Arqueologia
Anta Grande do Zambujeiro
A Anta Grande do Zambujeiro, junto a Valverde, em Évora, é o maior dólmen de câmara de Portugal, com esteios de cerca de oito metros de altura.
A Anta Grande do Zambujeiro ergue-se num vale discreto junto a Valverde, na freguesia de Nossa Senhora da Tourega, poucos quilómetros a sudoeste de Évora. É o maior dólmen de câmara conhecido em Portugal e um dos mais imponentes de toda a Península Ibérica: sete esteios de granito, levantados em planta poligonal, formam uma câmara que se aproxima dos oito metros de altura. A sua escala excecional tornou-a um símbolo do megalitismo alentejano e um marco obrigatório de qualquer roteiro pelo património pré-histórico da região.
Um monumento do Neolítico
A anta foi construída no Neolítico, entre cerca de 4000 e 3500 a.C., como sepultura coletiva destinada a acolher sucessivos enterramentos ao longo de gerações. Pertence à tipologia dos dólmenes de corredor, em que uma câmara fechada se prolonga por um corredor de acesso — aqui com cerca de doze metros de comprimento, embora hoje muito arruinado. Originalmente, todo o conjunto estaria coberto por uma grande tampa horizontal e envolvido por uma mamoa, o montículo de terra e pedra que selava o sepulcro e marcava a paisagem.
Mover e erguer esteios que pesam várias toneladas, sem metal nem roda, revela a sofisticada organização social das comunidades agropastoris que ocupavam a planície de Évora há mais de cinco milénios.
A densidade de monumentos megalíticos em redor de Évora não é casual: a região concentra um dos mais ricos conjuntos da Europa, do qual fazem parte o célebre Cromeleque dos Almendres e os numerosos recintos e antas que documentam a continuidade destas práticas. A Anta Grande do Zambujeiro insere-se assim numa tradição que percorre todo o megalitismo peninsular.
Escavação e achados
As escavações sistemáticas decorreram em 1965, dirigidas por Henrique Leonor Pina. Os trabalhos, que envolveram a remoção da tampa e do enchimento da câmara, recolheram um espólio abundante — placas de xisto gravadas, contas de colar, báculos, objetos de cobre e cerâmicas, entre os quais taças carenadas — material funerário típico do Neolítico final e do Calcolítico alentejano. Boa parte deste conjunto encontra-se hoje no Museu de Évora.
A intervenção, conduzida com os métodos da época, expôs a estrutura a uma fragilidade que ainda hoje a ameaça: os esteios, sobretudo os do corredor, ficaram visíveis quase até à base, e o monumento exige vigilância e medidas de conservação para travar o risco de derrocada. Uma cobertura metálica protege atualmente a câmara das intempéries.
Classificação e visita
A Anta Grande do Zambujeiro está classificada como Monumento Nacional, estatuto atribuído pelo Decreto-Lei n.º 516/71, de 22 de novembro. O acesso faz-se por caminho de terra a partir de Valverde, atravessando montado e olival, e a aproximação a pé reforça o impacto da escala dos esteios quando surgem no vale.
A visita ganha sentido quando integrada num percurso mais amplo pelo território de Évora, que combina o legado pré-histórico com camadas posteriores da história alentejana e se inscreve no conjunto da arte megalítica portuguesa. A poucos quilómetros, os monumentos do complexo megalítico de Monsaraz completam um dos mais notáveis itinerários do megalitismo em Portugal.
Perguntas frequentes
- Onde fica a Anta Grande do Zambujeiro?
- Situa-se num vale junto a Valverde, na freguesia de Nossa Senhora da Tourega, a poucos quilómetros a sudoeste da cidade de Évora, no Alentejo.
- Porque é considerada a maior anta de Portugal?
- A sua câmara poligonal é formada por sete esteios que atingem cerca de oito metros de altura, dimensões que fazem dela um dos maiores dólmenes de câmara da Península Ibérica.
- Quando foi construída?
- Foi erguida no Neolítico, entre cerca de 4000 e 3500 a.C., como sepultura coletiva da comunidade que habitava a região.