Arqueologia

Cromeleque dos Almendres

O Cromeleque dos Almendres, perto de Évora, é o maior conjunto de menires da Península Ibérica, erguido a partir do VI milénio a.C., no Neolítico.

Cromeleque dos Almendres
Ingo Mehling, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

O Cromeleque dos Almendres é o mais extenso conjunto de menires da Península Ibérica e um dos mais notáveis monumentos megalíticos da Europa. Erguido numa suave encosta voltada a nascente, sobranceira à planície alentejana, reúne 95 monólitos de granito implantados em recintos de planta circular e oval. A sua dimensão, o seu estado de conservação e a sua antiguidade conferem-lhe um lugar central no estudo do megalitismo do Ocidente atlântico.

Cronologia e construção

O monumento não resultou de um único momento, mas de um longo processo de edificação e remodelação ao longo do Neolítico. As fases mais antigas, associadas aos recintos circulares de menor dimensão, remontam ao final do VI milénio a.C.; o grande recinto oval foi formado em momento posterior, no V milénio a.C., e o conjunto manteve-se em uso até ao início do III milénio a.C. Esta sucessão de campanhas construtivas espelha a permanência, durante milénios, das comunidades agro-pastoris que ocuparam o território de Évora e que erigiram também as grandes antas do Alentejo.

Alguns dos menires apresentam relevos gravados — báculos, círculos concêntricos, motivos serpentiformes e pequenas covinhas — que terão tido significado simbólico e, possivelmente, calendárico. A orientação do recinto e a relação visual com o nascer do Sol em datas específicas têm alimentado interpretações de natureza astronómica, embora estas devam ser lidas com prudência.

Mais do que um “Stonehenge português”, os Almendres são um testemunho da capacidade de organização social e do pensamento simbólico de comunidades neolíticas que, há mais de sete mil anos, marcaram a paisagem com pedra.

Descoberta e classificação

O cromeleque permaneceu praticamente desconhecido até 1964, quando foi identificado pelo geólogo Henrique Leonor Pina no decurso dos trabalhos de levantamento da Carta Geológica de Portugal. Muitos dos menires encontravam-se tombados ou parcialmente soterrados, tendo sido reerguidos e reposicionados em campanhas arqueológicas posteriores, sob a coordenação, entre outros, de Mário Varela Gomes.

O sítio foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1974 e, reconhecida a sua importância excecional, elevado a Monumento Nacional em 2015. A escassa centena de metros, isolado, ergue-se o Menir dos Almendres, um único monólito de mais de dois metros de altura que se relaciona, do ponto de vista visual e simbólico, com o recinto principal.

Visitar e enquadrar

O Cromeleque dos Almendres integra um dos mais ricos conjuntos megalíticos da Europa, concentrado em torno de Évora — antas, menires isolados e recintos que, em conjunto, documentam a longa pré-história do Alentejo central. A leitura do monumento ganha profundidade quando articulada com o panorama mais amplo do megalitismo português, que vê neste território um dos seus núcleos fundadores.

A cidade de Évora, classificada pela UNESCO, oferece o contraponto histórico ideal: do recinto neolítico ao Templo Romano, o mesmo território condensa milénios de ocupação humana e de construção monumental.

Perguntas frequentes

Onde fica o Cromeleque dos Almendres?
Fica perto da aldeia de Guadalupe, no concelho de Évora, a cerca de 15 km a oeste da cidade, no meio de um montado de azinheiras e sobreiros.
Quantos menires tem o Cromeleque dos Almendres?
O conjunto reúne 95 menires graníticos, dispostos em recintos de planta circular e oval, o que faz dele o maior agrupamento megalítico da Península Ibérica.
Quando foi construído?
Foi erguido em várias fases, entre o final do VI milénio a.C. e o início do III milénio a.C., ao longo do Neolítico, sendo um dos monumentos megalíticos mais antigos da Europa.

Fontes

  1. Cromeleque dos Almendres — Wikipédia
  2. Cromeleque dos Almendres — Câmara Municipal de Évora