada de caixotões, com capelas laterais intercomunicantes dotadas de retábulos de talha; o arco triunfal é ladeado por pilastras coríntias e rematado por entablamento decorado. Este vocabulário insere a igreja na linguagem do maneirismo em Portugal, próxima da chamada arquitetura chã difundida por toda a região portuense.

Adossado à igreja ergue-se o claustro, de planta quadrada e dois registos — o inferior de ordem jónica e o superior de ordem coríntia —, concluído no virar do século XVI. Reveste-se de painéis de azulejo polícromo com figurações de apóstolos e doutores da Igreja, e ao centro conserva um chafariz de gosto flamengo ornado com mascarões e motivos de enrolamentos. Junto ao templo encontra-se ainda o túmulo gótico de D. Rodrigo Sanches, filho de D. Sancho I, com jacente saído de oficinas coimbrãs e considerado um dos mais antigos monumentos funerários portugueses deste tipo.

Classificação e visita

O túmulo de D. Rodrigo Sanches está classificado como Monumento Nacional desde 1910, enquanto o conjunto monástico foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1938. Grijó integra-se hoje nos roteiros do património monástico da região, a par de casas como o Mosteiro de Paço de Sousa, e é também ponto de passagem do Caminho Português de Santiago. A par de outros mosteiros do Norte, constitui um testemunho da longa presença dos cónegos regrantes e da renovação artística operada nos séculos XVI e XVII.

Perguntas frequentes

Onde fica o Mosteiro de Grijó?
Situa-se na localidade de Grijó, freguesia de Grijó e Sermonde, no concelho de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, a sul da cidade do Porto.
A que ordem religiosa pertencia o Mosteiro de Grijó?
Pertencia à Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, regra que a comunidade terá adotado já no século X.
Quem está sepultado no Mosteiro de Grijó?
Acolhe o túmulo de D. Rodrigo Sanches, filho de D. Sancho I, com jacente do século XIII, classificado como Monumento Nacional desde 1910.

Fontes

  1. Mosteiro de Grijó — Wikipédia
  2. SIPA — Mosteiro de Grijó / Mosteiro de São Salvador
  3. Rede de Mosteiros a Norte — Mosteiro de São Salvador de Grijó