Períodos & Estilos

Arte Nova em Portugal

A Arte Nova (Art Nouveau) em Portugal: cronologia, características e os grandes núcleos de Aveiro, Lisboa, Porto, Leiria e Caldas da Rainha.

Arte Nova em Portugal
Concierge.2C, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

A Arte Nova — designação portuguesa do movimento internacional conhecido como Art Nouveau — foi a linguagem decorativa que procurou romper com o academismo e os revivalismos historicistas da segunda metade do século XIX. Em vez de copiar os estilos do passado, propunha uma ornamentação inspirada diretamente na natureza: a curva sinuosa, o caule que se enrola, a flor estilizada, a libélula e o pavão. Em Portugal, o movimento chegou tardiamente e teve uma vida curta, concentrando-se sobretudo entre cerca de 1905 e 1920, num momento em que a Europa já caminhava para outras linguagens.

Uma estética da fachada

O traço mais singular da Arte Nova portuguesa foi a sua expressão como arte de fachada. A burguesia urbana das cidades em crescimento adotou o estilo como forma de afirmação de estatuto, investindo na frente do edifício — em cantaria trabalhada, gradeamentos de ferro forjado e painéis de azulejo — enquanto os interiores permaneciam frequentemente convencionais. Esta dissociação entre o exterior ostentatório e o interior contido distingue o caso português de exemplos europeus como o de Victor Horta em Bruxelas, onde a Arte Nova era um sistema total que organizava também o espaço interno.

Os materiais industriais foram aliados naturais do movimento. O ferro permitia gradeamentos e marquises de desenho livre, e a sua articulação com o vidro abria fachadas e galerias antes impensáveis — uma afinidade que liga a Arte Nova à mais ampla arquitetura do ferro da era industrial. Também o azulejo se reinventou: a produção de azulejo de fachada de gosto Arte Nova e moderno cobriu superfícies com motivos florais e composições de tom alargado, prolongando a tradição cerâmica portuguesa numa gramática nova.

Aveiro, capital da Arte Nova

Nenhuma cidade portuguesa se identifica tanto com o movimento como Aveiro. A prosperidade ligada ao comércio, à exploração do sal e à indústria gerou uma burguesia disposta a traduzir a sua riqueza em pedra lavrada. A figura central foi Francisco Augusto da Silva Rocha, professor e projetista que, sem formação formal de arquiteto, desenhou dezenas de edifícios na cidade e na região.

Em Aveiro, a Arte Nova não foi apenas um estilo importado: tornou-se uma assinatura coletiva da cidade, lida hoje numa rota urbana que percorre as fachadas como se fossem páginas de um mesmo livro.

O exemplo maior é a Casa do Major Pessoa, erguida a partir de 1907 por iniciativa de Mário Belmonte Pessoa, com projeto de Silva Rocha e participação do arquiteto suíço Ernesto Korrodi. É um dos raros casos em que a Arte Nova se estende ao interior. Classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1997, foi transformada em 2008 no Museu Arte Nova, ponto de partida da rota local e integrada na rede europeia de cidades do movimento. A visita ao núcleo de Aveiro é hoje incontornável para compreender o fenómeno.

Para além de Aveiro

O movimento deixou marcas noutros pontos do país. Em Lisboa, a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves — antiga Casa Malhoa, distinguida com o Prémio Valmor de 1905 — é um testemunho de referência. No Porto, espaços como o Café Majestic e a Livraria Lello incorporaram a linguagem em ambientes de grande efeito cenográfico. Em Leiria multiplicaram-se fachadas decoradas, e Caldas da Rainha destacou-se sobretudo pela cerâmica naturalista, com pratos em forma de couve e terrinas em forma de abóbora que levaram o vocabulário Arte Nova à mesa.

Curto mas intenso, o movimento foi rapidamente suplantado pelas linhas geométricas do Art Déco em Portugal, que nos anos 1920 e 1930 traduziram um novo gosto pela racionalidade e pela máquina. Ainda assim, a Arte Nova ocupa um lugar próprio entre os períodos e estilos da arte portuguesa: foi o momento em que a fachada se tornou jardim, e em que a curva — vegetal, livre, decorativa — afirmou que a modernidade também podia ser ornamento.

Perguntas frequentes

O que é a Arte Nova?
A Arte Nova, ou Art Nouveau, foi um movimento artístico de viragem do século XIX para o XX que privilegiava a linha curva, os motivos vegetais e a integração das artes decorativas na arquitetura. Em Portugal manifestou-se sobretudo entre 1905 e 1920.
Onde se encontram os melhores exemplos de Arte Nova em Portugal?
Aveiro é o caso mais célebre, com dezenas de fachadas decoradas, mas há núcleos importantes em Lisboa, no Porto, em Leiria e em Caldas da Rainha, esta última também relevante pela cerâmica naturalista.
Quem foi o principal arquiteto da Arte Nova aveirense?
Francisco Augusto da Silva Rocha foi a figura mais influente da Arte Nova em Aveiro, responsável por numerosas fachadas, incluindo a Casa do Major Pessoa, hoje Museu Arte Nova.

Fontes

  1. Arte Nova em Portugal — Wikipédia
  2. Museu Arte Nova / Casa do Major Pessoa — Câmara Municipal de Aveiro
  3. Casa do Major Pessoa — SIPA / DGPC