Arqueologia
Anta Grande da Comenda da Igreja
A Anta Grande da Comenda da Igreja, em Montemor-o-Novo, é um dos mais monumentais dolmens de corredor do megalitismo alentejano, com grandes esteios.
A Anta Grande da Comenda da Igreja é uma sepultura megalítica de corredor situada na freguesia de Nossa Senhora do Bispo, no concelho de Montemor-o-Novo, em pleno Alentejo Central. Erguida por comunidades agro-pastoris entre os finais do IV milénio a.C. e meados do III milénio a.C., conta-se entre os exemplares mais monumentais e mais bem conservados do chamado megalitismo eborense, a densa concentração de antas que polvilha as planícies em torno de Évora.
Um dolmen de corredor de grandes dimensões
O monumento pertence à tipologia das antas de câmara e corredor diferenciados, a fórmula arquitetónica mais elaborada do megalitismo funerário peninsular. A câmara, de planta poligonal, é definida por esteios de granito de dimensões notáveis, fechando um espaço com cerca de 4 metros de diâmetro cujas paredes atingem aproximadamente 6 metros de altura, contando a espessura da grande laje de cobertura. A ela liga-se um corredor de planta rectangular, com cerca de 10 metros de comprimento e perto de 1,80 metros de altura, que prolonga o monumento até uma extensão total que ronda os 15 metros.
Numa anta de corredor, a arquitetura encena uma travessia: o visitante avança por um corredor cada vez mais estreito e baixo até desembocar na câmara, o espaço sagrado onde repousavam os mortos e as suas oferendas.
A robustez dos esteios e a integridade do corredor distinguem este dolmen de muitos outros da região, frequentemente desmantelados ou reduzidos a fragmentos. A sua escala aproxima-o de outros gigantes do megalitismo alentejano, como a Anta Grande do Zambujeiro, o maior dólmen de câmara conhecido em Portugal, com o qual partilha a mesma gramática construtiva.
Função funerária e espólio votivo
Como os restantes monumentos do megalitismo alentejano, a Anta da Comenda da Igreja foi um sepulcro coletivo, utilizado e reutilizado ao longo de gerações pelas comunidades neolíticas e calcolíticas que habitavam o território. No seu interior depositavam-se os defuntos acompanhados de um conjunto de oferendas que constituía o ajuar funerário.
As escavações realizadas no monumento ao longo do século XX revelaram um espólio votivo abundante, no qual se destacam as placas votivas em xisto gravado, peças emblemáticas da arte megalítica portuguesa e objeto recorrente de estudo pela sua possível dimensão simbólica e religiosa. Parte significativa destes materiais integra hoje as coleções do Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, onde permanecem disponíveis para investigação.
Classificação e enquadramento
A Anta Grande da Comenda da Igreja encontra-se classificada como Monumento Nacional desde 1936, reconhecimento que atesta o seu valor enquanto testemunho excecional das primeiras sociedades sedentárias do Sul peninsular. Inserida num território particularmente rico em vestígios pré-históricos — antas, menires e cromeleques distribuídos pelas herdades de Montemor-o-Novo e dos concelhos vizinhos —, o monumento é parte de uma paisagem megalítica de densidade ímpar à escala europeia, cuja leitura conjunta permite compreender a complexidade das comunidades que, há cerca de cinco mil anos, marcaram de forma duradoura o Alentejo.
Perguntas frequentes
- Onde fica a Anta Grande da Comenda da Igreja?
- Situa-se na freguesia de Nossa Senhora do Bispo, no concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora, no Alentejo Central.
- Quando foi construída a anta?
- O monumento megalítico foi erguido entre os finais do IV milénio a.C. e meados do III milénio a.C., no período neolítico.
- A anta está classificada como património?
- Sim, está classificada como Monumento Nacional desde 1936.