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Museu Nacional dos Coches
O Museu Nacional dos Coches, em Belém, Lisboa, reúne a mais notável coleção mundial de viaturas de gala da Casa Real portuguesa, dos séculos XVI a XIX.
O Museu Nacional dos Coches guarda, em Belém, aquela que é considerada a mais notável coleção de viaturas de gala do mundo. Reúne coches, berlindas, seges, liteiras e carruagens de aparato dos séculos XVI a XIX, na sua maioria oriundos das cavalariças da Casa Real portuguesa e de outras casas nobres e eclesiásticas europeias. É, simultaneamente, um dos museus mais visitados de Portugal e um documento excecional sobre a história do transporte, da arte decorativa e da representação do poder.
Origem real e o Picadeiro de Belém
O museu nasceu em 1905 por iniciativa da rainha D. Amélia de Orleães e Bragança, que, atenta ao valor patrimonial das viaturas régias então dispersas e em risco, decidiu reuni-las, conservá-las e abri-las ao público. O “Museu dos Coches Reaes” foi inaugurado a 23 de maio de 1905, no salão do antigo Picadeiro Real, espaço neoclássico erguido no final do século XVIII junto ao Palácio de Belém. A escolha do local não foi fortuita: o picadeiro estava ligado à tradição equestre da corte, tema que continua vivo na cultura portuguesa, como se documenta na história da arte equestre em Portugal.
Foi o primeiro museu do mundo inteiramente dedicado a coches — uma decisão pioneira que transformou objetos de uso cerimonial em testemunhos museológicos.
A instalação no antigo picadeiro implicou a adaptação do salão por arquitetos e artistas da época, que dotaram o espaço de uma decoração pictórica condizente com o caráter solene da coleção. Durante mais de um século, este interior abobadado foi a imagem de marca do museu.
O novo edifício de 2015
O crescimento da coleção e as exigências de conservação tornaram o picadeiro insuficiente. Em 2015 o museu mudou-se para um novo edifício na Avenida da Índia, projetado pelo arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha (Prémio Pritzker em 2006), em parceria com Ricardo Bak Gordon e o engenheiro Rui Furtado. A nova sede, em betão à vista e suspensa sobre pilotis, oferece uma vasta galeria contínua que permite observar as viaturas de perto e em condições ambientais controladas. O antigo Picadeiro Real mantém-se como núcleo do museu, preservando a memória da sua fundação.
A relação do edifício com a frente ribeirinha integra-o no notável conjunto monumental de Belém, a poucos passos do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém, ambos classificados como Património Mundial.
Significado e papel institucional
A coleção, com cerca de 9000 objetos, abrange viaturas de extraordinária qualidade artística, entre as quais os célebres coches barrocos da embaixada de D. João V a Roma, autênticas esculturas douradas sobre rodas. A par das carruagens, o acervo inclui arreios, fardamentos, instrumentos musicais de corte e retratos, formando um conjunto que documenta o cerimonial régio europeu.
Como instituição tutelada pelo Estado, o museu integra a rede dos museus nacionais de Portugal e ocupa lugar central na história da musealização do património português, tema aprofundado na história das instituições do património. A sua criação em 1905 antecipou, em várias décadas, muitas das políticas públicas de salvaguarda do património móvel, fazendo do Museu Nacional dos Coches um marco fundador da museologia em Portugal.
Perguntas frequentes
- Quem fundou o Museu Nacional dos Coches?
- O museu foi criado por iniciativa da rainha D. Amélia de Orleães e Bragança, que reuniu as viaturas de gala da Casa Real para as salvaguardar e abrir ao público. Inaugurou a 23 de maio de 1905, no antigo Picadeiro Real de Belém.
- Onde fica o Museu Nacional dos Coches?
- Situa-se em Belém, Lisboa. Desde 2015 ocupa um novo edifício na Avenida da Índia, junto ao antigo Picadeiro Real, que continua a integrar o percurso museológico.
- O que se pode ver no museu?
- Uma coleção única no mundo, com cerca de 9000 objetos, sobretudo coches, berlindas, seges e liteiras de aparato dos séculos XVI a XIX, além de arreios, fardamentos e acessórios de cavalaria.