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Sé de Silves

A Sé de Silves, antiga catedral gótica do Algarve, erguida sobre a mesquita da outrora capital muçulmana, em Silves, distrito de Faro.

Sé de Silves
Rui Ornelas from Lisboa, Portugal, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons

No coração da antiga capital do Garb al-Ândalus ergue-se a Sé de Silves, a antiga catedral do Algarve e a mais notável construção gótica do extremo sul de Portugal. Erguida sobre o lugar da grande mesquita da cidade islâmica, a igreja condensa, nas suas pedras, a passagem de Silves de metrópole muçulmana a sede episcopal cristã — uma transição que marcou de forma decisiva a história do território algarvio.

Da mesquita à catedral

A tomada de Silves por D. Sancho I, em 1189, abriu caminho à instituição de uma sé no lugar da antiga mesquita, embora a posse definitiva da cidade pela coroa portuguesa só se consolidasse a partir de 1268, no reinado de D. Afonso III. A construção que hoje vemos foi fundada na segunda metade do século XIII, mas o grosso do edifício foi erguido a partir de meados do século XV, conferindo-lhe o carácter predominantemente gótico que o distingue.

A pedra conta essa história: a fábrica recorreu sobretudo ao grés vermelho de Silves e ao calcário dolomítico local, este último reservado ao portal principal. Os mestres que trabalharam na Sé na segunda metade de Quatrocentos deixaram marca duradoura na região, reconhecendo-se afinidades entre o seu portal e o da Igreja Matriz de Portimão.

A Sé de Silves é menos um monumento isolado do que a memória construída de uma cidade que foi, sucessivamente, capital de um reino islâmico e cabeça da diocese do Algarve.

Arquitetura e interior

O interior de três naves, com pilares octogonais, arcos quebrados e abóbadas de cruzaria, exprime um gótico sóbrio e robusto, adaptado à escassez de luz e ao calor do Sul. A capela-mor guarda túmulos de famílias nobres dos séculos XV e XVI, e foi aqui que D. João II foi inicialmente sepultado, em 1495, antes da trasladação dos seus restos mortais para o Mosteiro da Batalha em 1499 — episódio que sublinha o prestígio então associado à catedral algarvia.

O terramoto de 1755 atingiu duramente o edifício, obrigando a campanhas de restauro concluídas por volta de 1758. Delas resultaram elementos barrocos hoje visíveis, como o coroamento da fachada e a torre sineira, que convivem com a estrutura gótica original sem a descaracterizar.

Significado e enquadramento

A perda do estatuto catedralício, com a transferência da diocese para a Sé de Faro em 1577, não diminuiu a importância simbólica do monumento. A antiga Sé continua a dominar o casario de Silves, em diálogo direto com o vizinho Castelo de Silves, o conjunto militar de grés vermelho que protegia a cidade. Juntos, igreja e fortaleza formam o testemunho mais eloquente do passado da cidade de Silves, onde a memória islâmica permanece viva também através da rica arqueologia islâmica local.

Classificada como Monumento Nacional em 1922, a Sé de Silves integra-se no conjunto das grandes sés e catedrais portuguesas, distinguindo-se por ser a única que, no Algarve medieval, exprimiu em pedra a longa e complexa fronteira entre o Islão e a cristandade no Ocidente peninsular.

Perguntas frequentes

Porque é que Silves teve uma catedral antes de Faro?
Silves foi capital do Garb al-Ândalus e, após a Reconquista, sede episcopal do Algarve. A diocese só foi transferida para Faro em 1577, deixando a antiga Sé como testemunho desse estatuto.
A Sé de Silves está classificada como património?
Sim. Foi classificada como Monumento Nacional em 1922, sendo considerada a mais importante construção gótica do Algarve.
É verdade que D. João II esteve sepultado na Sé de Silves?
Sim. O rei foi inicialmente sepultado na capela-mor da Sé em 1495; os restos mortais foram trasladados para o Mosteiro da Batalha em 1499.

Fontes

  1. Sé de Silves — Wikipédia
  2. Sé Catedral de Silves — Património Cultural (DGPC/SIPA)