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Montemor-o-Novo
Guia patrimonial de Montemor-o-Novo, vila alentejana do distrito de Évora, com o seu castelo medieval, conventos e a memória de São João de Deus.
Montemor-o-Novo ergue-se sobre uma das colinas mais salientes do Alentejo Central, no distrito de Évora, num ponto estratégico da antiga estrada entre Lisboa e Évora. A vila cresceu encostada ao seu castelo, primeiro dentro do perímetro amuralhado e, mais tarde, descendo pela encosta norte, num casario branco que ainda hoje desenha a silhueta característica das povoações de cabeço alentejanas.
O castelo e a vila medieval
O sítio terá conhecido ocupação anterior à conquista cristã, possivelmente sobre uma estrutura defensiva de época romana ou islâmica. A povoação foi integrada no reino de Portugal no reinado de D. Sancho I, que lhe outorgou foral em 1203 para incentivar o povoamento e a defesa da fronteira meridional, então ainda instável. No reinado de D. Dinis empreenderam-se obras decisivas de fortificação, com a construção do circuito de muralhas que envolvia a vila no topo do cerro.
Dentro do recinto subsistem testemunhos de grande riqueza: troços de muralha, o Paço dos Alcaides, a Torre do Relógio, as portas da Vila e do Anjo, a Torre da Má Hora e os vestígios das igrejas de Santiago e de Santa Maria do Bispo, além do Convento de Nossa Senhora da Saudação. A partir do século XV, a população foi descendo gradualmente para a vila baixa, deixando o velho castelo como um vasto sítio arqueológico e paisagístico — um dos mais sugestivos do interior alentejano.
A tradição local conserva a memória de que foi neste castelo que Vasco da Gama terá ultimado os preparativos da viagem à Índia, num episódio que liga a pequena vila de cabeço à expansão marítima portuguesa.
São João de Deus e o património religioso
Montemor-o-Novo é, antes de mais, a terra natal de São João de Deus, nascido a 8 de março de 1495 e fundador da Ordem Hospitaleira, que se difundiria por todo o mundo e o tornaria padroeiro dos hospitais, dos doentes e dos enfermeiros. Sobre o local associado ao seu nascimento ergueu-se, no século XVII, uma igreja e convento a ele dedicados: a primeira pedra do templo foi lançada em 1625 e, mais tarde, no século XIX, a igreja conventual assumiu funções de matriz, substituindo a antiga igreja de Santa Maria do Bispo no castelo. Junto à capela-mor abre-se o acesso à cripta do santo, edificada sobre o sítio do seu nascimento.
A par deste conjunto, o tecido urbano guarda outras casas religiosas e igrejas paroquiais que documentam séculos de devoção, fazendo da vila um ponto de peregrinação ligado à figura do santo.
Pré-história e enquadramento alentejano
O concelho integra ainda um dos sítios pré-históricos mais notáveis do país: a Gruta do Escoural, classificada como Monumento Nacional, único caso conhecido em Portugal de arte rupestre paleolítica no interior de uma gruta, com representações de cavalos e bovídeos próximas, no espírito, das grandes grutas de Lascaux e Altamira. Este testemunho insere Montemor-o-Novo no vasto panorama do megalitismo e da pré-história do Alentejo, território onde se concentram o Cromeleque dos Almendres e a monumental Anta Grande do Zambujeiro, ambos nos arredores de Évora.
A poucos quilómetros encontra-se Évora, capital do distrito e Património Mundial, num eixo que faz de Montemor-o-Novo uma das portas privilegiadas de entrada no Alentejo histórico — entre castelos de cabeço, conventos e a memória milenar das suas planícies.
Perguntas frequentes
- Onde fica Montemor-o-Novo?
- Montemor-o-Novo situa-se no distrito de Évora, no Alentejo Central, sobre uma colina que domina a planície a meio caminho entre Lisboa e Évora.
- Quem nasceu em Montemor-o-Novo?
- É a terra natal de São João de Deus, nascido a 8 de março de 1495 e fundador da Ordem Hospitaleira, padroeiro dos hospitais e dos enfermeiros.
- O que ver no castelo de Montemor-o-Novo?
- No recinto amuralhado conservam-se troços de muralha, o Paço dos Alcaides, a Torre do Relógio, vestígios de igrejas medievais e o Convento da Saudação.