- Início
- Tipologias do património edificado
- Mosteiros de Portugal
- Mosteiro de Salzedas
Monumentos
Mosteiro de Salzedas
O Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, em Tarouca, é um dos grandes cenóbios cistercienses do vale do Douro, do românico ao barroco.
- Localização
- Salzedas, Tarouca, Viseu
- Construção
- 1168 (igreja); claustro do séc. XVIII
- Estilo
- Românico a Barroco
Erguido no fundo de um vale recolhido a sul do Douro, na freguesia de Salzedas, concelho de Tarouca, o Mosteiro de Santa Maria de Salzedas foi um dos maiores cenóbios da Ordem de Cister no norte de Portugal. A sua história estende-se por mais de seiscentos anos de vida monástica, e a igreja que hoje subsiste é uma das leituras mais claras de como um edifício religioso atravessou, sem se apagar, do românico medieval ao barroco tardio.
Fundação e adoção da regra cisterciense
A origem do mosteiro liga-se à figura de Teresa Afonso, filha do conde Afonso Nunes de Celanova e viúva de Egas Moniz, o Aio, o célebre nobre da corte de D. Afonso Henriques. Foi ela quem doou as terras onde o cenóbio se implantaria, em meados do século XII. A comunidade primitiva seguia uma observância de matriz beneditina e só nas últimas décadas do século XII abraçou a regra de Cister, integrando-se na rede de casas brancas que se expandia então pelo reino, à semelhança do vizinho Mosteiro de São João de Tarouca, tido como o primeiro mosteiro cisterciense em território português.
A construção da igreja terá começado em 1168 e a sua sagração é datada de 1225, marcos que situam Salzedas no grande movimento construtivo românico que, no vale do Varosa e no Douro vinhateiro, deixou um conjunto notável de testemunhos monásticos.
A força de Salzedas não está numa única época, mas na forma como cada século reescreveu o edifício sem apagar por completo o anterior — o que faz dele um manual de pedra da arquitetura religiosa portuguesa.
Do românico ao barroco
Embora as raízes sejam medievais, a imagem atual do mosteiro deve muito às campanhas dos séculos XVII e XVIII, quando o cenóbio foi largamente ampliado. Desse período destaca-se um novo e monumental claustro, cujo traço é tradicionalmente atribuído ao arquiteto maltês Carlo Gimach, e a fachada da igreja, com as suas torres laterais que ficaram por concluir. No interior, o programa decorativo barroco reuniu alguns dos nomes maiores da pintura portuguesa: conservam-se painéis associados a Vasco Fernandes, o Grão Vasco, e um ciclo de pintura dedicado a São Bento e São Bernardo, patriarcas da espiritualidade beneditina e cisterciense.
Esta acumulação de campanhas faz de Salzedas um caso exemplar dentro da arquitetura românica em Portugal e da sua continuidade barroca, permitindo ler, num mesmo conjunto, a sobriedade cisterciense original e a exuberância da reforma moderna.
Extinção, ruína e renascimento
A extinção das ordens religiosas, decretada em 1834, atingiu duramente o mosteiro. A igreja passou a servir de paroquial e boa parte das dependências monásticas foi vendida a particulares, iniciando-se um longo período de degradação. Só no final do século XX o conjunto recuperou estatuto e atenção: foi classificado como Monumento Nacional em 1997 e, a partir de 2002, o Estado português lançou um programa progressivo de restauro dos edifícios e do seu espólio.
A integração de Salzedas, em 2009, no Projeto Vale do Varosa — que articula vários monumentos da região, com cabeça nos polos de Tarouca e na cidade episcopal de Lamego — permitiu a abertura do espaço ao público em 2011, com núcleo museológico. Hoje, o mosteiro é uma das estações maiores das rotas de Cister em Portugal, oferecendo ao visitante não um edifício congelado numa época, mas o testemunho vivo de uma comunidade que moldou a paisagem e a economia deste recanto do Douro durante quase sete séculos.
Perguntas frequentes
- Quem fundou o Mosteiro de Salzedas?
- A fundação está ligada a Teresa Afonso, viúva de Egas Moniz, o Aio, que doou o terreno em meados do século XII. A comunidade, inicialmente de matriz beneditina, adotou a regra cisterciense no final desse século.
- O mosteiro pode ser visitado?
- Sim. Após o restauro promovido pelo Estado e a integração no Projeto Vale do Varosa, o conjunto abriu ao público em 2011, com núcleo museológico e visita à igreja e dependências.
- Que estilos arquitetónicos coexistem em Salzedas?
- O conjunto documenta a passagem do românico do século XII ao barroco dos séculos XVII e XVIII, incluindo um claustro setecentista atribuído ao traço do arquiteto maltês Carlo Gimach.
Fontes
Relacionado
mosteirosMosteiro de São João de TaroucaO Mosteiro de São João de Tarouca, no vale do Varosa, foi o primeiro cenóbio cisterciense fundado em território português, no concelho de Tarouca.
recursosRotas de Cister em PortugalItinerários da Rota de Cister em Portugal, ligando mosteiros cistercienses de Alcobaça a São João de Tarouca e Salzedas, no Douro e na Beira.
periodosArquitetura e Arte Românica em PortugalO românico em Portugal (séculos XI-XIII): sés, mosteiros e igrejas de Coimbra, Braga e do Vale do Sousa, entre a Reconquista e a reforma de Cluny.
lugaresLamegoLamego, cidade histórica do distrito de Viseu, no Douro: antigo bispado, Sé medieval, castelo e o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.
unesco culturalAlto Douro VinhateiroO Alto Douro Vinhateiro, paisagem cultural de socalcos no vale do Douro inscrita pela UNESCO em 2001, berço do vinho do Porto há mais de dois milénios.
mosteirosConvento de MafraConvento franciscano de Mafra, parte do monumental conjunto barroco joanino de D. João V, com basílica e célebre biblioteca, em Mafra, distrito de Lisboa.