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Castelo de Alcácer do Sal

O Castelo de Alcácer do Sal, antiga alcáçova muçulmana sobre o Sado, em Setúbal: história, sede da Ordem de Santiago, pousada e cripta arqueológica.

Castelo de Alcácer do Sal
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

O Castelo de Alcácer do Sal ergue-se sobre uma colina que domina o rio Sado, na vila de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, no extremo ocidental do Alentejo. Trata-se de uma das mais antigas posições fortificadas do território português, com uma ocupação humana que remonta à pré-história e se prolonga, de forma quase ininterrupta, até aos nossos dias. O conjunto está classificado como Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910.

Das origens fenícias à alcáçova islâmica

O sítio foi povoado desde o Neolítico e conheceu uma importante presença fenícia, sendo identificado com a antiga Bevipo, e mais tarde com a Salacia romana, posto avançado do comércio fluvial e da produção de sal que dá nome à vila. A partir de 715, sob domínio muçulmano, a colina foi reforçada e transformada numa poderosa alcáçova, que se tornou um dos principais portos atlânticos a sul do Tejo. A fortaleza apresenta planta elíptica e um perímetro defendido por cerca de trinta torres; conserva ainda troços construídos em taipa, técnica característica da arquitetura militar islâmica, hoje rara no panorama dos castelos portugueses. Sobre este passado pode aprofundar-se a leitura na página dedicada à /arte-islamica-em-portugal/.

A Reconquista e a Ordem de Santiago

Disputado ao longo do século XII, Alcácer foi tomado e reperdido várias vezes. Em 1186 D. Sancho I doou a vila e o castelo à Ordem de Santiago, que aqui instalou uma das suas casas-sede, fazendo do lugar um nó estratégico do avanço cristão. A conquista definitiva deu-se apenas em 1217, sob D. Afonso II, com o auxílio de uma frota de cruzados. A ligação à Ordem militar aproxima Alcácer de outras praças santiaguistas, como o /castelo-de-palmela/, com o qual partilhou funções de defesa do estuário do Sado e da fronteira meridional do reino.

Convento, pousada e cripta arqueológica

No interior da cerca subsistiram, ao longo dos séculos, igrejas e estruturas conventuais, entre as quais o Convento de Aracoeli, ocupado por religiosas até à extinção das ordens, em 1834. Em 1998 parte do recinto foi adaptada à Pousada D. Afonso II. As obras de instalação do hotel revelaram níveis arqueológicos de notável riqueza, dos períodos da Idade do Ferro, romano e islâmico, conservados e valorizados na Cripta Arqueológica, aberta ao público em 2008, que integra o museu municipal. O conjunto é um dos exemplos mais expressivos do longo palimpsesto histórico que define o sistema dos /castelos/ portugueses, e constitui o principal marco do património edificado da vila de /alcacer-do-sal/.

Perguntas frequentes

Quem conquistou definitivamente o Castelo de Alcácer do Sal aos muçulmanos?
A conquista definitiva ocorreu em 1217, no reinado de D. Afonso II, com o apoio de uma frota de cruzados que rumava à Terra Santa. A povoação havia já sido tomada e perdida várias vezes ao longo do século XII.
É possível visitar o castelo e dormir lá?
Sim. Parte do recinto alberga desde 1998 a Pousada D. Afonso II, integrada na rede das Pousadas de Portugal. No interior é também visitável a Cripta Arqueológica, inaugurada em 2008.
Porque foi importante a Ordem de Santiago em Alcácer do Sal?
Em 1186 D. Sancho I doou a vila e o castelo à Ordem de Santiago, que aqui estabeleceu uma das suas casas-sede, fazendo de Alcácer um centro estratégico do esforço militar cristão a sul do Tejo.

Fontes

  1. Castelo de Alcácer do Sal — Wikipédia
  2. Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal — Câmara Municipal de Alcácer do Sal
  3. Castelo e cerca urbana de Alcácer do Sal — SIPA / DGPC