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Museu Nacional de Arqueologia

O Museu Nacional de Arqueologia, fundado em 1893 por Leite de Vasconcelos no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, Lisboa: referência da arqueologia.

Museu Nacional de Arqueologia
Pedro Ribeiro Simões from Lisboa, Portugal, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons

Na ala ocidental do Mosteiro dos Jerónimos, por onde se entra deixando para trás o claustro e o túmulo de Vasco da Gama, abre-se um museu menos célebre do que o monumento que o aloja, mas decisivo para a forma como Portugal pensa o seu passado mais remoto. O Museu Nacional de Arqueologia é a mais antiga e mais completa instituição dedicada à arqueologia portuguesa — guarda objetos provenientes de mais de três mil sítios e cobre, sem solução de continuidade, mais de meio milhão de anos de ocupação humana da Península Ibérica.

Um museu nascido de uma ideia

O museu deve a sua existência a um homem e a um projeto. José Leite de Vasconcelos (1858–1941) — filólogo, etnógrafo e arqueólogo — concebeu-o como um Museu do Homem Português: não uma coleção de antiguidades belas, mas um arquivo material da identidade nacional, desde a pré-história até às tradições rurais do seu tempo. Por decreto régio de 20 de dezembro de 1893, subscrito pelos ministros Bernardino Machado e João Franco, nasceu o Museu Etnográfico Português, de que Leite de Vasconcelos seria diretor até à morte.

A instituição teve começos modestos. Instalou-se primeiro numa sala cedida pela Comissão Geológica, na Academia das Ciências de Lisboa, e só em 1900 foi afetada ao Mosteiro dos Jerónimos. Ocupou o espaço a partir de 1903 e abriu portas a 22 de abril de 1906. O corpo que o alberga — a ala ocidental, de traça neomanuelina — fora acrescentado ao mosteiro no século XIX, num gesto historicista que prolongava a gramática manuelina original.

Leite de Vasconcelos quis um museu que fosse, ao mesmo tempo, laboratório e arquivo: o lugar onde a arqueologia portuguesa se constituiria como disciplina científica, e não apenas como coleção de curiosidades.

Coleções de meio milhão de anos

O acervo formou-se a partir das recolhas do próprio fundador e da coleção de Estácio da Veiga, pioneiro da arqueologia algarvia, e cresceu ao longo de um século de escavações e doações. Hoje destacam-se a maior coleção de escultura clássica e de mosaicos romanos existente em Portugal, um tesouro de ourivesaria que reúne peças do Calcolítico à Idade do Ferro, vasta epigrafia latina, um monetário com dezenas de milhar de moedas — sobretudo romanas — e um núcleo notável de antiguidades egípcias.

A par destes conjuntos, o museu conserva coleções de etnografia portuguesa e africana que prolongam a visão totalizante do fundador. Por isso, mais do que um repositório de objetos, o Museu Nacional de Arqueologia funciona como uma síntese material do território: as ânforas que documentam as rotas comerciais romanas, as estelas epigrafadas, as placas de xisto do Neolítico ou os exemplares de arte rupestre dialogam com o que se descobre, ainda hoje, no terreno.

Um lugar na história das instituições

A trajetória do museu acompanha a própria história das instituições do património em Portugal. Sucessivas tutelas e reorganizações administrativas mudaram-lhe a designação — desde 1989 acrescenta ao nome a homenagem ao fundador, Museu Nacional de Arqueologia do Dr. Leite de Vasconcelos — sem alterar a sua centralidade na rede de museus nacionais. Continua a ser, simultaneamente, espaço de exposição, centro de investigação e depositário legal de espólios arqueológicos, papel que poucas instituições portuguesas acumulam com igual antiguidade.

Visitá-lo é, em boa medida, atravessar a memória de como o país aprendeu a ler os seus vestígios. Entre a pedra manuelina e as vitrinas, o Museu Nacional de Arqueologia mantém viva a aposta original de Leite de Vasconcelos: a de que conhecer um povo começa por escavar o chão que ele habitou.

Perguntas frequentes

Quando foi fundado o Museu Nacional de Arqueologia?
Foi criado por decreto régio de 20 de dezembro de 1893, sob proposta de José Leite de Vasconcelos. Inicialmente designado Museu Etnográfico Português, abriu ao público no Mosteiro dos Jerónimos a 22 de abril de 1906.
Onde fica o Museu Nacional de Arqueologia?
Ocupa a ala ocidental do Mosteiro dos Jerónimos, na Praça do Império, em Belém, Lisboa, num corpo de traça neomanuelina acrescentado ao conjunto no século XIX.
O que se pode ver no museu?
Reúne coleções que abrangem mais de 500 mil anos de história da Península Ibérica, incluindo a maior coleção de mosaicos romanos e de escultura clássica do país, ourivesaria antiga, epigrafia, numismática e antiguidades egípcias.

Fontes

  1. Museu Nacional de Arqueologia — História (sítio oficial)
  2. Museu Nacional de Arqueologia — Wikipédia
  3. Museus e Monumentos de Portugal — Museu Nacional de Arqueologia