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Museu Nacional de Soares dos Reis
O Museu Nacional de Soares dos Reis, no Palácio dos Carrancas, no Porto, é o mais antigo museu público de arte de Portugal, fundado em 1833.
O Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, é o mais antigo museu público de arte de Portugal. As suas raízes remontam a 1833, quando, em plena Guerra Civil e no rescaldo do cerco do Porto, D. Pedro, Duque de Bragança, mandou organizar o Museu Portuense de Pinturas e Estampas, também conhecido como Ateneu D. Pedro IV. O núcleo inicial reuniu obras de arte sacra provenientes dos conventos extintos e bens confiscados aos partidários do absolutismo, instalando-se no antigo Convento de Santo António da Cidade.
Em 1911, já sob a República, a instituição assumiu o nome do escultor portuense António Soares dos Reis, incorporando um importante conjunto da sua obra. Entre as peças então reunidas destacava-se O Desterrado (1872), figura masculina em mármore que se tornou a imagem de marca do museu e um dos cumes da escultura naturalista portuguesa do século XIX.
Do Convento ao Palácio dos Carrancas
A transferência para a sede atual deu-se em 1940-1942, quando o Estado adquiriu o Palácio dos Carrancas à Santa Casa da Misericórdia do Porto. O edifício, de traça neoclássica, começara a ser erguido em 1795 por encomenda da abastada família Morais e Castro — cristãos-novos com privilégio régio para o fabrico de galões de ouro —, conjugando residência e fábrica. A sua linguagem sóbria e monumental é frequentemente atribuída ao arquiteto Joaquim da Costa Lima Sampaio, e inscreve-se na tradição dos grandes palácios urbanos que marcaram a expansão setecentista da cidade.
Poucos edifícios portuenses condensam tanta História: o Palácio dos Carrancas foi quartel-general do marechal Soult durante a ocupação napoleónica de 1809 e, mais tarde, residência ocasional da família real, antes de se converter em museu.
A adaptação do palácio a equipamento museológico foi conduzida pelo arquiteto Fernandes de Sá, que transformou as antigas oficinas fabris numa galeria de pintura iluminada por clarabóias. O museu reabriu em 1942 já com o estatuto de museu nacional.
Coleções e vocação
O acervo ultrapassa as dezoito mil peças e cobre pintura, escultura, ourivesaria, cerâmica, mobiliário, gravura e arqueologia, do século XVI à contemporaneidade. A pintura portuguesa do século XIX está particularmente bem representada, com Henrique Pousão, Silva Porto, Marques de Oliveira e António Carneiro, a par de um notável conjunto de artes decorativas portuguesas que inclui faiança, vidro e talha. A escultura de Soares dos Reis e do seu discípulo Teixeira Lopes confere coerência ao discurso expositivo.
Renovação e lugar na rede museológica
Entre 1988 e 2001, o arquiteto Fernando Távora dirigiu uma profunda campanha de modernização e ampliação, que dotou o museu de reservas, áreas técnicas e novos percursos sem desvirtuar a estrutura histórica do palácio. A intervenção tornou-se uma referência da museografia portuguesa e da chamada Escola do Porto.
Classificado e integrado no sistema dos museus nacionais de Portugal, o Museu Nacional de Soares dos Reis ocupa lugar central na história das instituições do património nacional. Pela sua antiguidade, pela riqueza das coleções e pela qualidade arquitetónica da sede, continua a ser uma das principais referências culturais da cidade do Porto e do Norte do país.
Perguntas frequentes
- Porque é considerado o mais antigo museu público de arte de Portugal?
- Foi criado em 1833, por iniciativa de D. Pedro, Duque de Bragança, como Museu Portuense, sendo o primeiro museu público de arte do país.
- Onde está instalado o museu?
- No Palácio dos Carrancas, na Rua de D. Manuel II, no Porto, um edifício neoclássico do final do século XVIII para onde o museu se transferiu em 1942.
- Qual é a obra mais emblemática do acervo?
- A escultura em mármore O Desterrado, de António Soares dos Reis, de 1872, que dá nome à instituição desde 1911.