Património Imaterial

Santos Populares

Santos Populares: as festas de junho em Portugal em honra de Santo António, São João e São Pedro, com arraiais, marchas, fogueiras, manjericos e sardinhas.

Santos Populares
Guilhermeguerraoc, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

Os Santos Populares designam o conjunto de festas que, ao longo do mês de junho, percorrem Portugal de norte a sul em honra de três figuras da devoção católica: Santo António, a 13, São João Baptista, a 24, e São Pedro, a 29. São, por excelência, festas de rua: arraiais de bairro, fogueiras, marchas, música e mesas onde se assam sardinhas. Mais do que uma efeméride religiosa, constituem um dos momentos mais vivos da cultura popular portuguesa, em que a identidade de cada lugar se exprime à porta de casa.

Raízes e cristianização

A concentração destas festas em torno do solstício de verão não é casual. As celebrações do fim de junho herdam práticas pré-cristãs ligadas ao ciclo solar — sobretudo o fogo, presente nas fogueiras sobre as quais ainda hoje se salta. Ao difundir-se pela Europa, a Igreja sobrepôs a estas datas o calendário dos seus santos: a festa de São João Baptista foi fixada a 24 de junho, seis meses antes do Natal, fazendo coincidir a celebração cristã com o auge da luz estival. Os costumes do fogo encontram-se documentados em fontes medievais, sinal da longa continuidade entre o rito agrário e a festa devocional.

Nos Santos Populares, a fronteira entre o sagrado e o profano dissolve-se: a mesma noite que acende velas a um santo acende fogueiras de raiz pagã, e nenhuma das duas coisas parece contradizer a outra.

Cidades e as suas festas

Cada cidade fez de um dos santos o seu patrono festivo. Lisboa consagra-se a Santo António, padroeiro dos casamentos, cuja noite de 12 para 13 de junho culmina nas marchas populares de Santo António, desfile competitivo de bairros pela Avenida da Liberdade com fato, coreografia e música próprios — uma tradição organizada oficialmente desde 1932. O Porto vive intensamente o São João, transformando a cidade numa festa noturna de fogueiras, balões, alho-porro e martelinhos de plástico, que constituem hoje o seu símbolo mais reconhecível das festas de São João do Porto. São Pedro, por seu lado, marca o encerramento do ciclo, com celebrações de relevo em localidades como Sintra, Évora e Montijo.

Símbolos e rituais

Por todo o país repetem-se os mesmos gestos. A sardinha assada tornou-se o prato emblemático destas noites, hábito que se firmou em Lisboa e se difundiu para norte ao longo do século XX. O manjerico, planta aromática vendida em pequenos vasos de barro, é oferecido com um cravo de papel e uma quadra popular, prenda de namoro que se deve cuidar até ao ano seguinte. Multiplicam-se os arraiais de bairro, com arcos de papel, balões de cor, bailaricos ao som de concertina e música popular, e ainda os martelinhos com que se brinca pela rua. Estas práticas aproximam os Santos Populares de outras manifestações festivas inscritas no património cultural imaterial português, em que a comunidade é, ao mesmo tempo, autora e palco da celebração.

A vitalidade destas festas reside precisamente na sua capacidade de adaptação: a marcha que parecia ameaçada renovou-se, a sardinha tornou-se ícone gastronómico e o arraial sobreviveu à mudança das cidades. Entre a devoção, o solstício e o convívio de bairro, os Santos Populares continuam a ser, todos os junhos, uma das mais expressivas afirmações da cultura popular em Portugal — vizinhas, neste calendário festivo, de tantas romarias e festas de devoção que pontuam o verão português.

Perguntas frequentes

Quando se celebram os Santos Populares?
Celebram-se ao longo de junho, com três datas centrais: Santo António a 13, São João a 24 e São Pedro a 29 de junho. As festas começam, por tradição, na véspera de cada dia.
Quais são os três Santos Populares?
Santo António, São João Baptista e São Pedro. Em Portugal, cada um é patrono de cidades e localidades diferentes, com Lisboa associada a Santo António e o Porto a São João.
O que é o manjerico dos Santos Populares?
O manjerico é uma pequena planta aromática oferecida nestas festas, geralmente num vaso de barro com um cravo de papel e uma quadra popular, como prenda de afeto entre namorados e amigos.

Fontes

  1. Santo popular — Wikipédia
  2. Porque festejamos os Santos Populares? — Observador