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Viana do Castelo
Património de Viana do Castelo, cidade renascentista do Minho à foz do rio Lima, com a Praça da República, a Sé e o Santuário de Santa Luzia.
- Localização
- Viana do Castelo, Viana do Castelo
- Construção
- 1258
- Estilo
- Renascentista
Erguida na margem direita da foz do rio Lima, entre o Atlântico e o Monte de Santa Luzia, Viana do Castelo é uma das mais elegantes cidades do Minho. A sua fisionomia conjuga a memória de um próspero porto mercantil, a riqueza do Renascimento e do Barroco e a vivacidade das tradições populares, fazendo dela um dos rostos mais reconhecíveis do Norte de Portugal.
Da fundação ao apogeu marítimo
A ocupação humana do território é antiquíssima: o cume do monte que domina a cidade conserva os vestígios do castro de Santa Luzia, povoado fortificado da Idade do Ferro reocupado em época romana. A urbe medieval, porém, nasce do foral concedido por D. Afonso III em 1258 a Viana da Foz do Lima, documento que desde logo revela a vocação marítima da terra e das suas gentes.
Foi essa vocação que ditou a sua idade de ouro. Entre os séculos XV e XVII, Viana firmou-se como um dos grandes portos do reino, exportando vinho, frutos e sal para o norte da Europa e participando na expansão atlântica. A riqueza acumulada pelos mercadores traduziu-se numa notável renovação urbana de gosto renascentista, com palácios, igrejas e fontes que ainda hoje estruturam o centro histórico.
Poucas cidades portuguesas conservam um tecido quinhentista tão legível: em Viana, a arquitetura do Renascimento não é episódio, mas linguagem de toda uma praça.
A Praça da República e o centro histórico
O coração da cidade é a Praça da República, conjunto de rara harmonia onde convergem três marcos do século XVI. O chafariz renascentista, concluído em 1554 sob risco de João Lopes, o Velho, ergue-se em taças sobrepostas coroadas pela esfera armilar e a cruz de Cristo. Fecha-o, ao fundo, o antigo Paço do Concelho, com a sua galeria de arcos quebrados, e a fachada manuelina-renascentista da Casa da Misericórdia, atribuída a João Lopes, o Moço.
Em redor desenrola-se uma malha de ruas onde sobrevivem casas brasonadas, a Sé — primitiva igreja matriz quatrocentista elevada a catedral em 1977 — e numerosas casas senhoriais. A pedra granítica, omnipresente, aproxima Viana das demais casas de granito do Minho, embora aqui ganhe um requinte ornamental próprio das elites mercantis.
Santa Luzia, miradouro sobre o Atlântico
Coroando a cidade ergue-se o Santuário do Sagrado Coração de Jesus, popularmente conhecido como Santa Luzia, o seu mais célebre ex-líbris. Projetado por Miguel Ventura Terra a partir de 1899, o templo é um exemplar maior do revivalismo português: planta centrada em cruz grega, granito aparente e uma síntese de modelos neorromânicos e neobizantinos que evocam a Sacré-Cœur de Paris. A construção, iniciada em 1904, prolongou-se por décadas, marcada por interrupções, e só ficou concluída em meados do século XX. Do seu zimbório descortina-se uma das mais amplas panorâmicas da costa atlântica portuguesa.
Festa, traje e identidade
Viana é também capital simbólica do folclore minhoto. A cidade vibra anualmente com a Romaria de Nossa Senhora da Agonia, em agosto, com os seus cortejos de mordomas em traje regional, o ouro filigranado e os tapetes de flores. Esta identidade festiva, ligada à devoção e ao mar, faz de Viana ponto de passagem privilegiado para quem percorre o Minho, de Ponte de Lima à foz do rio, entre vinhas, casario e estuário.
Perguntas frequentes
- Quando recebeu Viana do Castelo a sua carta de foral?
- A povoação de Viana da Foz do Lima recebeu foral de D. Afonso III em 1258. Só foi elevada a cidade em 20 de janeiro de 1848, passando então a designar-se oficialmente Viana do Castelo.
- Qual é o estilo do Santuário de Santa Luzia?
- O Santuário do Sagrado Coração de Jesus, no Monte de Santa Luzia, é um templo revivalista em granito que funde o neorromânico com o neobizantino, projetado por Miguel Ventura Terra a partir de 1899.
- O que se destaca na Praça da República?
- A praça reúne o chafariz renascentista (1554), o Antigo Paço do Concelho e a Casa da Misericórdia, formando um dos conjuntos urbanos quinhentistas mais coesos do Norte de Portugal.
Fontes
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