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Mosteiro de Salzedas

O Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, em Tarouca, é um dos grandes cenóbios cistercienses do vale do Douro, do românico ao barroco.

Mosteiro de Salzedas
Joseolgon, CC BY 4.0 — Wikimedia Commons

Erguido no fundo de um vale recolhido a sul do Douro, na freguesia de Salzedas, concelho de Tarouca, o Mosteiro de Santa Maria de Salzedas foi um dos maiores cenóbios da Ordem de Cister no norte de Portugal. A sua história estende-se por mais de seiscentos anos de vida monástica, e a igreja que hoje subsiste é uma das leituras mais claras de como um edifício religioso atravessou, sem se apagar, do românico medieval ao barroco tardio.

Fundação e adoção da regra cisterciense

A origem do mosteiro liga-se à figura de Teresa Afonso, filha do conde Afonso Nunes de Celanova e viúva de Egas Moniz, o Aio, o célebre nobre da corte de D. Afonso Henriques. Foi ela quem doou as terras onde o cenóbio se implantaria, em meados do século XII. A comunidade primitiva seguia uma observância de matriz beneditina e só nas últimas décadas do século XII abraçou a regra de Cister, integrando-se na rede de casas brancas que se expandia então pelo reino, à semelhança do vizinho Mosteiro de São João de Tarouca, tido como o primeiro mosteiro cisterciense em território português.

A construção da igreja terá começado em 1168 e a sua sagração é datada de 1225, marcos que situam Salzedas no grande movimento construtivo românico que, no vale do Varosa e no Douro vinhateiro, deixou um conjunto notável de testemunhos monásticos.

A força de Salzedas não está numa única época, mas na forma como cada século reescreveu o edifício sem apagar por completo o anterior — o que faz dele um manual de pedra da arquitetura religiosa portuguesa.

Do românico ao barroco

Embora as raízes sejam medievais, a imagem atual do mosteiro deve muito às campanhas dos séculos XVII e XVIII, quando o cenóbio foi largamente ampliado. Desse período destaca-se um novo e monumental claustro, cujo traço é tradicionalmente atribuído ao arquiteto maltês Carlo Gimach, e a fachada da igreja, com as suas torres laterais que ficaram por concluir. No interior, o programa decorativo barroco reuniu alguns dos nomes maiores da pintura portuguesa: conservam-se painéis associados a Vasco Fernandes, o Grão Vasco, e um ciclo de pintura dedicado a São Bento e São Bernardo, patriarcas da espiritualidade beneditina e cisterciense.

Esta acumulação de campanhas faz de Salzedas um caso exemplar dentro da arquitetura românica em Portugal e da sua continuidade barroca, permitindo ler, num mesmo conjunto, a sobriedade cisterciense original e a exuberância da reforma moderna.

Extinção, ruína e renascimento

A extinção das ordens religiosas, decretada em 1834, atingiu duramente o mosteiro. A igreja passou a servir de paroquial e boa parte das dependências monásticas foi vendida a particulares, iniciando-se um longo período de degradação. Só no final do século XX o conjunto recuperou estatuto e atenção: foi classificado como Monumento Nacional em 1997 e, a partir de 2002, o Estado português lançou um programa progressivo de restauro dos edifícios e do seu espólio.

A integração de Salzedas, em 2009, no Projeto Vale do Varosa — que articula vários monumentos da região, com cabeça nos polos de Tarouca e na cidade episcopal de Lamego — permitiu a abertura do espaço ao público em 2011, com núcleo museológico. Hoje, o mosteiro é uma das estações maiores das rotas de Cister em Portugal, oferecendo ao visitante não um edifício congelado numa época, mas o testemunho vivo de uma comunidade que moldou a paisagem e a economia deste recanto do Douro durante quase sete séculos.

Perguntas frequentes

Quem fundou o Mosteiro de Salzedas?
A fundação está ligada a Teresa Afonso, viúva de Egas Moniz, o Aio, que doou o terreno em meados do século XII. A comunidade, inicialmente de matriz beneditina, adotou a regra cisterciense no final desse século.
O mosteiro pode ser visitado?
Sim. Após o restauro promovido pelo Estado e a integração no Projeto Vale do Varosa, o conjunto abriu ao público em 2011, com núcleo museológico e visita à igreja e dependências.
Que estilos arquitetónicos coexistem em Salzedas?
O conjunto documenta a passagem do românico do século XII ao barroco dos séculos XVII e XVIII, incluindo um claustro setecentista atribuído ao traço do arquiteto maltês Carlo Gimach.

Fontes

  1. Mosteiro de Santa Maria de Salzedas — Wikipédia
  2. Rota de Cister — Mosteiro de Santa Maria de Salzedas
  3. Bilheteira Património Cultural, I.P. — Mosteiro de Santa Maria de Salzedas