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Ruínas Romanas de Tróia

As Ruínas Romanas de Tróia, na península em frente a Setúbal, são o maior complexo de salga e conserva de peixe conhecido de todo o Império Romano.

Ruínas Romanas de Tróia
Alvesgaspar, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

As Ruínas Romanas de Tróia ocupam a face noroeste da península de Tróia, na margem esquerda do estuário do Sado, em frente à cidade de Setúbal mas já em território da freguesia do Carvalhal (concelho de Grândola, distrito de Setúbal). Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o sítio corresponde ao maior complexo de produção de salga e conserva de peixe conhecido em todo o mundo romano, ativo de forma contínua entre os séculos I e VI d.C.

Uma fábrica à escala do Império

A escolha do lugar não foi casual. A foz do Sado oferecia abrigo, abundância de pescado e bancos de sal a curta distância — três condições essenciais para uma indústria que transformava o atum, a cavala e outras espécies em conservas de longa duração e no célebre garum, o molho fermentado de vísceras de peixe que temperava as mesas de todo o Mediterrâneo. As oficinas organizavam-se em torno de pátios centrais, ladeados por séries de tanques de alvenaria revestida a opus signinum — as cetárias — onde o peixe era posto em camadas alternadas com sal.

Foram identificadas cerca de vinte oficinas, de dimensões muito variáveis: a maior ultrapassava os 1000 m² e reunia dezanove tanques, enquanto a mais pequena, com 135 m², dispunha de nove. Esta concentração de unidades fabris, voltada inteiramente para a exportação marítima, distingue Tróia das simples villae litorais e justifica a sua leitura como verdadeiro aglomerado industrial.

Tróia inverte a imagem romântica da ruína romana: aqui não há templos nem teatros, mas tanques de salga alinhados — o testemunho cru de uma economia atlântica movida pelo peixe e pelo sal.

Termas, necrópoles e a basílica paleocristã

A longa ocupação do sítio deixou muito mais do que oficinas. As escavações puseram a descoberto um conjunto termal com cerca de 450 m², dotado de apodyterium, frigidarium, tepidarium e caldarium aquecido por hipocausto, com vestígios de mosaicos e de uma palestra. Há ainda uma zona residencial — a chamada Rua da Princesa —, um mausoléu e necrópoles com tipologias funerárias diversas. O cristianismo tardio fez-se sentir numa basílica paleocristã de paredes outrora frescadas, sinal de que a comunidade sobreviveu à reconversão religiosa do Baixo Império.

A curiosidade arqueológica por Tróia é antiga. As primeiras escavações conhecidas remontam à segunda metade do século XVIII, patrocinadas pela então infanta D. Maria, futura D. Maria I; em meados do século XIX a Sociedade Arqueológica Lusitana revelou mosaicos e paredes pintadas; e entre 1948 e 1967 desenvolveram-se as campanhas que expuseram as termas, as casas de salga, as necrópoles e a basílica.

Tróia no contexto da Lusitânia romana

O complexo integra-se na densa rede de exploração económica que Roma montou no litoral da província da Lusitânia, da qual fazem parte sítios estudados na página da arqueologia romana em Portugal. Frente a Tróia, do outro lado do Sado, a cidade de Setúbal herdou o nome romano de Caetobriga, com o qual o complexo manteve estreitas relações de abastecimento e mercado. Pela escala e pelo estado de conservação, Tróia ombreia com os grandes conjuntos urbanos romanos do país, como as Ruínas Romanas de Conímbriga, oferecendo porém uma perspetiva rara: a de uma indústria romana surpreendida no seu próprio chão de trabalho.

Perguntas frequentes

Onde ficam as Ruínas Romanas de Tróia?
Situam-se na margem esquerda do estuário do Sado, na face noroeste da península de Tróia, em frente a Setúbal, na freguesia do Carvalhal, concelho de Grândola, distrito de Setúbal.
Para que servia o complexo romano de Tróia?
Era um grande centro industrial de salga e conserva de peixe, onde se produziam preparados como o garum, exportados por via marítima para todo o Império Romano entre os séculos I e VI d.C.
As Ruínas Romanas de Tróia podem visitar-se?
Sim. O sítio está aberto ao público com um circuito de visita criado em 2011, atravessando as oficinas de salga, as termas e a basílica paleocristã, parte da qual só é acessível em visita guiada.

Fontes

  1. Ruínas romanas de Troia — Wikipédia
  2. Estação Romana de Tróia — Câmara Municipal de Grândola