Monumentos
Palácio da Brejoeira
Palácio da Brejoeira, em Monção: solar neoclássico do Alto Minho rodeado de vinhas de Alvarinho, Monumento Nacional desde 1910.
O Palácio da Brejoeira é um dos mais notáveis solares senhoriais do Alto Minho, erguido na freguesia de Pinheiros, concelho de Monção, junto ao rio Minho e à fronteira galega. Rodeado por uma vasta cinta de muralhas e por uma propriedade onde se cultiva o célebre vinho de casta Alvarinho, o conjunto constitui um raro exemplo de arquitetura neoclássica civil no extremo noroeste de Portugal. Foi classificado como Monumento Nacional em 1910, na primeira grande vaga de classificações do património português.
História e construção
A edificação foi mandada erguer no início do século XIX por Luís Pereira Velho de Moscoso (1767–1837), fidalgo da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo, sobre uma antiga propriedade rústica conhecida como Quinta do Vale da Rosa. O topónimo Brejoeira deriva, segundo a tradição, das terras alagadiças — brejos — que integravam o domínio. As obras prolongaram-se até cerca de 1834, num período conturbado marcado pelas invasões francesas e pelas guerras liberais, o que explica a longa duração do estaleiro.
No início do século XX, por volta de 1901, a propriedade foi objeto de uma importante campanha de restauro promovida por Pedro Maria da Fonseca Araújo, que valorizou os interiores e os jardins. Em 1937 a quinta passou para a família Oliveira Paes, à qual se deve a vocação vitivinícola que hoje a celebriza. Mais recentemente, em 2025, o conjunto foi adquirido pela família Mirpuri.
Arquitetura e interiores
O palácio desenvolve-se em planta em forma de “L” e é tradicionalmente atribuído a Carlos Amarante, um dos arquitetos mais influentes do Norte de Portugal na transição do barroco para o neoclassicismo, embora a autoria seja debatida. A fachada principal, sóbria e simétrica, organiza-se em torno de um corpo central encimado por frontão, articulando-se com torreões que conferem monumentalidade ao conjunto. Sobre a linguagem neoclássica predominante sobrepõem-se ainda ornatos de gosto rococó, reveladores da persistência das tradições decorativas setecentistas.
No interior conservam-se salões faustosos com pinturas, frescos e mobiliário de época, a que se juntam uma capela e um pequeno teatro de inspiração classicista, marcado por colunas caneladas — elemento invulgar num solar rural minhoto. Os jardins, com magnólias seculares e percursos arborizados, completam um programa que aproxima a Brejoeira dos grandes paços de recreio portugueses, como o Palácio de Mateus, em Vila Real.
A vinha e o Alvarinho
A partir de 1974 foi construída uma adega moderna e, em 1976, foi lançado o vinho “Palácio da Brejoeira”, que rapidamente se tornou uma referência da casta Alvarinho, na sub-região de Monção e Melgaço. A associação entre o monumento e a viticultura de excelência integra a Brejoeira na longa tradição de paisagens vinhateiras do Norte, como a do Alto Douro Vinhateiro. Hoje aberto a visitas guiadas, o palácio insere-se no roteiro dos grandes solares da região Norte, conjugando interesse arquitetónico, histórico e enológico.
Perguntas frequentes
- Onde fica o Palácio da Brejoeira?
- Situa-se na freguesia de Pinheiros, no concelho de Monção, distrito de Viana do Castelo, no Alto Minho, junto à fronteira com a Galiza.
- Porque é famoso o vinho do Palácio da Brejoeira?
- A quinta produz desde 1976 um dos mais reputados vinhos da casta Alvarinho, na sub-região de Monção e Melgaço da Denominação de Origem Vinho Verde.
- É possível visitar o Palácio da Brejoeira?
- Sim. O palácio abriu ao público em 2010 e oferece visitas guiadas ao edifício, à capela, aos jardins e à adega, com prova de vinhos.