Património Imaterial
Romaria de Nossa Senhora da Agonia
A Romaria de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, é a maior festa do Minho: trajes, ouro, tapetes de flores e procissão ao mar em agosto.
A Romaria de Nossa Senhora da Agonia, conhecida popularmente como “as Festas da Agonia”, é a maior e mais célebre festividade do Minho e uma das mais imponentes de todo o noroeste peninsular. Realiza-se anualmente em agosto, em Viana do Castelo, em torno do feriado municipal de 20 de agosto, reunindo num mesmo programa a devoção religiosa, a exuberância etnográfica e a festa popular.
Origem e devoção
O culto a Nossa Senhora da Agonia firmou-se em Viana do Castelo a partir de 1674, quando a imagem da Virgem foi instalada na Capela do Bom Jesus do Santo Sepulcro do Calvário, junto à orla marítima. A devoção, alimentada pelas gentes do mar do litoral minhoto e galego, cresceu rapidamente: a romaria anual terá começado por volta de 1772 e, em 1783, a Sagrada Congregação dos Ritos autorizou a celebração solene a 20 de agosto, data que desde então fixa o calendário das festas. O atual santuário, de planta barroca, com a sua fachada de duas torres e o emblemático escadório, é o coração devocional da romaria.
Os grandes momentos
O programa da romaria articula vários cortejos e cerimónias que se tornaram imagem de marca da cidade. A Procissão ao Mar, realizada pela primeira vez em 1968, é talvez o mais comovente: a imagem da Senhora percorre as ruas da Ribeira, juncadas de tapetes de sal e flores compostos pelos moradores, antes de seguir sobre as águas do rio Lima acompanhada por dezenas de embarcações de pesca engalanadas.
O Cortejo Etnográfico e a Festa do Traje desfilam a riqueza do vestuário regional minhoto — os trajes de noiva, de mordoma e de lavradeira — exibindo os peitos cobertos de ouro lavrado. Esta ourivesaria, que vai do coração de Viana aos cordões e brincos à rainha, prolonga a tradição da filigrana portuguesa, arte que aqui atinge expressão festiva única.
Em poucos lugares da Europa o traje popular se converte de tal modo em objeto de orgulho coletivo: o ouro envergado pelas mordomas não é adereço, mas memória e património familiar transmitido de geração em geração.
A noite traz os fogos de artifício sobre o Lima, os concursos de concertinas e cante ao desafio, os arraiais e os desfiles de gigantones e cabeçudos, que atravessam as ruas ao som das bandas filarmónicas.
Significado e reconhecimento
A Romaria da Agonia condensa, num só acontecimento, os traços mais distintivos da identidade minhota: a religiosidade marítima, o traje regional, a ourivesaria, a música popular e o engenho decorativo das ruas. Em 2013 foi-lhe atribuída a Declaração de Interesse Público para fins turísticos, sublinhando o seu peso cultural e económico para a região.
Integra-se, assim, no vasto universo dos santuários e locais de romaria que estruturam a religiosidade popular portuguesa, e figura entre as manifestações mais expressivas do património cultural imaterial de Portugal. A par de outras grandes festas do Norte, como as festas de São João do Porto, a Agonia demonstra como a romaria continua a ser, em pleno século XXI, um poderoso instrumento de coesão comunitária e de afirmação das tradições regionais.
Perguntas frequentes
- Quando se realiza a Romaria de Nossa Senhora da Agonia?
- Realiza-se anualmente em agosto, em Viana do Castelo, em torno do dia 20, feriado municipal. As festas estendem-se por vários dias e incluem celebrações religiosas, etnográficas e populares.
- O que é a Procissão ao Mar?
- É um dos momentos mais marcantes da romaria, realizado pela primeira vez em 1968. A imagem de Nossa Senhora da Agonia percorre as ruas da Ribeira, decoradas com tapetes de sal e flores, e segue depois sobre o rio Lima acompanhada por dezenas de embarcações.
- Porque é célebre o ouro da Romaria da Agonia?
- No Cortejo Etnográfico e na Festa do Traje, as mordomas e lavradeiras envergam peitos cobertos de filigrana em ouro — corações, brincos à rainha e cordões — herança da ourivesaria tradicional do Minho.