Monumentos
Palácio Foz (Lisboa)
Palácio Foz, antigo Palácio Castelo Melhor, na Praça dos Restauradores em Lisboa: residência aristocrática neoclássica de interiores ecléticos e luxuosos.
O Palácio Foz, originalmente conhecido como Palácio Castelo Melhor, é uma residência aristocrática oitocentista situada no lado poente da Praça dos Restauradores, no coração de Lisboa. Com a sua imponente fachada neoclássica e interiores de notável riqueza decorativa, constitui um dos exemplos mais bem conservados da arquitetura palaciana urbana da capital. Está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1971.
História
As origens do palácio remontam ao início do século XVIII, quando os condes de Castelo Melhor adquiriram, na então periferia da cidade, terrenos onde existia uma capela quinhentista. A construção que aqui se desenvolveu foi gravemente atingida pelo terramoto de 1755, à semelhança de grande parte de Lisboa, abrindo caminho a sucessivas campanhas de reedificação.
A configuração atual resulta sobretudo das obras encomendadas a partir de 1792 pelo 2.º Marquês de Castelo Melhor, sob direção do arquiteto Francisco Xavier Fabri, figura central do neoclassicismo português. Uma nova fase, iniciada em 1845 por ordem do 4.º Marquês, prolongou os trabalhos até 1858 e fixou a linguagem clássica e equilibrada que ainda hoje define o conjunto.
Em 1889, o edifício foi comprado por Tristão Guedes Correia de Queirós, 1.º Marquês da Foz, financeiro e empresário ligado a grandes empreendimentos da Lisboa da Regeneração. Foi ele quem deu ao palácio o nome por que ficou conhecido e quem mandou enriquecer os interiores, contratando o arquiteto José António Gaspar para campanhas decorativas de grande aparato.
Arquitetura e interiores
A fachada principal, organizada com sobriedade clássica, articula-se em vários pisos rasgados por janelas regulares e rematados por elementos escultóricos. O contraste entre esta contenção exterior e a exuberância dos espaços interiores é uma das características mais marcantes do palácio.
No interior destacam-se salões revestidos a mármores, espelhos, estuques dourados, pinturas e tetos trabalhados, num programa decorativo de gosto ecléctico que combina referências barrocas, rococó e neoclássicas. A escadaria de honra, os salões de festas e as salas de aparato traduzem o luxo da elite lisboeta de finais de Oitocentos, num registo comparável ao de outras residências nobres da cidade documentadas no panorama dos palácios urbanos portugueses.
Usos e significado
Após o declínio financeiro do Marquês da Foz, o edifício conheceu funções diversas, incluindo restaurantes e cinema nas primeiras décadas do século XX. Em 1940 foi adquirido pelo Estado para instalar o Secretariado da Propaganda Nacional, dirigido por António Ferro, passando o palácio a desempenhar um papel relevante na política cultural do Estado Novo.
Atualmente o Palácio Foz acolhe serviços públicos e instituições de natureza cultural e informativa, mantendo-se como espaço de visitação e de eventos. A sua localização, em frente ao Palácio de São Bento enquanto referência institucional da cidade, e a sua integração no tecido monumental lisboeta fazem dele um testemunho privilegiado da Lisboa aristocrática e da memória dos paços e residências senhoriais portugueses.
Perguntas frequentes
- Onde fica o Palácio Foz?
- Situa-se no lado poente da Praça dos Restauradores, junto à Baixa, no centro de Lisboa.
- Porque se chama Palácio Foz?
- Deve o nome a Tristão Guedes Correia de Queirós, 1.º Marquês da Foz, que o adquiriu em 1889. Antes era conhecido como Palácio Castelo Melhor.
- Pode visitar-se o Palácio Foz?
- O edifício alberga serviços públicos e acolhe visitas e iniciativas culturais, embora o acesso aos interiores dependa da programação e dos trabalhos de reabilitação em curso.