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Rota do Vinho do Dão
A Rota do Vinho do Dão percorre a região demarcada da Beira Alta, terra da Touriga Nacional e do Encruzado, entre quintas e adegas, com sede em Viseu.
A Rota do Vinho do Dão é um itinerário de enoturismo que organiza a oferta cultural e vitivinícola de uma das regiões mais prestigiadas de Portugal, frequentemente apelidada de “Borgonha portuguesa”. Situada no coração da Beira Alta, a Região Demarcada do Dão estende-se por um anfiteatro natural protegido pelas serras do Caramulo, do Buçaco, da Nave e da Estrela, num planalto de solos graníticos e acentuada amplitude térmica que confere aos vinhos elegância, frescura e notável potencial de guarda. A Rota foi formalizada por protocolo em 20 de setembro de 1995 e inaugurada em 1998, com dezassete membros iniciais.
Território e identidade vínica
A Região Demarcada do Dão foi instituída por carta de lei de 18 de setembro de 1908, tornando-se a primeira região portuguesa de vinhos não licorosos a ser demarcada e regulamentada — depois da pioneira demarcação do Douro. O território abrange dezasseis concelhos dos distritos de Viseu, Guarda e Coimbra, incluindo Viseu, Mangualde, Nelas, Carregal do Sal, Tondela, Penalva do Castelo e Santa Comba Dão.
A casta tinta Touriga Nacional, considerada nativa desta região, é o grande emblema: origina vinhos encorpados, de aromas intensos e taninos nobres, aptos para longo envelhecimento. Acompanham-na a Jaen, o Alfrocheiro, a Rufete e a Tinta Roriz. Nos brancos sobressai o Encruzado, casta de rara aptidão para estágio, a par do Bical (Borrado das Moscas), do Cercial e da Malvasia-Fina. A Rota integra-se no conjunto das rotas dos vinhos de Portugal e estabelece diálogo, a poente, com a vizinha Rota dos Vinhos da Bairrada.
Um percurso entre quintas e adegas
A sede e centro de acolhimento da Rota funcionam no Solar do Vinho do Dão, instalado no antigo Paço Episcopal do Fontelo, em Viseu — residência de vilegiatura dos bispos da diocese desde a Idade Média —, reabilitado e inaugurado em 2004 como Welcome Center e sede da Comissão Vitivinícola Regional do Dão. O edifício, com salas de prova, mediateca e espaço expositivo, encontra-se a curta distância do núcleo monumental da cidade, dominado pela Sé de Viseu e pelo conjunto do Adro da Sé.
A Rota organiza-se em cinco roteiros temáticos — Terras de Viseu, Terras de Azurara e Castendo, Terras de Besteiros, Terras de Alva e Terras da Serra da Estrela — que articulam quintas, adegas cooperativas e casas históricas.
Ao percorrer estes roteiros, o visitante atravessa uma paisagem de pequenas vinhas dispostas entre afloramentos graníticos, aldeias e quintas centenárias, muitas delas casas senhoriais de origem agrícola que hoje conjugam produção de vinho, prova comentada e alojamento. A experiência cruza-se naturalmente com a gastronomia regional — o vitelo e os enchidos da Beira, os queijos da Serra da Estrela — e com a participação nas vindimas de setembro.
Cultura, território e enoturismo
Mais do que um circuito turístico, a Rota do Vinho do Dão funciona como instrumento de valorização do território, articulando produtores, autarquias e estruturas de turismo em torno de um produto de origem com denominação DOC. Tal como sucede no Alto Douro Vinhateiro, a paisagem da vinha surge aqui indissociável de um património construído e de uma identidade cultural, ligando o saber-fazer da Touriga Nacional e do Encruzado à história de uma das mais antigas regiões demarcadas da Europa.
Perguntas frequentes
- Onde fica a sede da Rota do Vinho do Dão?
- A sede e centro de acolhimento funcionam no Solar do Vinho do Dão, instalado no antigo Paço Episcopal do Fontelo, em Viseu, que é também sede da Comissão Vitivinícola Regional do Dão.
- Que castas caracterizam os vinhos do Dão?
- Nos tintos destaca-se a Touriga Nacional, acompanhada por Jaen, Alfrocheiro, Rufete e Tinta Roriz (Aragonez). Nos brancos sobressai o Encruzado, a par do Bical, Cercial e Malvasia-Fina.
- Quando foi demarcada a região do Dão?
- A Região Demarcada do Dão foi instituída por carta de lei de 18 de setembro de 1908, sendo a primeira região de vinhos não licorosos demarcada em Portugal e a segunda região demarcada do país.