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Museu Nacional de Arqueologia
O Museu Nacional de Arqueologia, fundado em 1893 por Leite de Vasconcelos no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, Lisboa: referência da arqueologia.
Na ala ocidental do Mosteiro dos Jerónimos, por onde se entra deixando para trás o claustro e o túmulo de Vasco da Gama, abre-se um museu menos célebre do que o monumento que o aloja, mas decisivo para a forma como Portugal pensa o seu passado mais remoto. O Museu Nacional de Arqueologia é a mais antiga e mais completa instituição dedicada à arqueologia portuguesa — guarda objetos provenientes de mais de três mil sítios e cobre, sem solução de continuidade, mais de meio milhão de anos de ocupação humana da Península Ibérica.
Um museu nascido de uma ideia
O museu deve a sua existência a um homem e a um projeto. José Leite de Vasconcelos (1858–1941) — filólogo, etnógrafo e arqueólogo — concebeu-o como um Museu do Homem Português: não uma coleção de antiguidades belas, mas um arquivo material da identidade nacional, desde a pré-história até às tradições rurais do seu tempo. Por decreto régio de 20 de dezembro de 1893, subscrito pelos ministros Bernardino Machado e João Franco, nasceu o Museu Etnográfico Português, de que Leite de Vasconcelos seria diretor até à morte.
A instituição teve começos modestos. Instalou-se primeiro numa sala cedida pela Comissão Geológica, na Academia das Ciências de Lisboa, e só em 1900 foi afetada ao Mosteiro dos Jerónimos. Ocupou o espaço a partir de 1903 e abriu portas a 22 de abril de 1906. O corpo que o alberga — a ala ocidental, de traça neomanuelina — fora acrescentado ao mosteiro no século XIX, num gesto historicista que prolongava a gramática manuelina original.
Leite de Vasconcelos quis um museu que fosse, ao mesmo tempo, laboratório e arquivo: o lugar onde a arqueologia portuguesa se constituiria como disciplina científica, e não apenas como coleção de curiosidades.
Coleções de meio milhão de anos
O acervo formou-se a partir das recolhas do próprio fundador e da coleção de Estácio da Veiga, pioneiro da arqueologia algarvia, e cresceu ao longo de um século de escavações e doações. Hoje destacam-se a maior coleção de escultura clássica e de mosaicos romanos existente em Portugal, um tesouro de ourivesaria que reúne peças do Calcolítico à Idade do Ferro, vasta epigrafia latina, um monetário com dezenas de milhar de moedas — sobretudo romanas — e um núcleo notável de antiguidades egípcias.
A par destes conjuntos, o museu conserva coleções de etnografia portuguesa e africana que prolongam a visão totalizante do fundador. Por isso, mais do que um repositório de objetos, o Museu Nacional de Arqueologia funciona como uma síntese material do território: as ânforas que documentam as rotas comerciais romanas, as estelas epigrafadas, as placas de xisto do Neolítico ou os exemplares de arte rupestre dialogam com o que se descobre, ainda hoje, no terreno.
Um lugar na história das instituições
A trajetória do museu acompanha a própria história das instituições do património em Portugal. Sucessivas tutelas e reorganizações administrativas mudaram-lhe a designação — desde 1989 acrescenta ao nome a homenagem ao fundador, Museu Nacional de Arqueologia do Dr. Leite de Vasconcelos — sem alterar a sua centralidade na rede de museus nacionais. Continua a ser, simultaneamente, espaço de exposição, centro de investigação e depositário legal de espólios arqueológicos, papel que poucas instituições portuguesas acumulam com igual antiguidade.
Visitá-lo é, em boa medida, atravessar a memória de como o país aprendeu a ler os seus vestígios. Entre a pedra manuelina e as vitrinas, o Museu Nacional de Arqueologia mantém viva a aposta original de Leite de Vasconcelos: a de que conhecer um povo começa por escavar o chão que ele habitou.
Perguntas frequentes
- Quando foi fundado o Museu Nacional de Arqueologia?
- Foi criado por decreto régio de 20 de dezembro de 1893, sob proposta de José Leite de Vasconcelos. Inicialmente designado Museu Etnográfico Português, abriu ao público no Mosteiro dos Jerónimos a 22 de abril de 1906.
- Onde fica o Museu Nacional de Arqueologia?
- Ocupa a ala ocidental do Mosteiro dos Jerónimos, na Praça do Império, em Belém, Lisboa, num corpo de traça neomanuelina acrescentado ao conjunto no século XIX.
- O que se pode ver no museu?
- Reúne coleções que abrangem mais de 500 mil anos de história da Península Ibérica, incluindo a maior coleção de mosaicos romanos e de escultura clássica do país, ourivesaria antiga, epigrafia, numismática e antiguidades egípcias.