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Silves: Antiga Capital Islâmica do Algarve
Silves, antiga capital islâmica do Garb al-Andalus, no Algarve: o seu castelo de arenito vermelho, a Sé medieval e a herança árabe da cidade de Xelb.
Silves é uma cidade do distrito de Faro, no coração do Algarve, assente numa colina sobre o rio Arade, a poucos quilómetros do litoral. Hoje uma sede de concelho tranquila de pouco mais de seis mil habitantes, foi durante séculos a mais importante cidade do sul peninsular — a Xelb dos geógrafos árabes, capital do Garb al-Andalus e um dos focos mais brilhantes da cultura islâmica no Ocidente.
Xelb, a cidade dos poetas
Conquistada pelos muçulmanos no início do século VIII, Silves cresceu graças à navegabilidade do Arade, que a ligava ao mar e ao comércio mediterrânico. Os cronistas árabes descreveram-na como uma urbe próspera e culta, célebre pela elegância da sua língua e pela qualidade dos seus poetas. No século XI tornou-se capital de uma taifa independente e acolheu, ainda príncipe, al-Mutâmide — o último rei abádida de Sevilha e ele próprio poeta —, cujo nome ficou associado para sempre à cidade.
Desse apogeu permanece o testemunho mais imponente da herança islâmica em Portugal: o castelo de arenito vermelho de Silves, a maior fortaleza muçulmana do Algarve, com o seu perímetro amuralhado quase intacto e uma notável cisterna almóada escavada na rocha. As escavações arqueológicas no interior do recinto continuam a revelar o traçado urbano e os hábitos do quotidiano de Xelb, num programa de investigação que faz da cidade um dos mais ricos sítios de arqueologia islâmica do país.
Poucos lugares em Portugal condensam de forma tão física o encontro de duas civilizações: a mesma colina que sustentou a alcáçova muçulmana viu erguer-se, sobre a mesquita maior, a catedral cristã.
Da conquista cristã à Sé medieval
A integração de Silves no reino de Portugal foi lenta e disputada. Em 1189, D. Sancho I tomou a cidade com o apoio de frotas de cruzados do norte da Europa, mas os almóadas reconquistaram-na dois anos depois. Só em 1242, com Paio Peres Correia, a praça caiu definitivamente em mãos cristãs; em 1266, D. Afonso III concedeu-lhe foral. Como antiga capital, Silves manteve a sede do bispado do Algarve, e sobre o local da antiga mesquita ergueu-se a Sé de Silves, o mais notável edifício gótico da região, panteão de bispos e memória da nova ordem religiosa.
Esta sobreposição de culturas — fenícia, romana, islâmica e cristã — faz de Silves um caso exemplar do património mouro e islâmico na península. À entrada da cidade ergue-se ainda a Cruz de Portugal, um calvário em calcário branco do final do século XV, classificado como Monumento Nacional e ligado, segundo a tradição, à trasladação dos restos de D. João II, falecido em Alvor em 1495 e sepultado provisoriamente na Sé silvense.
Uma cidade-arquivo
Com o assoreamento do Arade e a transferência do poder régio para Lagos e, mais tarde, para Faro, Silves perdeu protagonismo a partir do século XVI. Esse declínio, paradoxalmente, preservou o seu tecido histórico: as muralhas, as ruas estreitas e os vestígios soterrados não foram apagados por grandes reconstruções. Hoje, a cidade vermelha do Arade lê-se como um arquivo a céu aberto, onde cada camada — da taipa almóada à cantaria gótica — narra um capítulo da longa história do sul de Portugal.
Perguntas frequentes
- Porque foi Silves capital do Algarve?
- Sob domínio muçulmano, Silves — então chamada Xelb — foi o principal centro urbano, cultural e comercial do Garb al-Andalus, chegando a ser capital de uma taifa independente no século XI.
- Quando foi Silves conquistada aos mouros?
- A cidade foi tomada por D. Sancho I em 1189, com auxílio de cruzados, mas reconquistada pelos almóadas pouco depois. A conquista definitiva ocorreu em 1242, por Paio Peres Correia, no reinado de D. Afonso III.
- De que material é feito o castelo de Silves?
- O castelo foi erguido em grés de Silves, o característico arenito vermelho da região, combinado com taipa, técnica de construção em terra compactada típica da arquitetura militar islâmica.